Já está a circular o vídeo que promove a marcha do orgulho LGBT de Lisboa, marcada para o dia 19 de Junho. O dezanove foi falar com o autor do vídeo, SafeLight, membro da rede ex aequo, que de forma espontânea decidiu criá-lo. SafeLight explicou o conceito por detrás desta acção: "A ideia base é fazer 'vídeo-activismo' LGBT em português através do blogue www.PortugaLGBT.blogspot.com e do respectivo canal www.youtube.com/safiralima. A principal motivação vem do trabalho que a rede ex aequo faz pela auto-estima dos jovens LGBT portugueses", referiu ao dezanove, adiantando ainda que "as reacções têm sido óptimas, as pessoas vêem no vídeo um pedaço da história recente de Portugal e penso que isso as inspira a participarem na XI Marcha do Orgulho LGBT, em Lisboa".
Foi publicado hoje em Diário da República a legislação que autoriza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A lei nº 9/2010 refere que o casamento é agora entendido como “o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código”. Recorde-se que a lei que alargou o casamento civil foi aprovada a 11 de Fevereiro e promulgada pelo Presidente da República, após uma comunicação em directo ao país, a 17 de Maio. O primeiro-ministro José Sócrates dedica parte do dia ao assunto. O almoço que contou entre os convidados, segundo o Diário Económico, com Miguel Vale de Almeida, deputado do PS, Pedro Zerolo, do espanhol PSOE, Evelyne Paradis da Ilga Internacional, Sara Martinho, vice-presidente da Ilga Portugal, António Serzedelo, presidente da Opus Gay, Bárbara Pires, presidente da rede ex aequo e Andreia Pereira igualmente da direcção rede ex aequo. O final da tarde será reservado para a apresentação do livro "Uma Lei Para Todos". A apresentação do livro vai decorrer no Museu do Oriente, em Lisboa, a partir das 19h30. O livro, da responsabilidade do Partido Socialista, apresenta textos de vários autores da área do partido do governo e pretende contar o percurso da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Recorde-se que a questão do casamento é apontada como uma razão para a apresentação de um candidato presidencial que dispute o território da direito a Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais.
José Sócrates estará hoje presente na apresentação do livro "Uma Lei Para Todos", que vai decorrer no Museu do Oriente, em Lisboa, a partir das 19h30. O livro, da responsabilidade do Partido Socialista, apresenta textos de vários autores da área do partido do governo e pretende contar o percurso da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que foi promulgada pelo Presidente da República no passado dia 17 de Maio. Recorde-se que a questão do casamento é apontada como uma razão para a apresentação de um candidato presidencial que dispute o território da direito a Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais.
O presidente do Malawi acaba de dar ordem de libertação imediata ao casal homossexual condenado a 14 anos de prisão, informou a BBC News há momentos.
Dois membros da associação para os direitos homossexuais no Zimbabué aguardam julgamento em liberdade depois de pagarem uma fiança de cerca de €167 cada um. A média salarial no país, onde existem mais de 80% de desempregados e uma inflação galopante, ronda os 29 euros para trabalhadores não especializados. Os activistas, segundo a BBC, são acusados de posse de material pornográfico e de insultarem o presidente Robert Mugabe, que considerou os parceiros do mesmo sexo “abaixo de cães e porcos”. O julgamento foi marcado para o dia 10 de Junho quando os dois activistas poderão ter de pagar uma multa ou ter de cumprir pena de prisão.“Os políticos aprovaram o casamento gay. Nem todos estão de acordo com a aprovação da lei. O Zezinho paneleiro casou com o Manuel das tricas. E convidaram a família, os amigos e os maricas. Um casamento panasca com muita animação.” Este é uma das passagens da música Casamento Gay de Quim Barreiros, que integra no novo álbum Deixa-me Chutar e que está a gerar várias críticas entre a comunidade LGBT.
Ao Correio da Manhã o cantor referiu que desconhece o significado das palavras “homossexual” e “homofóbico”, mas, continuou, “sei o que é um paneleiro. E fiz uma cantiguinha usando o português corrente, porque o meu público não vai à Gulbenkian”.
Paulo Jorge Vieira, da associação Não Te Prives, considerou, em declarações ao JN, que “este é um registo de um cantor profundamente sexista, que usa palavras que são claramente usadas como fonte de discriminação contra a qual lutamos”. Também João Carlos Louça, activista das Panteras Rosa, considerou ao JN que Quim Barreiros “acrescenta ao extremo sexismo de composições anteriores, a homofobia mais primária, no mau gosto de sempre. Ele próprio tenta vender um estereótipo de macho latino boçal, que nada corresponde à percepção que hoje o conjunto da sociedade tem dos temas da igualdade e dos direitos humanos”.
No YouTube, sucedem-se os comentários homofóbicos à canção. É o caso do utilizador do YouTube bynia6, que escreveu: “Grande som pós gays! ponham este som a tocar no vosso suposto casamento! vocês são anormais deus criou nos para termos mulher! Doentes.” (sic)
Manuel Magalhães, coordenador do Núcleo LGBT da Amnistia Internacional, aponta em entrevista ao dezanove quais os países onde se registam as maiores violações de direitos humanos entre as populações LGBT. No topo das preocupações estão os países que condenam com pena de morte as “práticas homossexuais”, mas como refere Manuel Magalhães, em “Angola, S. Tomé e Príncipe e Moçambique, apesar de nem todos eles especificarem o crime de 'práticas homossexuais', são vulgares as práticas de internamento e de abusos físicos de todo o tipo por parte das autoridades contra a população LGBT”. O Núcleo da Amnistia Internacional vai participar na Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa no dia 19 de Junho.
Como surgiu a ideia de criar um núcleo LGBT dentro da Amnistia Portugal?
Surgiu no seguimento de uma preocupação da Amnistia Internacional, que data já de há cerca de 20 anos, de se preocupar com os direitos da população LGBT e com a discriminação a que são, de várias formas e em vários contextos, sujeita. Há alguns anos que a Amnistia Internacional tem vindo a defender que os direitos das minorias sexuais são, igualmente, direitos humanos. Reconhecemos que é nossa responsabilidade defendê-los.
Que actividades têm desenvolvido desde então?
Durante dois anos (de 2007 a 2009) o Núcleo LGBT esteve inactivo, tendo sido reactivado no ano passado, na altura da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa. Desde então, neste curto período de existência, a nossa acção tem sido marcada por duas vertentes essenciais. Por um lado, temos necessidade de nos dar a conhecer, de angariar pessoas, porque sem uma boa equipa muito dificilmente conseguiremos pôr em prática uma defesa efectiva dos direitos LGBT. É nesta vertente que se enquadra a nossa participação nas Marchas de Lisboa e do Porto, no Arraial Pride (Lisboa) e no Arraial do 25 de Abril. Uma outra vertente, aquela que, no futuro, queremos que seja a principal, diz respeito à consciencialização das pessoas para a constante violação dos direitos humanos.
O que é feito nesse sentido?
É aqui que se enquadram as nossa petições, acções de rua (como a que recentemente levámos a cabo no Dia Internacional da Luta contra a Homofobia), debates e a o recente envio de dois participantes ao Baltic Pride (Lituânia), numa tentativa de ajudar a organizar e concretizar uma comemoração do Orgulho LGBT que é sempre extremamente complicada.
Quais os países que figuram na lista negra na Amnistia Internacional, no que diz respeito aos direitos LGBT?
Em primeiro lugar, figuram aqueles que respondem com a pena de morte às “práticas homossexuais” (Mauritânia, Sudão, Somália, Arábia Saudita, Irão, Afeganistão, alguns estados da Nigéria, entre outros). Por duas razões: porque recorrem à pena de morte (contra a qual a Amnistia Internacional vem lutando há já várias décadas) e porque punem uma expressão da liberdade individual, situação contra a qual nos posicionamos intrinsecamente contra. Estamos, igualmente, atentos a todos os outros países do mundo, nomeadamente localizados em África e no Médio Oriente, que punem, ainda que não com a pena de morte, a homossexualidade. E a nível europeu? As secções europeias da AI têm, ultimamente, estado muito preocupadas com a violação dos direitos da população LGBT nos países europeus, nomeadamente nos três países do Báltico, Polónia, Roménia, Hungria, Sérvia, entre outros. Sobretudo naquilo que diz respeito aos que pertencem à União Europeia é inaceitável que não se possa, sequer, organizar uma Marcha do Orgulho LGBT em segurança.
Existe algum país lusófono que mereça referência pela negativa?
Angola, S. Tomé e Príncipe e Moçambique, na medida em que, apesar de nem todos eles especificarem o crime de “práticas homossexuais”, são vulgares as práticas de internamento e de abusos físicos de todo o tipo por parte das autoridades contra a população LGBT.
O que é que uma pessoa comum pode fazer para ajudar a Amnistia nos assuntos que estejam ligados com a comunidade LGBT de outros países?
Em primeiro lugar, se tiver disponibilidade, vontade (e coragem) pode juntar-se a nós, enquanto membro do Núcleo LGBT da AI Portugal. Para tal deve-nos enviar um email para lgbt.amnistia@gmail.com. Não tendo tempo para uma colaboração tão regular, poderá inscrever-se na nossa lista de voluntários, recebendo um email sempre que precisarmos do seu contributo para a realização de alguma acção. Em qualquer caso, poderá sempre assinar as petições que vamos apresentando. Já agora, aproveitava para lançar o repto a todos e a todas para se juntarem a nós na participação da Amnistia Internacional na Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa no dia 19 de próximo mês de Junho.
Mais um ano, mais um mês de Maio, mais uma capital europeia, e eis o Festival Eurovisão da Canção em full swing! Considerado o maior espectáculo musical do mundo, o “ESC” (Eurovision Song Contest) tem crescido nos últimos anos: 39 países participam desta vez (no ano passado foram 43 mas alguns países desistiram de participar devido a pressões financeiras). A popularidade do Festival também aumenta: cada vez há mais sites e fóruns onde se discute o “ESC” (entre eles o esctoday.com e o eurovision.tv; em Portugal o escportugal.pt.vu, festivaistv.home.sapo.pt e ogaeportugal.com entre outros) e este ano prevê-se entre 125 a 150 milhões de telespectadores. Legiões de fãs estendem-se até aos Estados Unidos e a Austrália. O festival é, aliás, transmitido na Austrália e na Nova Zelândia.
Ontem foi o primeiro momento alto desta Eurovision Week. Por muito estranho que possa parecer a nós eurofãs, há muita gente que não sabe que o “ESC” inclui agora duas semifinais. Ontem desenrolou-se a primeira semifinal, e a Filipa Azevedo com Há Dias Assim, conseguiu ser uma das dez a passar à final, marcada já para este sábado.
Portugal soma três passagens consecutivas à final, depois de uns anos em que se ficou pela semifinal. Com o coração nas mãos esperei para ver o nome ‘Portugal’ sair de um dos envelopes contendo o nome dos dez países mais votados. Sábado, Portugal junta-se aos 10 países que vão ser seleccionados na segunda semifinal, amanhã dia 27, e a mais outros cinco países. Que países são estes? A Noruega, porque venceu o ano passado, e os Big 4 que têm sempre presença garantida na final porque são quem mais contribui financeiramente para o evento: Alemanha, Espanha, França e Reino Unido. As performances que mais se destacaram ontem à noite foram a da Rússia, não muito popular entre os eurofãs mas que mesmo assim se qualificou, a da Eslováquia com as suas vestimentas esverdeadas a fazerem lembrar bosques encantados (não qualificada), a da Polónia com um misto de folclore e surrealismo (não qualificada), a de Portugal que foi talvez a melhor performance e interpretação da noite, a da Sérvia com muitos saltos e urros compostos pelo famosíssimo Goran Bregović (qualificada), e a da Bielorrússia cujas escolhas de guarda roupa talvez a tenham ajudado a passar à final: vestidos de onde saíram asas de borboleta. Aliás, asas não faltaram. Pelo caminho também ficou a pérola da canção maltesa e o seu assustador dançarino alado. As canções favoritas para vencer o festival este ano são o do Azerbeijão, grande favorita com o seu Drip Drop, a da Alemanha que finalmente envia um fabuloso Satellite e da Arménia com o seu muito pouco vitaminado Apricot Stone. A minha favorita, e de muitos muitos eurofãs é o do israelita Harel Skaat com a canção Milim (palavras). Os sites de apostas põem estas quatro canções nos seus tops de apostas.
O percurso da Filipa Azevedo até chegar a Oslo não foi fácil: a canção foi seleccionada por um misto de televoto e júri e enquanto Há Dias Assim foi a favorita do júri, a escolha do televoto reverteu para Canta Por Mim, com Catarina Pereira. Por toda a Europa os eurofãs lamentaram a escolha dos portugueses mas ontem Filipa Azevedo provou merecer o lugar em Oslo com uma performance arrebatadora. Parabéns Filipa, e até sábado!
Fredericos Matos a caminho de Oslo
Jake Shears, vocalista dos Scissor Sisters, quase que tirou a roupa na produção fotográfica da mais recente edição da revista francesa Têtu, onde fala sobre si de uma forma descomplexada. “Saí do armário muito cedo, por volta dos 15 anos. Para mim nunca foi uma crise existencial. Os meus pais e amigos sabiam que eu tinha namorados. Era como ter um chapéu diferente, nada mais”, relata. Shears está também a promover o álbum Night Work, que será lançado em Junho e que tem a capa uma fotografia tirada por Robert Mapplethorpe. “É um rabo sublime e nem é preciso ser gay ou hetero para o constatar. Além disso, é um rabo com história, pertence ao dançarino prodigioso Peter Reed, um rapaz sublime que morreu nos anos 90”, descreve.