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O guia gay de Lisboa está na forja

Lisbon Gay Guide - capa da edição de 2010

O Lisbon Gay Guide é um guia turístico em formato de bolso sobre o ambiente gay e gay-friendly de Lisboa. Surgiu em 2003 e é actualizado e reeditado anualmente no primeiro trimestre de cada ano. Neste momento está a ser preparada a edição de 2011 e o dezanove foi falar com Isidro Sousa, responsável pela edição deste projecto e pela revista Korpus, que ultimamente não tem sido publicada, mas cujo relançamento não está posto de parte.

 

dezanove: Para quando está previsto o lançamento da 8º edição do Lisbon Gay Guide? Como será distribuído o guia?

Isidro Sousa: O Lisbon Gay Guide é actualizado anualmente no início de cada Primavera, entre o Carnaval e a Páscoa, período em que, após a calmaria que se segue aos eventos de Natal e passagens de ano, os espaços da comunidade LGBT voltam a ser mais movimentados e o turismo ressurge com mais expressão.

Particularmente pela Páscoa notam-se muitos LGBT estrangeiros (e não só) a passarem férias ou fins-de-semana em Lisboa e o guia é mais solicitado. Daí em diante, o número de visitantes vai aumentando, atingindo o pico nos meses de Verão, portanto, é conveniente que o guia esteja devidamente actualizado, – já que a sua periodicidade é anual, pode desactualizar-se com facilidade. Por exemplo, nos últimos quatro/cinco meses do ano de 2010 surgiram imensos espaços que não constam na edição de 2010, pois o mesmo foi publicado na Primavera anterior. A 8ª edição do guia será lançada durante o mês de Março e faremos a sua distribuição pelos diversos espaços da comunidade, de modo a que fique acessível a todo o mundo.

 

Há estabelecimentos não LGBT ou apenas LGBT-friendly no guia?

O Lisbon Gay Guide é constituído por duas secções fundamentais. A primeira, de nossa exclusiva responsabilidade, engloba informação sobre bares, clubes, discotecas, saunas, cinemas, sex-shops, restaurantes, alojamento, organizações, lojas, praias, dicas úteis e inclui um mapa detalhado do Bairro Alto e Príncipe Real (consideradas as zonas gay e gay-friendly da cidade) com a localização dos respectivos estabelecimentos e com toda a informação necessária para proporcionar uma boa estadia em Lisboa aos turistas e aos residentes. A inclusão dos espaços gay nesta secção é seleccionada. A nível gay-friendly, como por exemplo restaurantes, fazemos uma selecção daqueles que poderão ter mais interesse para o público-alvo. A outra secção fundamental do Lisbon Gay Guide é constituída pelo suporte publicitário, na qual qualquer estabelecimento, produto ou serviço poderão ser divulgados. A maioria dos anunciantes são LGBT, mas sempre existiram outros interessados em publicitar os seus estabelecimentos, produtos ou serviços junto deste público: restaurantes, lojas, pensões ou hotéis, imobiliárias (a Remax, por exemplo), serviços de contabilidade, floristas, equipamentos para hotelaria, etc.

 

Como foi a aceitação dos estabelecimentos gay-friendly ao Lisbon Gay Guide nos anos anteriores?

A partir do momento em que um estabelecimento ou serviço percebe que o gay é um potencial consumidor interessa-lhe cativar esse público. Se existe, por exemplo, uma imobiliária a renovar anualmente a sua publicidade neste guia, por alguma razão é. Quem investe em publicidade espera o retorno financeiro. Obviamente que esse retorno existe. Estes dias estava num bar e uma das proprietárias disse: «O nosso bar não é gay, não interessa conotá-lo como gay porque vem cá todo o mundo, mas reconheço que vive maioritariamente à base dos gays. Passe cá no dia X mais cedo para falarmos melhor sobre este assunto». E não sendo um espaço gay nem um anunciante no guia anterior, ao longo do ano sempre nos pediram guias para colocarem à disposição dos seus clientes – porque estes lhes solicitam informação. O mesmo acontece nalguns restaurantes, lojas, e não só.

  

Que tamanho e número de exemplares terá esta edição do guia?

O guia tem um formato de bolso e irá mantê-lo. Quem frequenta a noite não gosta de levar «tralha» consigo. Já pensámos em produzi-lo num formato de revista (como fez a Associação ILGA Portugal em 2001), mas não é prático para o utilizador. Em formato de bolso é facilmente consultado, tanto na rua como dentro de uma discoteca apinhada de gente. Até 2010 foi produzido em formato A3, com três dobras, até se apresentar em formato de bolso. Este ano o seu tamanho vai ser ampliado em cinquenta por cento, mantendo o formato bolso. Quanto à tiragem iremos imprimir dez mil cópias, que serão distribuídas gratuitamente ao longo do ano. A tiragem só será aumentada quando tal se justificar.

 

Que apoios tem para esta publicação?

Noventa por cento dos anunciantes anteriores renovam os seus espaços publicitários nesta edição. Este ano há mais interessados, o que justifica a ampliação do projecto. No entanto, ainda estão a ser estabelecidos vários contactos neste momento. Só na terceira semana de Fevereiro, quando se prevê fechar a edição, poderemos ter informação mais concreta. Até lá, estamos receptivos a todos os contactos directamente para o nosso email: guiakorpus@gmail.com. Os apoios sempre foram os pequenos e diversos espaços publicitários dos estabelecimentos, produtos ou serviços que publicitam no guia; nunca tivemos apoios institucionais, nem de grandes marcas, embora estejamos receptivos.

 

Isidro Sousa

Isidro Sousa foi também o fundador da revista Korpus. Qual a relação entre o guia e a revista?

Desde 1996, ano em que fundei a Korpus, sempre incluí um roteiro nacional nas páginas da revista, para informar os leitores sobre tudo o que existia no País, e também documentei, fotografando e divulgando, as festas e eventos que se faziam por todo o País. Nesse tempo, em alguns bares (no AnB [Água no Bico] e no 106, por exemplo) chegaram ao ponto de fazer listagens manuscritas e fotocopiar mapas da cidade, assinalando à mão os diversos locais existentes, para os distribuírem pelos clientes. Dado esse panorama, e sendo eu nessa época o único editor na área LGBT, os próprios responsáveis pelos estabelecimentos começaram a sugerir que eu mesmo tomasse as rédeas do assunto, colmatando esse vazio com a edição de um novo guia. Inicialmente resisti, porque já publicava um roteiro nas páginas da revista, mas após ouvir tantas reclamações, parte delas provenientes de meus colaboradores e apoiantes, e vendo que, de facto, o guia fazia mesmo muita falta, decidi então criar o meu projecto, isto já em meados de 2003, quando publiquei a primeira edição, para o ano 2003/2004. Inicialmente era um guia nacional, mas logo compreendi que: por um lado, aquele formato era demasiado pequeno para ser nacional; por outro lado, um guia turístico deveria ser específico sobre uma determinada cidade, e só a informação de Lisboa ocupava-o quase todo. Foi aí que decidi centrá-lo só na cidade de Lisboa, alterando o seu nome –  Guia Gay de Portugal para Lisbon Gay Guide.