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Observatório de Educação LGBT mostra que homofobia e transfobia persistem em Portugal

Já são conhecidos os resultados do relatório bianual da associação rede ex aequo, cujo foco são as situações de homofobia e transfobia vividas pela juventude LGBT em Portugal. Os dados do Observatório de Educação LGBT (OE) foram recolhidos a partir de 37 questionários entre Janeiro de 2011 e Dezembro último e dão conta que mais de 40 por cento da juventude lésbica, gay ou homossexual foi vítima de bullying homofóbico.

 

Aumento das queixas 1 - Resultados positivos 0

Comparativamente com o ano de 2010 há um aumento das denúncias para 11 por cento. O anterior relatório (2010) registava apenas 6%. A esmagadora dos respondentes não apresenta queixa, como justifica um dos comentários: “[Não apresentei queixa porque] Apresentar queixa nunca dá bom resultado e só piora a situação nas escolas”, refere um jovem homossexual de Lisboa”. Nenhuma das queixas apresentadas obteve, em 2012, resultado positivo.

 

Como lidam os jovens LGBT com as agressões?

Para mais de metade (54 por cento) dos inquiridos lidar sozinho com agressão homofóbica ou transfóbica é a solução. Os restantes 43 por cento dos agredidos recorrem a pessoas amigas, apenas 8 por cento procura ajuda clínica.

 

A homofobia e a transfobia no quotidiano

Este observatório assinala que “ao longo das nossas vidas, muitos de nós presenciámos contextos de homo/transfobia. Essa situação pode ir desde as simples piadas quotidianas até ao insulto direto. Em alguns casos extremos a discriminação chega mesmo a colocar em questão a nossa integridade física. Esta exclusão e segregação social, inconsciente ou consciente, leva a que muitos cresçam em ambiente hostil e que também eles, de alguma forma, se condenem com pensamentos e/ou comportamentos de homo/transfobia internalizada.”

 

O que mudou? E o que não muda

A associação de jovens frisa que o quadro legal mudou e o novo “Estatuto do Aluno e Ética Escolar” aprovado em 2012 prevê que nenhum aluno possa ser discriminado pela sua orientação sexual ou identidade de género. O relatório aponta, no entanto, que 32 das 37 agressões procederam de alunos, 8 da parte de desconhecidos e 6 de parte de professores. Para a rede ex aequo “a falta de informação correcta e científica sobre uma questão que também é uma questão de direitos humanos deve-se à ausência no nosso sistema de ensino de reforço positivo materializado sobre estes temas.”

Outros comentários das vítimas foram transcritos para a edição de 2012 “Ameaças de morte, muitas vezes a palavra "Paneleiro", "Maricas" diz um jovem homossexual de Portalegre. Outro aluno de Portalegre revela: “ Quando frequentava a escola primária era uma criança reservada e um pouco efeminada. Tal era motivo de gozo por parte de alunos mais velhos. Uma das vezes culminou em agressão física, frente à escola.” De Viseu surge o seguinte comentário de uma jovem com 18 anos  “Existem agressões em locais de convívio e ninguém faz nada.”

 

Começar já é metade de toda a acção

Para colmatar a falta de informação, a rede ex aequo organiza sessões para alunos e também para os professores nas escolas do país mediante pedido para educacao@rea.pt

O relatório do OE foi enviado esta terça-feira ao Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, à Secretária de Estado para a Igualdade, Teresa Morais, e à Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Fátima Duarte. O relatório completo pode ser acedido e descarregado aqui: http://www.rea.pt/imgs/uploads/doc-observatorio-educacao-2012.pdf

 

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