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Vale a pena ver Eu Amo-te Phillip Morris?

Eu Amo-te Phillip Morris (I Love You Phillip Morris), escrito e realizado por John Requa e Glenn Ficarra, baseado no livro I Love You Phillip Morris: A True Story of Life, Love, and Prison Breaks do jornalista Steve McVicker, conta a história verdadeira de Steven Russel (Jim Carey), um homem que se esforçou para ser um bom cristão, um bom pai de família e um bom marido. Até ao dia em que, depois dum acidente de automóvel, decide assumir a sua homossexualidade. Parte para a Florida em busca da sua felicidade, onde encontra um namorado, Jimmy Kemple (Rodrigo Santoro). Para suportar o seu idílico e esbanjador estilo de vida, Steven arranja um esquema de pedidos de indemnizações. Burlas essas que o levam à prisão. Aí conhece Phillip Morris (Ewan McGregor) por quem se perde de amores. Mas para um burlão e mentiroso convicto, que não sabe realmente quem é, será difícil deixar essa vida de lado e entregar-se apenas ao amor.
Fazer um filme com Jim Carey acarreta alguns problemas, pois o mestre nas carantonhas de expressão cartoonesca já explorou até à exaustão o filão. Será possível Carey fazer comédia sem ser uma cópia de si mesmo? Mais uma vez Carey mostra que continua preso às personagens tipo que lhe deram fama. Apesar deste Eu Amo-te Phillip Morris provar que o actor anda a trabalhar para isso, ainda não o conseguiu como fez em The Truman Show (1998, Peter Weir), por exemplo. Esta estreia na realização dos argumentistas John Requa e Glenn Ficarra foi muito ambiciosa, mas fica aquém das expectativas. Não é fácil contar a história de Steven Russel, pois joga com o facto de o personagem ser burlão, mentiroso, impostor, homossexual, talvez vítima dos valores excessivos da era W. Bush, que faz tudo o que faz por amor, mas que nunca chega a saber quem realmente é. A obra não chega nunca a ser um filme bandeira LGBT, como secretamente os realizadores quereriam. Apesar de a homossexualidade ser apresentada com alguma naturalidade, talvez até seja esse o problema: a excessiva naturalidade, pois a homossexualidade chega a ser ridicularizada e as três personagens homossexuais masculinas retratadas tendem a ser vistas como meros bonecos. Nas interpretações o destaque vai para Ewan McGregor e Rodrigo Santoro. McGregor apesar da personagem-caricatura agarra o papel com grande mestria, provando que é um actor de uma grande versatilidade. Santoro mostra que a sua carreira em Holywood tem pernas para andar compondo o mais bem conseguido gay dos três retratados.
O objectivo dos realizadores era ambicioso, falharam no que pretendiam retratar: a vida real dum burlão homossexual, com laivos de thriller no género pré-formatado da comédia romântica.

Veredicto: 2 estrelas em 5

Luís Veríssimo

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