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“Há muitas crianças a precisar de um lar e muitos casais de gays e lésbicas com amor para dar”

Trata-se da mais importante conferência sobre parentalidade das famílias arco-íris jamais realizada no nosso país. A conferência “Famílias no Plural: alargar o conceito, largar o preconceito” tem lugar durante todo o dia de hoje no grande auditório do ISCTE – IUL, em Lisboa e conta com a presença de relevantes especialistas nacionais e internacionais.    

 

O dezanove falou com uma das vozes mais destacadas a nível mundial na matéria. Charlotte J. Patterson, professora do Departamento de Psicologia no Centro para Crianças, Famílias e Leis (Center for Children, Families, and the Law) e directora do programa interdisciplinar Estudos sobre Mulheres e Género (Studies in Women and Gender (SWAG)) da Universidade de Virginia, nos EUA, será uma das conferencistas desta iniciativa. A sua investigação tem estado focada na psicologia da orientação sexual, desenvolvimento humano e vidas familiares. Patterson tem trabalhado com crianças, adolescentes, casais e famílias e é sobretudo conhecida pelos seus estudos sobre desenvolvimento de crianças no contexto de famílias com mães lésbicas ou pais gay.

 

dezanove: Muitas pessoas estão contra a adopção de crianças por casais do mesmo sexo, porque baseiam a sua opinião no sofrimento que estas poderiam vir a ter. O que nos têm a dizer sobre isto tendo por base a sua experiência de décadas no acompanhamento e desenvolvimento de crianças em famílias compostas por casais do mesmo sexo nos EUA?

Charlotte J. Patterson: Como investigadora e psicóloga da Universidade da Virgínia fiz estudos com famílias que adoptaram: casais de lésbicas, casais de gays e casais heterossexuais. Analisamos o ambiente das crianças em casa e na escola, gravamos várias interacções em que brincavam juntos e os resultados de tudo isto mostram que as famílias estão a fazer isto muito bem, felizes e de forma bem ajustada. Esta é a principal conclusão do nosso estudo, sobretudo porque todos os envolvidos: pais, crianças e professores concordam e as provas mostram-nos isso mesmo.

Há quem diga que os casais de pessoas do mesmo sexo são diferentes dos casais heterossexuais no que respeita à atenção que dão às crianças. Os casais do mesmo sexo tendem a partilhar os papéis e a responsabilidade equitativamente por ambos membros do casal enquanto que os casais heterossexuais especializam determinadas tarefas num ou noutro membro do casal. “Se isto é relevante para as crianças?”, podem perguntar. A resposta é: “Não encontramos nenhuma diferença negativa ou positiva para as crianças."

Este estudo de que falo teve como amostra 104 famílias, 50% compostas por casais do mesmo sexo e 50% por casais heterossexuais. O estudo incluía monitorização, visitas, mas ainda queremos continuar a acompanhar estas crianças ao longo da vida, porque ainda há mais questões a estudar. O importante é que está tudo a correr bem com essas crianças.

Há muitas crianças a precisar de um lar e muitos casais de gays e lésbicas com amor para dar e esta é capaz de ser uma boa combinação.

Por último, não posso deixar de referir os meus dois colegas que colaboraram neste estudo: Rachel Farr da Universidade de Massachusetts e Stephen Forssell da Universidade George Washington, sem eles isto não seria possível.

 

Conferência Famílias no Plural:

Durante a manhã será inaugurada a exposição fotográfica “Famílias Europeias” que retrata a diversidade. Paulo Côrte-Real, presidente da associação ILGA Portugal, resume o objectivo da exposição: “é preciso visibilizar o que é invisibilizado”. A exposição estará patente até 21 de Outubro no Edifício 2 do ISCTE e tem entrada gratuita.

 

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