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Como Lisboa podia melhorar a informação para os turistas LGBT

Jan Le Bris de Kerne, que já foi jornalista do canal gay Pink TV, é também autor do blogue Lisbonne Gay, que funciona como guia para turistas francófonos que escolhem Lisboa para passar as férias. Um pretexto para conversar sobre a oferta turística da capital e o que podia ser melhorado. "Lisboa tem ouro entre as mãos", considera o jornalista que escolheu Lisboa para viver.

dezanove: És autor do Lisbonne Gay. Como vês a informação que é disponibilizada ao turista gay estrangeiro que visita Lisboa? É suficiente?

Jan Le Bris de Kerne: Em Julho, o turismo em Lisboa subiu 13%, o que mostra que nem tudo vai para o fundo em Portugal. É uma notícia óptima. No meio gay, também houve uma chegada massiva de franceses gays, entre outros. Cada ano, há mais estrangeiros que vêm cá. Há cada vez mais artigos positivos na imprensa francesa. As pessoas que já visitaram a cidade, voltam para França e divulgam Lisboa junto dos amigos. Eu criei o meu blogue sobre Lisboa gay, em francês, com fotografias e informações completas. Quando cheguei cá pela primeira vez, não tinha conseguido encontrar qualquer informação actualizada sobre a vida gay. Havia uns sites em inglês, mas eram fracos. Por isso, fiz um blogue com a informação que gostaria de ter encontrado na internet.

 

Quantas visitas tem o Lisbonne Gay?

Entre 100 e 200 visitas por dia e ultrapassou os 24 mil visitantes. Frequentemente os leitores mandam mensagens para agradecer pela fonte de informação que os ajuda a não perder tempo e encontrar os sítios certos. E quando se procura no Google por "Lisbonne gay", o blogue é o primeiro a surgir.

 

Em comparação com outras cidades europeias, o que é que poderia ser feito para melhorar essa informação?

Lisboa tem ouro entre as mãos. Mas, às vezes, é engraçado ver que a Europa toda sabe disso, menos... os lisboetas! Não sou profissional do turismo, nem nasci ensinado. Mas há várias coisas de senso comum que podem ser melhoradas. Por exemplo, o posto de turismo podia ter uma secção ou um guia gay e divulgar a informação fora do país. A Câmara Municipal podia criar no seu site, como outras cidades já o fizeram, uma parte "Vida LGBT", porque além dos bares, discotecas e saunas, há aqui boas festas pontuais, mas também o festival Queer e o Arraial Pride (nenhum outro país de Europa tem a festa de Gay Pride numa praça tão bonita à beira dum rio). O trabalho do dezanove.pt é muito útil para informar os portugueses e abri-los à vida gay exterior. O Isidro [Sousa], que faz a mapa gay que se encontra nos bares, fez um trabalho óptimo. Há um ou dois anos, surgiram várias pensões, ou guest houses gays. Eles também precisam de ajuda e são vectores de comunicação junto dos turistas estrangeiros. Os comerciantes e empresários gays podiam criar um "sindicato das empresas gay".

 

O que é mais cativante ou interessante em Lisboa para os turistas gays?

Lisboa é um tesouro que já sabe encantar os convidados. É o pequeno Brasil da Europa, é fresco como São Francisco. Para mim é como Barcelona há 10 anos. Até Lisboa tem mais potencial natural do que Barcelona. Tem praias extraordinárias, comida boa e barata, tradições e arquitectura autênticas, ao lado de coisas mais vanguardistas. Em Lisboa pode-se beber na rua e fumar dentro do bar, o que é raríssimo noutros países. E não posso esquecer-me da simpatia e da beleza dos portugueses. Esta cidade está cheia de rapazes espectaculares! No entanto, o estado dos prédios e das ruas espanta toda a gente. É muito triste porque a cidade merece muito mais. É muito complicado arranjar os licenciamentos e autorizações. A burocracia bloqueia tanta coisa. Até uns jovens que tentaram criar uma festa num palácio abandonado no Príncipe Real e que trabalharam meses nisso, viram a festa proibida pela ASAE, por causa de uma chamada anónima.

 

Trabalhaste durante um ano na Pink TV. O que fazias no primeiro canal de televisão gay?

Tive a sorte de ser escolhido para a primeira "tripulação" deste canal. Fui responsável por várias crónicas: a actualidade gay nos média, retratos dos grandes heróis gay da História (como Leonardo da Vinci ou Baden Powell o fundador do escutismo) e outras intervenções. Além disso, sempre trabalhei no meio da televisão e da imprensa.

 

Como vieste parar a Lisboa?

Vim por acaso. Não sabia por onde ir de férias. Já conhecia bem o resto da Europa. Então decidi dar um passeio neste país desconhecido. Apanhei três dias de chuva no meio de Agosto... Mas mesmo assim, depois de duas horas, senti-me tão bem nesta cidade, como se tivesse encontrado o lugar certo para mim. Paris é uma cidade mágica, mas também stressante, louca e agressiva. Estava farto desse ritmo infernal e precisava de sol, de simplicidade e de relaxar. Continuei durante dois anos a passar os fins-de-semanas e férias em Lisboa, cada vez mais triste por ter que voltar para França. Um dia, pensei: "Basta!" Arranjei o meu apartamento, amigos e um trabalho cativante no meio do humanitário. Fiz a escolha certa. Nunca me arrependi. Agora voltei a trabalhar num novo projecto, que tem a ver com o meu primeiro ofício: a imprensa.

 

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Notícia editada às 22:10

 

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