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Entrevista: Como Jean Louzac faz da vida um cabaret (com vídeo)

Gosta de se identificar como o hipotético meio-irmão de Carmen Miranda, homenageando-a com as suas actuações. Numa noite cheia de animação, o octogenário Jean Luzac reuniu esta quinta-feira amigos e fãs para um espectáculo único no restaurante Comida de Santo, no Príncipe Real, em Lisboa. A força deste entertainer e designer de moda quer fazê-lo repetir mais vezes as vindas a Portugal, o país que o seu coração adoptou, porque considera que os portugueses conseguem dar mais do que o que têm.

Na sua juventude, foi capturado pelos japoneses no fim da Segunda Guerra Mundial, quando então dava pelo nome de Hans van der Meulen e vivia em Surabaia, na Indonésia, na altura uma colónia dos Países Baixos. No capítulo da moda esteve à frente no seu tempo, vestiu elegantes mulheres e primou pelo trabalho de bordados e incrustações, trabalho que aliás ainda hoje desenvolve.

Ao dezanove.pt, Jean repete a sua fórmula que entende como elixir da juventude: “Todos os dias quando o sol nasce temos de o agarrar e espremê-lo ao máximo, façam caso disto, tenho idade para saber o que digo!”

 

dezanove: Como nasceu esta paixão por Carmen Miranda? Porque a escolheu e não outra?

Jean Louzac: Na altura havia várias “oomph girls”, cheias de energia, entusiasmo, sexy e tentadoras, mas elas não tinham o “it”, um certo traço que fascinava, encantava, atraía. Tinha charme e magnetismo. Era tudo isto que Carmen Miranda tinha. As outras vedetas eram fabricadas, serviam muito para animar as tropas. Mas Carmen era a original, continuava, mesmo depois de adulta a ser uma menina pequena e encantadora. Até a mexer os olhos era original. No que respeita à roupa também criou uma certa magia.

 

É daqui que nasce a sua paixão pela moda?

Também. Mas antes eu sabia que deveria comportar-me para manter as tradições, os negócios da plantação de açúcar e a herança familiar. Quando estava capturado pelos japoneses tentava transmitir o alento da Carmen a quem estava preso dizendo que um dia seríamos libertados, apesar das condições más em que estávamos, a comida era horrível e onde apanhávamos doenças.

 

Que memórias tem depois de ter estado cerca de quatro meses preso?

A primeira coisa foi ir a um cabaret neerlandês e fiz uma actuação. Depois encontrei um ferido de guerra numa rua. Ele pediu-me que lhe cantasse a canção “My blue heaven” de Marlene Dietrich, porque era a que a mulher lhe cantava. Ele disse-me que ela podia estar morta, mas teria a certeza que escutaria essa canção onde quer que estivesse. Foi essa a energia que aprendi para a vida. Depois tivemos de vir para a Holanda, porque receávamos voltar a ser presos.

 

Como foi ter de seguir um caminho diferente daquele que a sua família queria para si?

Todos os dias e todas as noites eles tentavam que eu mudasse de rumo, mas eu ouvia a minha voz interior que me dizia para ir em frente e triunfar… para um dia conquistar Portugal (risos)

 

E como nasce esta proximidade com Portugal?

Passei umas férias que passei com uma amiga em Viana do Castelo. Aqui aprendi que os portugueses conseguem dar mais do que o que têm.

 

Como foi desenvolver trabalhos na área da moda num tempo bem diferente do de hoje?

Lembro-me de uma vez um marido de uma cliente me ter dito que como era possível eu ter criado o maior decote de sempre. Eu respondi que compensava com umas pestanas compridas (risos).

 

Continua a trabalhar em moda...

Sim, aqui em Portugal já encontrei contactos para poder exportar o meu trabalho e quero fazer ainda mais.

 

Reuniu amigos e fãs para uma noite de espectáculo em Lisboa, apresentada por Abel Dias, com que fez alguns duetos. O que sentiu?

Ao ver aquelas caras felizes, senti que tinha conquistado as pessoas e senti-me o homem mais feliz à face da Terra.

 

E onde continua a buscar tanta energia?

Nas margens do Tejo. Sinto o poder do rio e da cidade. É o sítio onde sinto a magia do azul do céu e do grandioso Tejo e isso ajuda-me.

 

Fez a promessa de voltar a Portugal em breve…

Tenho de vir mais vezes conhecer a terra de Carmen Miranda. Tenho a certeza que a vou encontrar um dia. Há quem diga que o espírito dela vive em Lisboa. Eu, Miguel do Carmo Pinto da Cunha [alter ego que Jean criou para homenagear Carmen Miranda] ainda quero fazer-lhe uma grande homenagem e usar o meu ananás e as minhas leggings. Temos de a trazer de volta, se não fizermos nada o tempo acaba por dar cabo de nós.

 

E quando será isso?

Depois do Verão, lá para Outubro.

 

 

Fotos e entrevista de Paulo Monteiro

 

Agradecimentos: Restaurante Comida de Santo, Hotel Avenida Palace

 

Entrevista actualizada a 08 de Maio com a inserção de vídeo.

 

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