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Médicos contestam texto homofóbico da Revista da Ordem

A última edição da Revista da Ordem dos Médicos, já distribuída aos clínicos mas ainda sem versão online, inclui dois artigos de opinião que criticam o texto da autoria de William H. Clode, publicado na edição de Janeiro. Nesse artigo de opinião, William H. Clode descrevia os homossexuais como "anormais", "defeituosos", "doentes", "portadores de taras", "condutas repugnantes", "higiene degradante" e que requerem "correcção". A associação rede ex aequo chegou a endereçar uma carta aberta à Ordem dos Médicos em que pedia que o bastonário e a direcção da revista se pronunciassem "publicamente denunciando as afirmações de William Clode e contrariando qualquer tipo de homo, bi e transfobia".

O médico João Ribeiro escreve, como contraponto, na última edição da Revista da Ordem dos Médicos que "não se trata de um artigo de opinião, mas de um artigo de discriminação dirigida a gays e lésbicas e cujos conteúdos são comentários bárbaros, ignorantes, arbitrários e sem qualquer fundamento científico ou sequer argumento racional". Já a psiquiatra Ana Matos Pires, noutro artigo de opinião, questiona a direcção da Revista da Ordem dos Médicos (ROM): "Seria publicável, no espaço de opinião da ROM, um artigo que advogasse a paragem de toda e qualquer terapêutica médica no tratamento da doença oncológica e, em sua substituição, o recurso à ingestão da primeira urina da manhã do próprio doente, por exemplo? Quero acreditar que não." Ana Matos Pires sustenta no mesmo texto que "a liberdade de expressão implica responsabilidade e a ausência de censura não desresponsabiliza as direcções de publicações daquilo que nelas é publicado, tão pouco as desobriga de razoabilidade".

No início de Março, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, considerou "normal" a publicação na Revista da Ordem do texto de opinião de William H. Clode, considerando tratar-se de um direito que não pode ser censurado em democracia, pelo que se recusou a dar uma opinião pessoal sobre o tema. A mesma revista identificava William H. Clode como Chefe de Serviço Hospitalar do Instituto Português de Oncologia (IPO), um cargo que entretanto desmentido pelo próprio IPO. Tal como o dezanove avançou, William Henry Clode, que é especializado em radioterapia, tem, na realidade, um consultório médico no Carregado (arredores de Lisboa).