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Série “Lx Menina e Moça” à procura da internacionalização (com vídeo)

O casting começou em 2010. Participaram cerca de 240 pessoas. Saíram alguns artigos na imprensa e a história continua a despertar curiosidade dos fãs que aguardam rapidamente a série nos ecrãs. Mas ainda nenhum canal de televisão português ou produtora quis comprar a série. O dezanove.pt quis perceber com a realizadora Zara Pinto o que se passa com a sua “Lx Menina e Moça”, a série que quer revolucionar a TV em Portugal.

 

“Lx Menina e Moça” baseia-se na vivência real de pessoas LGBT na sociedade portuguesa, mais concretamente em Lisboa. Pretende trazer factos verídicos à televisão em forma de ficção para que haja maior credibilidade e maior aceitação do público perante histórias reais, contudo ficcionadas. A sinopse classifica-a mesmo de uma “L Word” em português. Ao mesmo tempo trata-se de uma série informativa e de entretenimento para todo o tipo de jovens: lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e heterossexuais entre os 18 e os 30 anos e com uma função educativa junto do público: desenvolver o conhecimento geral para uma melhor aceitação de uma minoria.

 

dezanove: Como resumirias o enredo de “Lx Menina e Moça”?

Zara Pinto: É uma série que vai ao encontro do que existe dentro de cada um de nós... Que propõe uma forma diferente de pensar.

São 8 histórias, são 8 mulheres, são 8 vidas diferentes que se cruzam ao longo dos episódios.

Cada uma tem algo pessoal para resolver independentemente da história que partilha com o resto das personagens.

Tentei criar conflitos pouco explorados e pensar neles inseridos na nossa realidade. É claro que há conflitos que são inevitáveis, mas houve uma preocupação para se criar algo diferente.

Fala-se de homofobia mas não de uma forma que faça da personagem uma vítima, fala-se de religião, de família, do que se pensa e não se diz, de desconforto, de amor, de possibilidades, de mudanças... fala-se.

Não quero de todo erguer "bandeiras" com esta série nem pretendo que seja uma "voz" para o leque LGBT, ou seja, não penso que esta série seja a salvação (risos) é apenas um ponto de partida, uma oportunidade, um canal, um meio para que se pense um pouco sobre pormenores.

 

Quantos episódios da série já estão gravados e quantos estão previstos no total?

A série tem nove episódios previstos cada um com 50 minutos. Mas ainda nenhum está gravado. Para esta série (em princípio) não será gravado o episódio piloto porque temos um conceito pensado a nível estético que se aproxima muito do cinema. Isto significa que em vez de demorarmos um ou dois dias a gravar um episódio... demoramos 12 dias... e isso complica porque sem financiamento é preciso alugar equipamento, pagar catering, pagar equipa técnica, pagar actores etc. Dois dias qualquer pessoa do projecto faria sem receber mas 12... nem eu tenho a lata para lhes pedir tal coisa! Todos temos trabalhos, rendas, despesas... é impossível dizer aos meus colegas para deixarem de trabalhar durante 12 dias e fazer-se o piloto sem poder garantir condições mínimas.

De qualquer forma em todas as estações de televisão e produtoras onde apresentei o “Lx Menina e Moça” nunca me foi pedido o episódio piloto, os guiões e o teaser cumpriram bem a sua função.

 

E qual foi a apreciação dos canais de televisão portugueses e das produtoras em relação à série?

Todos adoram o produto, mas neste momento ninguém reúne condições económicas para o comprar. O tema não tem sido um problema, a estética e linguagem prende todos mas o orçamento deixa o projecto para já parado. Neste momento estamos a traduzir tudo para inglês de modo a ser enviado para a HBO. [(Home Box Office) é um canal de televisão por assinatura norte-americano propriedade da Time Warner e onde passou, por exemplo, a série “L Word”]

 

Esta internacionalização é uma aposta e um escape forçado...

A série foi sempre pensada para o mundo, mas nunca pensei que Portugal poderia não ser o país de estreia. Neste momento sabemos que "não está fácil" mas também não me parece que vá melhorar tão cedo e como tal tento abrir diferentes portas. Quero que fique claro que a série não avança em Portugal por motivos financeiros e nunca por motivos relacionados com o argumento ou tema e que, de modo geral, é um produto que interessa às estações de televisão e produtoras.

 

Que apoios gostariam de ter em Portugal?

Não existe algo específico, precisamos de alguém que acredite no projecto e que entre nesta aventura connosco.

A série pode ser uma montra para diferentes marcas e temos estudado o product placement de modo a que não seja demasiado invasivo.

O que for preciso para a série avançar será aceite desde que não se altere o conceito.  

 

Já pensaram noutro tipo de emissão por exemplo na web, com conteúdos pagos ou patrocinados por exemplo?

Sim claro, mas nem por isso temos tido respostas mais positivas.

 

 

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