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Ronaldo não foi. Prémios Arco-Íris lembram que, apesar das vitórias, o preconceito ainda existe

Ana Drago (BE), Ana Catarina Mendes (PS), João Oliveira (PCP) e Filipa Gonçalves - premiados Arco-Íris 2010 - ILGA Portugal

Um minuto de silêncio por Carlos Castro, foi o momento mais simbólico do final de tarde desta segunda-feira no Cinema São Jorge, em Lisboa. Largas dezenas de anónimos e figuras públicas reuniram-se para assistir à 8º edição dos Prémios Arco-Íris organizados pela ILGA Portugal.

A cerimónia iniciou com a actuação do coro CoLeGas, a que se seguiu o discurso de Paulo Côrte-Real, presidente da associação de defesa dos direitos LGBT sobre os objectivos destes Prémios. O activista assinalou que “o preconceito ainda está presente na nossa sociedade” e que “é fundamental identificá-lo para o poder eliminar”. A luta contra a discriminação “é uma luta de cada vez mais pessoas e instituições e há que premiar as boas práticas, destacou.

Os galardões de 2010 foram entregues por personalidades premiadas em edições anteriores. A grande, embora esperada, ausência foi a de Cristiano Ronaldo, autor das palavras merecedoras da distinção e que tiveram repercussão à escala mundial em milhares de meios de comunicação social. Outro dos ausentes foi Bruno Nogueira, premiado por saber com arte usar o humor na luta contra a homofobia em programas na RTP e na TSF.

Ana Marques, premiada em 2003 pela ILGA Portugal, entregou o galardão à modelo Filipa Gonçalves. A modelo foi a primeira figura pública transexual a falar das suas dificuldades e da sua “luta titânica”, nas palavras de Maria Carvalho Costa, co-autora do livro “Obviamente Mulher” , da Âncora Editora. A modelo que também é filha de Nené, ex-jogador do Benfica, encorajou todos na audiência para que “não tenham medo de ser quem são.”

O espectáculo a que o público português se rendeu no ano passado, do Porto a Lisboa, passando pelo Algarve, foi também premiado pela mais antiga associação de defesa dos direitos LGBT em Portugal.  Numa comunicação em vídeo, o encenador d’“A Gaiola das Loucas”, Filipe La Féria, afirmou que este galardão se deve à forma como a peça “disse, a rir, muitas coisas sérias”.

Coube à jornalista Fernanda Câncio entregar os galardões aos deputados presentes pelos designados “Partidos da Igualdade”: PS, Bloco, PCP e PEV, partidos que aprovaram a lei do acesso ao casamento civil para casais do mesmo sexo e a lei que simplifica o registo de nome e sexo das pessoas transexuais. O PS fez-se representar por Ana Catarina Mendes, Ana Drago marcou presença pelo BE e João Oliveira pelo PCP.  Heloísa Apolónia do PEV, não pôde comparecer. Os três deputados presentes comentaram que este prémio se deve meramente pelo cumprimento das suas obrigações e revelaram acreditar que a legislação alterará as mentalidades.

No rescaldo da cerimónia Ricardo Araújo Pereira, humorista dos Gato Fedorento, lamentou não ter conseguido entregar pessoalmente o Prémio Arco-Íris a Cristiano Ronaldo. “Já não é a primeira vez que ele me faz isto. Também não apareceu nos Globos de Ouro. O problema devo ser eu”, disse o humorista ao dezanove.