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Travis Mathews: “Estamos a viver num mundo gay globalizado” (com vídeos)

Travis Mathews está em Lisboa até segunda-feira. Passou pelo Queer Lisboa para apresentar o filme “Interior. Leather Bar”, realizado a meias com James Franco e prestes a estrear nas salas portuguesas. Nos Estados Unidos a estreia comercial será apenas em 2014.

O filme recupera um rumor de que 40 minutos de cenas sado-masoquista gay teriam sido retiradas da versão final de "Cruising", protagonizado por Al Pacino para evitar que fosse catalogado como um filme para maiores de 21 anos. “Interior. Leather Bar” recria precisamente a produção dessas supostas cenas. Travis Mathews apresentou também no festival Queer Lisboa um novo episódio de “In Their Room/London”, depois de outros dois dedicados a San Francisco e Berlim. Aqui homens de várias idades expõe o que procuram noutro homem.

 

dezanove: As reacções a “Interior. Leather Bar” são muito díspares. Depois de mostrar o filme pela primeira vez no Queer Lisboa as opiniões dividiram-se nas redes sociais. É sempre assim?

Travis Mathews: É assim em todo o lado. Mesmo antes de o começarmos a produzir, sabíamos que íamos polarizar opiniões. É um projecto experimental. O James Franco está envolvido num projecto de temática gay e o facto de ter como referência um filme, o “Cruising” que para muitos é problemático... É um filme que não é documentário, não é ficção, nem traz respostas fáceis. Estou feliz com o resultado. Prefiro que as pessoas tenham opiniões fortes.

 

O que o levou a fazer o filme?

Não gosto de usar a palavra queer, porque na maioria das vezes é mal usada ou de uma forma pretensiosa. A maior parte dos filmes que fiz são bastante gay, mas este é realmente queer, desde a forma como é construído até ao que fizemos no filme. O filme é sobre fronteiras e o que acontece quando atravessamos uma certa fronteira, seja do ponto de vista pessoal, profissional ou sexual. Todos estes aspectos estão misturados no filme. O filme é sobre Val Lauren, que interpreta o papel de Al Pacino. Foi importante conseguir fazer o paralelo do que Al Pacino estaria a sentir quando fez “Cruising”. Trata-se de um homem hetero que tem de mergulhar num submundo gay leather e sadomaso que desconhece... Daí que tenha sido importante incluir uma cena de sexo no filme.

 

Como encontrou os participante de “In Their Room/London”? É curioso ver pessoas tão diferentes exporem a sua intimidade e a procura de parceiro sexual.

Quando faço filme sobre sexualidade gay não estou interessado em corpos perfeitos. Isso há em todo o lado. Estou mais interessado nas pessoas. Foi importante para mim ter pessoas que têm sexo com diferentes pessoas mas que representam maneiras de estar diferentes. Fiz o primeiro filme desta série em 2009 em San Francisco. Na altura foi fácil porque estava a trabalhar para a Butt Magazine, na altura era uma revista muito cool para as pessoas e todos queriam participar. Mas o que me interessa é ter acesso ao mundo interior e ter pessoas que saibam expressar-se. Não quero que as pessoas sejam actores, quero que sejam vulneráveis.

 

Mesmo assim, fica-se com a sensação de que essas pessoas que retrata existem em todas as grandes cidades.

Quando estive em Londres fiquei com essa sensação. Estamos a viver num mundo gay globalizado. Se vou para as cidades mais óbvias vou encontrar as mesmo tipo de pessoas. Depois de Londres tomei uma opção radical e vou para cidades e culturas que sejam um pouco mais distantes. San Francisco, Londres e Berlim são parecidas em alguns aspectos. O próximo vai ser feito em São Paulo ou noutra cidade brasileira.

 

Porquê o Brasil?

O meu namorado é brasileiro (risos). Não quero ser o americano branco que vai para a cidade filmar. Quero fazer as coisas com tempo e conhecer bem a realidade, a cultura e as pessoas.

 

Quais as consequências do casamento entre pessoas do mesmo sexo para a produção artística? Em “Interior. Leather Bar”falam a dada altura sobre este tema. Tanto o Travis como o James Franco referem que a normalização não é benéfica para a cultura gay.

Esta é a nossa opinião e é o que esta a acontecer. Não se consegue acesso a direitos iguais mostrando-se que se é diferente.

 

Não está portanto nos seus planos casar...

Acho que não (risos).

 

IN THEIR ROOM LONDON teaser (NSFW) from Travis Mathews on Vimeo.

 

Miguel Oliveira