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Ricardo Castro: “O Ary era um menino grande muitíssimo só”

Ricardo Castro é um dos actores em destaque no espectáculo "Uma Noite em Casa de Amália", de La Feria. Encarna a personagem José Carlos Ary dos Santos que, numa noite em casa de Amália onde será gravado um álbum, se cruza com Vinicius de Moraes, Natália Correia, Maluda, David Mourão-Ferreira ou Alain Oulman.

 

Em conversa com o dezanove, o actor fala sobre a experiência de criação da personagem, que foi um dos primeiros portugueses a assumir-se como homossexual em público. Autor de mais de 600 poemas e declamador inesquecível, Ary dos Santos, que faleceu em 1984, deixou poucos textos sobre a temática gay. Um raro exemplo é o poema "Meu Amigo Está Longe", que foi cantado por Amália Rodrigues e que integra o espectáculo em cartaz no teatro Politeama, desta vez na voz da actriz principal, Vanessa Silva. O amigo que estava longe era um soldado que tinha partido para a guerra do Ultramar. Ary dos Santos é ainda autor da letra de "Desfolhada Portuguesa", interpretado por Simone de Oliveira, e de "Tourada", cantado por Fernando Tordo.

 

dezanove: Acha que as gerações mais novas estão a par do legado que Ary dos Santos nos deixou?

Ricardo Castro: Penso que não. Tenho pena. Os responsáveis da cultura em Portugal são os maiores culpados mas além do Ary existem muitos mais artistas que merecem ser respeitados e lembrados por enriquecerem a cultura do nosso país.

 

Como preparou a criação da personagem? As pessoas ficam impressionadas com as semelhanças até ao nível físico.

Com trabalho, trabalho e mais trabalho. Perceber como falava, respirava, andava etc.. Depois, ler a obra, falar com amigos e conhecidos do Ary e acima de tudo perceber o Ary através do Filipe La Féria. O teatro é um trabalho de equipa e só assim se consegue fazer espectáculos de qualidade.

 

De toda a obra de Ary, o que destaca como sendo mais relevante?

O Ary escreveu mais de 600 poemas, contudo as letras para muitas canções que escreveu é que tornaram o Ary conhecido do grande público.

 

Com este papel o que aprendeu sobre Ary dos Santos e ainda não sabia?

Aprendi que o Ary era um menino grande, muito inteligente, muito vaidoso e muitíssimo só.