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IndieLisboa: “O Céu Sobre os Ombros” - o nosso pior inimigo somos nós mesmos

A vida de cada um de nós é um grande e imenso tabuleiro de xadrez, cheio de jogadas complexas e decisões difíceis sem retorno. É todo este peso ou esta leveza que cada um de nós carrega sobre os próprios ombros.

Em “O Céu Sobre os Ombros” o que cada um dos três personagens principais carrega é o céu. O belo céu de Belo Horizonte. Navegando entre o documentário e a ficção, este docu-drama centra-se no retrato real de três pessoas à beira do seu limite. Onde estes actores, da vida real, se interpretam a si próprios. E onde a câmara, que explora as suas vidas, é uma mera intrusa no seu quotidiano.

A primeira longa-metragem do brasileiro Sérgio Borges é ao mesmo tempo um filme a descobrir e um incómodo visual, pois nós espectadores invadimos a vida daquelas três pessoas e nem sequer podemos intervir.

Lwei (Lwei Bakongo), um escritor congolês com pensamentos suicidas, incapaz de cortar com o seu papel como pai, luta permanentemente consigo mesmo por mais e melhor.

Evelyn (Everlyn Barbin), uma prostituta transexual que busca incessantemente a sua identidade sexual, por um lado, cerebralmente, nos textos de Foucault, Freud e Butler e, por outro lado, fisicamente, pela efemeridade do sexo pago.

Murari (Murari Krishna), um artista grafiti operador de telemarkting hare krishna, vagueia sem destino pela cidade, incapaz de definir as coisas para si.

Um docu-drama de realismo cru, subjectividade emocional e contínua auto-destruição que só prova que o nosso pior inimigo somos nós mesmos. Em Novembro de 2010 o filme venceu 5 prémios no 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, melhor filme, melhor realização, melhor montagem (Ricardo Pretti), melhor argumento (Manuela Dias e Sérgio Borges) e o prémio especial do júri para os seus personagens-actores.

A exibição do filme ontem ao final da tarde no IndieLisboa’11 no Pequeno Auditório da Culturgest contou com a presença do realizador mineiro. Na próxima sexta-feira, 13, “O Céu Sobre os Ombros” volta a ser exibido às 19h, desta vez no Grande Auditório da Culturgest. Esta exibição também deverá contar com o realizador Sérgio Borges.

 

3 estrelas em 5

 

Luís Veríssimo