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Arraial Pride: O que se dizia no Terreiro do Paço

A tarde do Arraial do Orgulho LGBT começou quente. Com a brisa começaram a chegar os primeiros visitantes atraídos por um enorme arco-íris que se estendia para além do horizonte do Terreiro do Paço, em Lisboa.

Rosa Faria, 53 anos, no seu habitual passeio de Sábado à tarde observava com curiosidade as bancas das associações e colectivos. "Hoje há aqui uma festa, sabe do que se trata?" pergunta o repórter. Rosa Faria hesita com um não e depois da explicação de que se trata das comemorações dos direitos dos homossexuais, nomeadamente a recente lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, comenta: "É uma coisa boa, já se devia ter feito há mais tempo. Eu não sou contra o assunto, para mim não quero, mas não se sabe o dia de amanhã."

Heider Sousa e Fernanda Costa circulam pelo espaço de mãos dadas. "Viemos cá hoje sem querer. Estamos a passear, ouvimos a música, gostamos e entramos", diz Heider, que concorda com o casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Não tenho nada contra, as pessoas só têm de gostar uma da outra e terem uma vida harmoniosa que lhes permita a adopção de crianças". "O meu melhor amigo é homossexual, ele ficou no Brasil e eu vi toda a luta interior dele" partilha Fernanda. Questionados sobre o que acham da escolha da praça mais emblemática da capital para esta festa, Fernanda e Heider estão de acordo: “´É uma tomada de atitude positiva, isto não é nenhum bicho de sete cabeças."

De seguida as nossas questões dirigem-se para Mame, senegalesa de 37 anos de visita a Lisboa e que pensa que cada pessoa é livre de viver a sua vida. "No Senegal [a situação] é muito difícil porque há muitos muçulmanos e a religião não permite que duas pessoas do mesmo sexo estejam juntas". E acrescenta que no seu país "as pessoas não têm liberdade para viver a sua sexualidade. Caso sejam descobertos vão para a prisão, são exilados e quando morrem não são enterrados nos cemitérios, vão para uma floresta", descreve.

Já ao início da noite o dezanove cruza-se com Rui, português, acompanhado por Kristian, da Macedónia. Rui participa pela segunda vez no Arraial, após nove anos de interregno e explica que esta ausência se devia ao receio de que esta fosse uma festa "pouco abrangente, em que não estivesse à vontade". Kristian refere que no seu país de origem não existe nada semelhante, nem bares, nem marchas, apenas um grande tabu à volta deste assunto. "Acho óptimo que as pessoas em Portugal possam casar-se e sinto-me feliz por estar aqui." E quanto tempo falta para que na Macedónia se faça uma festa destas? Kristian responde: "Muitos anos, talvez séculos."

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