Terça-feira, 19 de Junho de 2012

Ucrânia 2012: Há mais para além do campeonato europeu de futebol

Ter, 19/06/12

Alguns espectadores do último jogo entre a Holanda e a Alemanha demonstraram a sua solidariedade para com a comunidade LGBT ao apoiarem uma activista lésbica durante as celebrações do Euro 2012 em Kharkiv.

Vários activistas dos Direitos Humanos tinham-se mostrado preocupados com a segurança dos fãs LGBT que estão a assistir ao Europeu de Futebol na Polónia e Ucrânia devido aos frágeis direitos da população LGBT nestes países. A Amnistia Internacional chegou inclusive a desaconselhar a viagem até aos países anfitriões.

Contudo, Clare Dimyon, uma lésbica britânica e activista do Pride Solidarity que recebeu uma condecoração da Rainha Isabel II pelo seu trabalho com pessoas LGBT nos países da Europa de Leste, encantou os fãs holandeses quando, na passada quarta-feira, se juntou à marcha dos adeptos da equipa “laranja”, que decorria no centro da cidade, exibindo orgulhosamente uma bandeira do arco-íris. Vestida de Sta. Georgina – uma paródia a S. Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra – com um dragão de pelúcia e acompanhada das mascotes do Euro 2012, Slavek e Slavko, também vestidos com as cores do arco-íris.

Após a forma calorosa como foi recebida em Kiev, Dimyon declarou estar muito comovida com a resposta positiva das pessoas que gritavam “Direitos Humanos para todos os ucranianos” e “Inglaterra adora a Ucrânia”. Muitos dos espectadores queriam tirar uma foto com a bandeira arco-íris, o que na opinião de Clare, é um sinal de que muitos ucranianos apoiam os direitos LGBT.

Numa acção completamente distinta, o grupo “All Out” está a fazer uma campanha contra o projecto de lei da “propaganda” que está neste momento a ser discutida no parlamento ucraniano. O projecto de lei, análogo ao passado em S. Petersburgo (Rússia), tem como objectivo proibir qualquer informação relativamente às questões gays, lésbicas, bissexuais e sobre transexuais penalizando os direitos humanos da comunidade LGBT na Ucrânia.

A primeira marcha do Orgulho LGBT que iria ter lugar em Kiev foi cancelada a 20 de Maio devido a ameaças de violência da Extrema Direita. As imagens do momento que se seguiram à informação do cancelamento da marcha correram o mundo depois de um dos organizadores do evento, Svyatoslav Sheremet, da associação Gay Forum, ter sido violentamente agredido.

 

Lúcia Vieira


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