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Judas Kiss. Um drama sci-fi gay

J.T. Tepnapa está a realizar um filme de temática LGBT de drama e ficção científica com um título muito promissor: Judas Kiss. Ainda sem data para o lançamento comercial, Judas Kiss tem conseguido vencer várias barreiras. Após várias petições para angariar fundos, a equipa conseguiu reunir o valor suficiente para alugar câmaras HD topo de gama. O elenco integra actores como Charlie David (protagonista da série LGBT Dante's Cove), Richard Harmon (personagem secundária na série de TV Caprica), Timo Descamps (actor e cantor belga) e a estrela porno Brent Corrigan. O enredo de Judas Kiss irá focar a carreira falhada de um cineasta gay e, como explica o realizador nesta entrevista exclusiva para Portugal, tem uma componente autobiográfica.

 

dezanove: Fez Star Trek: Hidden Frontier. Ai, representou o papel da primeira personagem gay no universo Star Trek, o tenente comandante Corey Aster. Considera-se um ícone gay?

J.T. Tepnapa: Star Trek: Hidden Frontier foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha carreira. Comecei como uma personagem secundária e evolui para uma personagem principal com uma história muito controversa. Também foi onde aprendi o básico de produção, realização e argumento. Muito do que aprendi no Hidden Frontier apliquei nas minhas curtas metragens, e até aqui no meu novo filme, Judas Kiss. Apesar da minha personagem, Corey Aster, ter ajudado algumas pessoas a sair do armário, e de ter feito imensos amigos ao longo dos anos não acho que é realmente suficiente dizer que sou um ícone gay. É um título que poderei ainda demorar a obter.

 

Está a preparar Judas Kiss, um filme de temática LGBT. A etiqueta "Filme LGBT" ainda faz sentido?

Essa é uma pergunta que se faz muito por aí e a minha resposta está constantemente a mudar. A resposta óbvia seria "não". Não, não deveríamos ter de etiquetar os nossos filmes como LGBT. Deveríamos era ter mais personagens LGBT, e etiquetar os filmes LGBT como drama, terror, ficção científica, etc… Infelizmente não vivemos nesse mundo. Portanto sim. Precisamos de ter essa etiqueta. Nós, como uma comunidade, precisamos de apoiar os realizadores a fazerem grandes filmes. Não apenas apoiar enquanto estão no grande ecrã mas antes de serem feitos. Nós, como uma comunidade de artistas, precisamos de fazer grandes filmes com uma boa história. Para isso acontecer, tem de se apoiar os realizadores ainda antes de fazerem os filmes.

 

Esse espírito de comunidade está a ajudar na produção do filme?

Carlos Pedraza (escritor e produtor de Judas Kiss) e eu temos sido muito abençoados durante a produção do Judas Kiss. Construímos uma comunidade de amigos e família que nos têm apoiado por toda a nossa carreira. E esse apoio transformou-se em dólares. A nossa esperança é que este tempo extra que levámos a desenvolver o guião, procurar os melhores actores e equipa que o nosso orçamento permitia, para criar o melhor aspecto para o nosso filme, irá ajudar o nosso filme a ser bem sucedido. Espero que Judas Kiss seja um filme que a audiência gay adore, e que encontre um lugar entre os filmes mainstream. Nos últimos 10 anos os filmes mainstream mudaram bastante. Até temos tido mais personagens LGBT, porém, penso que não é necessário ter "gayzice" nos filmes.

 

O que quer dizer com isso?

Apenas precisamos de personagens gay com problemas reais. Precisamos de uma boa história. Adoraria que as personagens LGBT fossem comuns nos filmes mainstream. Elas são parte da história. A série Caprica faz um excelente trabalho nesse aspecto, não tendo personagens gritar dos telhados "Hey! Somos gays!". Eles fazem o que qualquer grande história deve fazer: mostrar a história, não contar a história.

 

Ouvi dizer que Judas Kiss é a sua grande ambição de vida. Há alguma parte de si neste filme que deseja partilhar?

A minha ambição de vida é ser um contador de histórias. Ajudar pessoas a rir quando precisam ou chorar quando precisam de chorar. Muitos dos empregos que já tive, empregado de hotel, empregado de cadeia de fast-food, empregado de balcão, até palhaço, foram para ajudar pessoas a terem o que precisavam. Vejo o trabalho de realizador da mesma maneira. Apenas quero ajudar pessoas. Judas Kiss é um filme que faz isso. Não é apenas um filme que quero fazer. Contudo, é o filme que estou a fazer agora. Espero que muita gente goste. Espero que contem aos amigos para que eu possa continuar a contar histórias. Acredito em filmes que me vêm da alma. Podem ser engraçados, doentios ou dolorosos. Realmente não sei como contar histórias que não sejam pessoais para mim ou para pessoas em meu redor. Judas Kiss é uma história pessoal, apesar de ser fictícia. O primeiro rascunho tinha muitos momentos melodramáticos e não funcionava como filme. Tive sorte em ter Carlos Pedraza a reformular os guião várias vezes até fazer a história de maneira que muita gente se pudesse identificar. É o que espero.

 

Mas existem histórias pessoais no filme?

Sim, existem memórias da minha infância neste filme, e algumas revelações que tive nestes últimos 10 anos da minha vida, mesmo a nível espiritual e na visão da vida em si. Mas se quer detalhes, vai ter que esperar e ver quando o filme sair.

 

Horta do Rosário