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“Florbela” estreia no Dia Internacional da Mulher

«Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: aqui... além...

Mais Este, Aquele, o Outro e toda a gente...

Amar! Amar! E não amar ninguém!»

 

 

Esta quadra de Florbela Espanca pertencente ao seu soneto "Amar" é reveladora da grandeza e da nobreza desta poetisa que viveu e amou de forma amargurada. Florbela era uma mulher incomum, à frente do seu tempo, um dos vultos mais importantes da poesia portuguesa do século XX. Nascida a 8 de Dezembro de 1894, com uma vida riquíssima, cheia de encantos e desencantos, amores e desamores, casou três vezes, a morte do irmão desfez-lhe o coração, chegou a estar num convento, foi considerada louca e suicidou-se no mesmo dia em que nasceu, tinha apenas 36 anos de idade e deixou uma obra vasta, rica e extraordinária.

Como passar para o cinema a vida e obra desta mulher tão apaixonada e apaixonante? Foi a este desafio que o realizador e argumentista Vicente Alves do Ó se auto-propôs. O jovem cineasta que o ano passado nos presenteou com a sua primeira longa-metragem, "Quinze Pontos na Alma" (2011), confirma com este "Florbela" (2012) que é um caso sério no panorama cinematográfico português. Este biopic, é aliás, a primeira adaptação para cinema da vida de Florbela Espanca. O filme tem todos os ingredientes para se tornar um fenómeno entre espectadores e crítica.

 

Num Portugal atordoado pelo fim da I República, Florbela (Dalila Carmo) separa-se de forma violenta de António (José Neves). Apaixonada por Mário Lage (Albano Jerónimo), refugia-se num novo casamento para encontrar estabilidade e escrever, mas a vida de esposa na província não é conciliável com sua alma inquieta. Não consegue escrever nem amar. Ao receber uma carta do irmão Apeles (Ivo Canelas), oficial da Aviação Naval e de licença em Lisboa, Florbela corre em busca de inspiração perto da elite literária que fervilha na capital. Na cumplicidade do irmão aviador, Florbela procura um sopro em cada esquina: amantes, revoltas populares e festas. O marido tenta resgatá-la para a normalidade, mas como dar norte a quem tem sede de infinito?

 

O filme segue a história de Florbela no período de crise literária, em que deixou de conseguir expressar-se através da escrita, por altura da morte do seu amado irmão Apeles, cujo hidroavião se despenhou no rio Tejo. Florbela tem que escrever. Florbela precisa escrever. Florbela não vive sem escrever. É este retrato íntimo de Florbela Espanca que vemos, não de toda a sua vida cheia de sofrimento, mas de um momento no tempo, em busca de inspiração, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente. A película estreia esta quinta-feira, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

 

 

Luís Veríssimo

 

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