
A premissa é simples: diversão. Seis rapazes e uma rapariga trouxeram um novo conceito de festa às noites de Lisboa. São eles Pedro Figueiredo, João Gaspar, Diogo da Cunha Matos, António Magalhães, Nuno Lira, André Murraças e Mariana Afreixo. Como pista de dança o bar Etílico, no Bairro Alto, que desde Junho tem estado a abarrotar com adeptos seduzidos pelos vídeos que a família Conga produz. O dezanove foi falar com os protagonistas e perceber o que está por detrás destes originais argumentos.
dezanove: Onde se foram inspirar para fazerem as festas Conga Club?
Pedro Figueiredo: O Conga Club surgiu de uma vontade comum. Das muitas vezes que o Diogo, o João, o António, o Nuno e eu saímos à noite em Lisboa achamos que o conceito nocturno é todo muito semelhante, é monótono e falta-lhe boa disposição e irreverência. Sabemos também que isso acaba por ser uma consequência do estilo de música que se toca e da falta de criatividade na animação. No entanto estivemos à espera da desculpa perfeita para passar das palavras aos actos. Então cerca de duas semanas antes do meu aniversário, em Junho passado, propus-lhes organizarmos a que viria a ser a primeira festa.
Foi então esse o ponto de partida.
Precisávamos que um nome, e dentro de várias sugestões optámos pelo Conga, em alusão ao tema da brasileira Gretchen - da que o Nuno tem um t-shirt que um amigo lhe trouxe do Rio de Janeiro. A própria história da Gretchen inspirou-nos, pela feminilidade exacerbada das suas actuações, pelo seu activismo na luta contra a discriminação sexual e da quebra de tabus numa sociedade brasileira ainda muito conservadora. Depois falámos da nossa ideia à Ana Galvão do Etílico, que tinha todos os factores que nós procurávamos num espaço: era no centro de Lisboa - mais central que o Bairro Alto não existe - e é um bar que fica fora do actual ponto efervescente da noite do Bairro. Pareceu-nos o casamento perfeito. Por sugestão do Diogo decidimos convidar a Mariana - uma amiga nossa de inegável talento - para uma performance ao vivo em cada uma das nossas noites e o André Murraças (também conhecido por DJ Andy Punch) para ficar encarregue da música. Assim acabou por ficar composto o quadro da família Conga.

Entre o vosso trabalho e o estudo conseguem arranjar tempo suficiente para as gravações dos videoclips que já estão a fazer sucesso no YouTube. Divertem-se muito nas gravações? Como nasce o argumento de cada videoclip?
Pedro Figueiredo: Cada um de nós tem o seu trabalho que nos ocupa grande parte do nosso dia, portanto esse é sem dúvida um dos nossos grandes desafios. Mas parte da nossa diversão começa aí mesmo, nos vídeos que fazemos para lançar o mote da próxima festa. O Conga Club deixa de ser apenas mais uma noite, e passa a ser a nossa marca, a nossa identidade. E enquanto grupo funcionamos muito bem, e os vídeos acabam por fazer passar aquilo que nos define enquanto pessoas: divertidos e descontraídos. Cada vídeo nasce de um tema do qual gostamos e reinterpretamos à nossa maneira. Há um ligeiro brainstorming e um pequeno argumento do qual partimos, mas depois de eu pegar na câmara nunca sabemos como as coisas acabam. Achamos que demasiadas regras acabariam por nos castrar a criatividade e isso é precisamente aquilo que não queremos. Há ainda que dizer que por detrás de nós temos um grupo de amigos formidáveis sempre dispostos a participar ou a colaborar em cada um dos vídeos.
Mariana, a inevitável questão: como tem sido ser uma mulher entre homens?
Mariana Afreixo: Em termos gerais, o facto de sermos todos diferentes uns dos outros - e não só a diferença homem-mulher - enriquece o que fazemos. Torna o Conga um verdadeiro "batido" das nossas identidades. No que diz respeito a ser a única mulher, não é uma coisa que faça grande diferença na maneira de nos relacionarmos. Há momentos em que me sinto "one of the guys" e outros em que me sinto a "menina" deles.
Como tem sido a receptividade às festas?
Mariana Afreixo: A receptividade tem sido muito boa, rápida e o feedback é positivo. As pessoas percebem que a nossa onda é divertirmo-nos e também se divertem com isso, entram na nossa frequência rapidamente. Alguns de nós já foram abordados na rua: perguntaram ao Pedro e ao Diogo se eles eram os rapazes do Conga. Comigo aconteceu precisamente o contrário: um amigo que não via há algum tempo foi a uma das festas, deu de caras comigo e perguntou o que é que eu estava ali a fazer, vestida daquela maneira. Já temos histórias para contar: a melhor é a da nossa fã vestida de renda. Se quiserem saber, vão à próxima festa que nós contamos.
Já existem temas e datas para as festas que se avizinham?
Pedro Figueiredo: Costumamos dizer que mal terminamos um Conga Club começamos de imediato a pensar na próxima. Propomo-nos sempre a algo diferente da anterior, a começar pelo tema, passando pelo vídeo e terminando na performance da Manana International (Mariana) ou de um qualquer convidado especial. Somos muitos e ideias não nos faltam! E o mais importante é que temos sentido o feedback das pessoas, quer quando enchemos o Etílico até à rua, quer quando alguém que não conhecemos nos vem dar os parabéns pela festa. O Etílico "adoptou-nos" e nós sentimo-nos em casa. Neste momento estamos já a preparar a próxima festa para o final deste mês, mas a data, o tema e o vídeo vão sendo desvendados através da nossa página do Facebook.
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