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Uma homenagem e uma exposição dedicadas a Cruzeiro Seixas

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) vai atribuir esta quinta-feira a Medalha de Honra ao pintor e poeta Cruzeiro Seixas, de 91 anos. A distinção é "uma forma de reconhecimento, por parte dos autores, de décadas de trabalho criador do pintor e poeta", sublinha aquela entidade.

 

Nascido na Amadora, em 1920, no final dos anos de 1940, Cruzeiro Seixas participou nas actividades de surrealistas como António Maria Lisboa, Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria, Pedro Oom. Logo na sua juventude assumiu a sua homossexualidade. Foi um dos fundadores do grupo 'Os Surrealistas', com Mário Cesariny, falecido em 2006, e Fernando José Francisco, que morreu em 2009. Cruzeiro Seixas doou a totalidade da sua colecção à Fundação Cupertino de Miranda (Famalicão) para a constituição do Centro de Estudos do Surrealismo e do Museu do Surrealismo.

Em 2010, a propósito do documentário "Cruzeiro Seixas: O Vício da Liberdade", a Time Out Lisboa citava a parte que em Mário Cesariny fala sobre a forma como foi perseguido pelo Estado Novo por ser homossexual. "Um dia disse à polícia para parar de me perseguir porque já toda a gente sabia o que eu fazia e com quem fazia. Pediram nomes. Respondi que muitas vezes era no escuro do cinema e nem lhes via a cara, quanto mais saber o nome". Cruzeiro Seixas referia logo a seguir: "O meu comportamento é diametralmente oposto ao do Mário. Ele dava nas vistas, era um princípio dele. Mas o Mário é genial, eu não."

Entretanto, as Galerias Perve e a Câmara Municipal de Oeiras inauguram amanhã a exposição "Homenagem a Cruzeiro Seixas - Um passo à frente em África", no Centro Cultural do Palácio do Egipto, em Oeiras. Como referem os responsáveis, "Um passo à frente em África" evoca o período africano de Cruzeiro Seixas e destaca o importante papel que desempenhou ao longo da vida enquanto artista e promotor das artes. Este núcleo mostra um conjunto de obras realizadas nos anos 50 e 60 do século XX e documenta entre outros acontecimentos, as célebres exposições que Cruzeiro Seixas organizou em Luanda, no mesmo período, quer com trabalhos seus, quer com obras de vários artistas da lusofonia, como Malangatana, "o que lhe valeu ser chamado para interrogatório na polícia política (PIDE) da época, pois que exibir uma obra de um autor africano, ademais contestatário do regime, era algo que ia contra os ditames vigentes", pode ler-se na apresentação.