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Marcha Lisboa: As reacções de Vale de Almeida até Marcelo Rebelo de Sousa

O percurso entre o Príncipe Real e o Martim Moniz foi feito sob uma chuva multicolorida. O dezanove estava na rua e recolheu depoimentos de associações, colectivos, activistas e ainda... um comentário de  Marcelo Rebelo de Sousa.


 


Gonçalo Clemente Silva, Rainbow Rose Portugal


Gonçalo Clemente Silva apresenta o Rainbow Rose Portugal como "inserido numa rede europeia do PS europeu que promove todas as questões relacionadas com a promoção da igualdade no que respeita ao sexo, 'raça' ou origem étnica, religião ou crença, deficiência, idade, orientação sexual e identidade de género, de acordo com os artigos 10º e 19º do Tratado de Lisboa". Segundo o porta-voz, "faz todo o sentido a presença nesta marcha, já que esta é o ponto alto e mais visível de uma luta pelos Direitos Humanos e queremos por isso mostrar a nossa solidariedade, empenho e visibilidade."


 


Eduarda Ferreira, Revista LES online


À entrada do Largo do Chiado, Eduarda Ferreira com um renovado estado de ânimo afirma ao dezanove: "Em Portugal estamos a conseguir algo muito importante, já não há apenas associações LGBT na marcha". A activista corrobora o manifesto: "Ainda há muito mais a fazer, a questão da parentalidade é apenas uma delas" .


 



Carlos Gonçalves Costa, Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa


Mesnier du Ponsard jamais iria adivinhar que o Elevador de Santa Justa iria ser uma localização tão estratégica para os activistas divulgarem as suas mensagens. Carlos Gonçalves Costa, diz que "a ideia de lançar papéis com mensagens simbólicas e coloridas desde o cimo do elevador surgiu há três anos para introduzir um elemento de animação a meio da marcha".


 



Miguel Vale de Almeida, activista e deputado independente eleito pelas listas do PS


Participante desde a primeira marcha realizada em Lisboa, o activista acha que "[a marcha] cresceu imenso, o que significa que muitas pessoas têm novas razões para fazer coming out. Uma das coisas que se conseguiu com a lei do casamento, foi fazer com que as pessoas se sintam bem em público". Para o primeiro deputado assumidamente homossexual na Assembleia da República, as três prioridades políticas neste momento são consagrar a parentalidade, a adopção e a co-adopção; a procriação medicamente assistida para lésbicas e mulheres solteiras e uma lei que reconheça a identidade de género". Segundo Vale de Almeida "há ainda outras prioridades não legislativas: o combate constante contra a homofobia e a promoção de valores de inclusão na sociedade. A dificuldade é articular as diferentes vontades, a pessoal, com a do grupo parlamentar e a do governo, porque os timings são diferentes".


 


Ana Cristina Santos, não te prives


Radicada no Reino Unido, a socióloga e dirigente da associação não te prives Ana Cristina Santos aproveitou uma escapadinha a Portugal para se juntar a "uma marcha bastante animada e com novos motivos de celebração e outros motivos para protesto, como o impedimento da procriação medicamente assistida ou a homoparentalidade. No fundo é preciso dar ênfase à questão da família bem como aos direitos adquiridos versus direitos por adquirir." A activista adiciona que "ainda há muito a fazer no âmbito da mudança sócio-cultural no país". E o que espera das mentalidades em Portugal quando a sua filha bebé, que hoje traz à marcha, atingir a maioridade? "Espero que a marcha seja apenas um momento de celebração e que a discriminação faça parte do passado. Mas sabemos que não vivemos num mundo ideal por isso é importante continuar a lutar", remata.


 



Margarida Faria, AMPLOS


Presente pela primeira vez na marcha, dada a criação em Outubro de 2009, Margarida Faria, porta-voz da associação de apoio aos pais e  mães de homossexuais, partilha com o dezanove que é "natural que aqui estejamos, é muito importante que os outros pais percebam que aqui estamos e existimos para quem precisar de apoio." Margarida, acompanhada de perto pela filha e pelo marido, diz-nos que "dado termos aparentemente uma sociedades mais aberta, nunca imaginei que houvesse tantos pais e mães de homossexuais que sofressem tanto. Muitos estão a dirigir-se à AMPLOS." De França, em Besançon, onde a representante da associação esteve recentemente, trouxe a mensagem de que existem 14 associações semelhantes à AMPLOS, pelo afirma "se torna cada vez mais necessário o nosso trabalho".


 



Paulo Côrte-Real, ILGA Portugal


O presidente da ILGA Portugal faz um balanço positivo da 11ª Marcha do Orgulho LGBT: "Foi a maior de sempre. Há um crescimento simbólico, sinónimo de uma maior mobilização pela igualdade" declara. Côrte-Real acrescenta que " ainda é preciso fazer muito nas questões da parentalidade, nomeadamente garantir que as crianças tenham igual protecção por parte de pessoas do mesmo sexo". Para o dirigente existem mais prioridades: a adopção, a procriação medicamente assistida e uma lei que reconheça a identidade de género. Por outro lado, "é importante garantir mais educação e a formação em vários sectores: saúde, segurança, justiça, entre outros. Entramos num novo estádio contra a discriminação" afirma ao dezanove Paulo Côrte Real.


 



João Pereira, Gabinete da Secretaria de Estado da Igualdade


"Estamos cá numa perspectiva de celebração porque este é um ano simbólico por causa da vitória que se conseguiu recentemente. No entanto, continuamos a passar uma mensagem ampla contra a discriminação de pessoas LGBT", declarou.


 



Marcelo Rebelo de Sousa


Retido pelo engarrafamento causado pelos manifestantes, Marcelo Rebelo de Sousa questionado sobre a importância desta marcha, afirma em declarações ao dezanove: "Em democracia todos são livres de ter as suas opiniões."



Na Praça do Martim Moniz, desde sempre pautada pela diversidade, empunhando bandeiras do arco-íris aglomeram-se milhares de participantes para ouvir os discursos dos vários organizadores da marcha. De assinalar pela primeira vez a interpretação de todos os discursos em língua gestual portuguesa numa marcha marcada pela presença de crianças, jovens, adultos e séniores integrando vários modelos de família.


 


Mais fotografias da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2010 aqui.