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Dois anos de aprendizagem: o que a AMPLOS aprendeu e deu a conhecer

A AMPLOS, a associação portuguesa de mães e pais que defendem a liberdade de orientação sexual comemorou este Domingo dois anos de activismo.

“Se os filhos estão nos armários é porque alguém os meteu lá. Se os pais estão nos armários é porque também alguém os meteu lá” disse Margarida Faria, a presidente da AMPLOS, esta tarde em Lisboa. Foi por causa dos “armários”, eufemismo para a falta de compreensão e aceitação da orientação sexual e da identidade de género, que várias dezenas de mães, pais, filhas e filhos e vários amigos de uma das mais recentes associações portuguesas de apoio e defesa dos direitos das pessoas LGBT se reuniram. Mas não só de “armários” se falou. Falou-se igualmente das portas, traduzidas como barreiras ultrapassadas, que se têm gradualmente aberto nos últimos dois anos a todos aqueles que têm contactado a AMPLOS.

 

Margarida Faria em conjunto com Manuel Abrantes, da associação de jovens rede ex aequo, sopraram a vela que representa a comemoração de dezenas de histórias de apoio e partilha. Mas este foi também um sopro nos novos projectos que a AMPLOS tem em mãos. Desde a presença em conferências em vários pontos do país e no estrangeiro, a projectos conjuntos com vários pais internacionais, passando pela continuidade dos já existentes: linha de apoio e encontros regulares com pais. O próximo, também em jeito de comemoração deste aniversário, mas a norte, é na tarde de 29 de Outubro, na associação cultural Cadeira de Van Gogh, no Porto.

 

Conselhos e boas práticas da AMPLOS para as mães e pais de jovens LGBT

A AMPLOS tem uma postura desde o início, e que mantém até hoje, de entender cada história pessoal como sendo única. Apenas se dão algumas indicações genéricas como: deve falar com os pais em situações calmas (e não em momentos de crise familiar), em espaços em que se sintam confortáveis, quando sentem que eles terão de algum modo disponíveis para os ouvir.

Margarida Faria acautela “não ponham as expectativas demasiado elevadas para não se desiludirem” e “pensem que se podem sentir muito aliviados no final da conversa, mas que devem ter a consciência que naquele momento são os pais que passam a sentir o peso de estar na posse daquela informação, e provavelmente a se sentir angustiados e perdidos e a precisar de apoio”. A mãe fundadora da associação continua “se necessário façam [o coming out] na companhia de um irmão ou de um amigo dos pais nos casos em que sejam expectáveis reacções menos fáceis” e sugere que os jovens “tenham à mão folhetos da AMPLOS e outros materiais que possam ajudar os pais a não se sentirem únicos no mundo e que os ponham em contacto com a AMPLOS se eles sentirem necessidade de conhecerem outros pais.”

 

O que a AMPLOS aprendeu sobre as reacções dos pais após o coming out dos filhos

“Os pais podem ter reacções de grande desorientação e até violentas e superarem-nas mais rapidamente do que seria de imaginar”, diz Margarida Faria. “Falando com os filhos também temos percebido que as reacções que deixam mais marcas são as continuadas e sem comunicação.”

 

Outras, mas não menos importantes, aprendizagens

“Nunca devemos desistir de ajudar os pais a superarem a sua negação. Já tivemos casos em que estivemos quase a desistir de dar continuidade ao contacto com os pais e quando já não acreditávamos vieram as boas notícias”, relata Margarida. “Aprendemos a contentar-nos com pequenos avanços. Somos uma porta de partilha de pequenos e grandes avanços dos pais e até dos filhos na relação com os pais. Em geral telefonam a contar a boa notícia que nós celebramos com eles porque sabemos quanto é de facto importante”.

 

O processo de revelação ou coming out pode ser desgastante, mas existem cada vez mais histórias de sucesso

Na primeira tarde não oficial de Outono, foram ouvidas várias histórias em que filhos falaram acerca do seu coming out e em que pais falaram dos momentos em que, finalmente e após vários anos, ficaram a conhecer os seus filhos. Margarida Faria estabeleceu a comparação entre os pais e as árvores que, em dada ocasião, perdem todas as folhas, mas que depois de um certo tempo voltam a germinar com toda a força.

 

As mães brasileiras pela igualdade

Nesta tarde a mãe activista portuguesa da AMPLOS não quis deixar de relembrar as mães brasileiras que viram os seus filhos serem mortos por homofobia e transfobia e que se juntaram à última marcha do orgulho gay no Rio de Janeiro em memória destes.

O movimento mães pela igualdade foi inclusive recebido pelos congressistas brasileiros com o objectivo de acelerar a legislação sobre os crimes de ódio, num país onde as mortes com motivação homofóbica têm vindo a aumentar.

Uma petição online da All Out já reuniu cerca de 30 mil assinaturas a apoiar as mães “corajosas e assumidas” e que “levantam suas vozes contra o ódio e exigem o fim da discriminação e da violência no Brasil”.

 

Paulo Monteiro

 

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