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Questões sobre homossexualidade serão abordadas nas escolas primárias francesas

Najat Belkacem-Vallaud, a ministra francesa responsável pela pasta dos Direitos das Mulheres revelou, na passada quarta-feira, um amplo plano de combate à homofobia em França. O plano inclui o ensino, a começar na escola primária, sobre questões fundamentais que afectam a comunidade LGBT.

 

O secretário nacional do sindicato dos professores franceses, Daniel Labaquere, afirmou “o governo está finalmente a agir e não apenas a prometer”.

As medidas são o resultado da colaboração entre o Ministério de Educação e dezenas de associações LGBT francesas  e têm como objectivo a redução dos suicídios entre os alunos e do bullying nas escolas. Para Labaquere a abordagem das questões LGBT e da homoparentalidade , entre as crianças de idade de escola primária são essenciais para “combater a homofobia na sua raiz”. Em França existem cerca de 300 mil crianças que vivem com dois pais ou duas mães. E, segundo as palavras de Daniel Labaquere, “é essencial que os seus colegas de escola entendam essas questões”. “Não é correcto que no nosso sistema escolar tenhamos crianças que sejam incompreendidas por causa das suas vidas, e que em resultado disso se tornem vítimas de bullying e sejam excluídas”. O mesmo secretário sublinhou, que não haverá propaganda da homossexualidade ou declarações acerca do que “as pessoas fazem em privado”, mas que o plano ajuda a explicar “a importância dos relacionamentos e do amor.”

“Tudo isto é para ensinar as crianças a respeitarem-se umas às outras independentemente da sua origem”. "É exactamente a mesma coisa como lidar com outros tipos de ignorância que levam as crianças a serem vítimas de bullying por usarem óculos ou por terem peso a mais."

A palavra “pédé” (o termo calão e ofensivo para designar homossexual) é considerado o insulto mais frequente mos recreios franceses.

 

Embora as medidas anunciadas, segundo os seus autores, “coloquem a França na liderança mundial na luta contra homofobia”, é de relembrar que a França não é o país pioneiro neste âmbito. A Comissão de Educação de Telavive (Israel) tem em funcionamento desde Janeiro de 2011, nas escolas desta cidade, um programa escolar obrigatório sobre a cultura e tradições de comunidade gay e lésbica. Este programa tem como objectivo a mudança de mentalidades sobre estereótipos associados comunidade gay.”

Nas escolas irlandesas as crianças estão a estudar os aspectos da homossexualidade desde 2008. Um exemplo é a vasta literatura dedicada a este tema. O livro “The Sissy Duckling” de Harvey Fierstein é uma reinterpretação do “Patinho Feio”. A palavra “sissy” é usada muitas vezes em gíria para definir os gays efeminados. Outro livro "And Tango Makes Three", baseia-se numa história verídica sobre dois pinguins homossexuais que viviam no jardim zoológico de Nova Iorque. Nos finais dos anos 90, os dois pinguins machos Roy e Silo chocaram juntos um ovo e criaram uma família. Os livros destinam-se às crianças da escola primária, foram escritos com linguagem apropriada a essa faixa etária e ajudam a entender que no mundo não existem apenas as relações com “mãe e pai” e que aceitar estas relações são uma das opções da normalidade.

Em anos mais avançados os estudantes irlandeses aprendem lições sobre os direitos LGBT, incluindo o discurso do senador David Norris, que é um gay assumido, e a história do activista e político americano Harvey Milk.

O governador Jerry Brown, do estado da Califórnia, também introduziu um curso obrigatório nas escolas sobre a história da comunidade LGBT. Nos EUA, a Califórnia foi o primeiro estado a introduzir este tipo de aulas.

Um estudo da Universidade da Beira Interior dava como existindo em Portugal cerca de 23 mil crianças a viverem em famílias homoparentais.

 


Alexandre Iourtchenko


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