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Entrevista à presidente da AMPLOS: O que se pode fazer pelos pais e pelos filhos LGBT?

Foi há uma semana mediatizado o caso do pai que quis entregar o filho menor numa esquadra de polícia, depois de o ter seguido até um estabelecimento nocturno de diversão, no Porto, frequentado maioritariamente pela comunidade homossexual. O caso suscitou inúmeras  reacções e é o ponto de partida para abordar o tema das relações entre pais e filhos LGBT.

 

Como é ser pai ou mãe de um filho ou filha homossexual em Portugal?

Que mecanismos existem e como ultrapassar as dificuldades que pais e filhos enfrentam no processo de coming out?

São algumas das questões para que procuramos respostas na entrevista a Margarida Faria, presidente da Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual, a AMPLOS:

 

dezanove: O caso de um pai que na semana passada segue um filho de 15 anos até um estabelecimento nocturno de diversão no Porto revela uma preocupação pela idade do menor. Porque se torna também relevante salientar a alegada orientação sexual do menor nesta história?

Margarida Faria: A visibilidade da homofobia é fundamental para a sua contestação. Se não são divulgados casos e actos de discriminação,  estas situações mantêm-se na sombra e não surgem as respostas e recursos para as combater. Penso que é porque muita gente sabe que existem casos de pais que rejeitam os filhos que se sentiu a necessidade de divulgar a notícia. No entanto, no presente caso, provavelmente  houve alguma precipitação na sua divulgação. Deveria ter sido dada a este pai a possibilidade de relatar ao jornalista a sua versão dos factos. Os pais chegam à AMPLOS e relatam livremente as suas histórias, descrevendo os seus sentimentos, nem sempre mais adequados. Seríamos os últimos a julgar a actuação deste pai sem o ouvir em primeira mão.

 

Que reacções chegaram à AMPLOS sobre este caso?

Soubemos que geraram conversas nalgumas famílias. Uma mãe relatou que na sequência desta notícia o namorado do filho disse que se o pai soubesse teria feito muito pior, e nem seria notícia. Essa mãe claro ficou extremamente preocupada.

 

Como lê a homofobia, a alegada orientação sexual do menor e a aparente falta de diálogo nesta família?

Não me sinto habilitada a falar desta família. A falta de diálogo das famílias, em geral, é obviamente muito preocupante. Os pais podem viver décadas, ou uma vida inteira, sem saberem da orientação homossexual de um filho. Outros optam por não falar do assunto criando no filho um sentido de mau-estar e de não ser suficientemente amado muito prejudicial para a sua auto-estima e para o seu desenvolvimento pessoal.

 

Partindo da experiência da AMPLOS no terreno, relatos de pais que querem dispensar a custódia dos filhos pela alegada orientação sexual ou de filhos LGBT que saem em conflito da casa dos pais são ainda comuns no nosso país?

Não temos essa experiência na AMPLOS. Os pais que nos procuram não nos chegam nessa situação. Mas temos testemunhado situações de profundo desgosto pela orientação sexual dos filhos, situações de difícil comunicação dentro das famílias, medo de revelação mesmo entre pai e mãe ou pais e irmãos, mas que melhoram e até chegam a resoluções muito positivas na sequência da participação nos encontros de pais que organizamos.               

 

O que pode a AMPLOS fazer pelos pais e pelos filhos LGBT que ainda não se sentem à vontade para abordar o tema da orientação sexual?

A AMPLOS está disponível para todo o tipo de abordagem mais individual ou em grupo. Há pais que preferem vir ter connosco pessoalmente e referem precisamente essa dificuldade. Basicamente ajudamos a superar os problemas de comunicação a partir do nosso exemplo, ouvindo, sem julgar, acompanhando o processo após termos estabelecido uma relação.

 

E quando os conflitos ultrapassam o âmbito de trabalho da AMPLOS, que funciona e regime de voluntariado, onde podem filhos, pais e educadores recorrer?

Quando sentimos que os pais precisam de apoio especializado tentamos encaminhá-los para alguns recursos que sabemos existirem.  Uma das portas em que confiamos é a Linha LGBT da ILGA.

 

Este caso entre o pai e o filho de Valadares (V. N. de Gaia) teve várias repercussões nas redes sociais. Num fórum brasileiro sugeria-se que os gays de Valadares se unissem e defendessem o jovem. O que é que a AMPLOS sugere que os homossexuais de Valadares, e de outras pequenas localidades, façam para ultrapassar os problemas no seu processo de coming out?

A AMPLOS ofereceu imediatamente ao Comando da Polícia Municipal do Porto - que está na posse dos contactos deste pai - o seu apoio para o ajudar. Foi isso que achámos que com a nossa especificidade deveríamos fazer. Penso que cada organização deverá em situações semelhantes encontrar formas de ajudar. Como em todas as situações delicadas deve-se ter todo o cuidado na forma de chegar quer ao pai, quer ao filho, para que o apoio seja eficaz.

 

Vê tudo o que o dezanove já escreveu sobre a AMPLOS aqui.

 


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