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Porto Pride: Da nega da Capital da Cultura à mensagem de Rui Rio

O dezanove foi falar com João Paulo, o organizador da festa para todos os gays, lésbicas, bissexuais, trans e heterossexuais descomplexados da cidade do Porto, que faz o balanço destas 10 edições do Porto Pride.

dezanove: Muito mudou no país desde que organizou o primeiro Porto Pride há 10 anos. Quais as principais dificuldades que teve de enfrentar nessa altura?

João Paulo: Sou um mau exemplo pela positiva... Tive mais receio em relação à reacção à festa propriamente dita por parte dos habitantes da cidade. Receio infundado pois, nos dias depois da festa, tive muitos elogios de pessoas anónimas nas ruas cidade. A organização da festa teve muitas discussões, alguns conflitos, mas no momento da festa tudo estava orientado de forma a garantir um evento de sucesso, como efectivamente aconteceu. A nível pessoal foi complicado ter de me identificar publicamente como gay: especialmente para a minha família que não estava preparada para ter um familiar que dizia "sou homossexual" na televisão.

 

Qual tem sido o papel da Câmara do Porto nas celebrações do Porto Pride? Gostaria de ver as autoridades locais mais envolvidas nas comemorações do Orgulho?

O Porto Pride sempre foi independente. Nunca tendo solicitado nenhum apoio camarário. Aliás, este ano contamos com uma agradável mensagem do dr. Rui Rio de apoio ao Porto Pride 2010. Contudo no longínquo ano de 2001, em que o Porto era Capital Europeia da Cultura, tentamos o apoio desta organização mas foi negado.

 

Este ano decorreu pela primeira uma semana antes do Porto Pride a festa Love Pride, que também decorreu no teatro Sá da Bandeira. O que pensa desta nova iniciativa?

Essa iniciativa não tem nada de novo... Os organizadores do evento fizerem um idêntico no ano passado em Agosto, mas este ano tentaram descaradamente aproveitar-se da fama do Porto Pride. Convém recordar que o evento Porto Pride reverte a favor de instituições com história e provas dadas reconhecidas e que não estão relacionadas com a organização. O Porto Pride é um evento para todos os LGBTH mas vai mais longe ao mostrar que podemos ajudar a sociedade em geral.

 

Que surpresas é que estão preparadas para o Porto Pride deste ano?

Se eu contasse deixavam de ser surpresas. O Porto Pride tem marcado posição por inovar todos os anos sem fazer grandes revoluções. Por exemplo, este ano iremos ter parque de estacionamento a preço reduzido, vamos sortear entradas para uma mega-festa de Verão que vai acontecer duas semanas depois e haverá outras pequenas ou grandes surpresas.

 

Há uma parte das receitas que é destinada a ONG ou entidades de interesse público. No ano passado que verba foi entregue à Associação SOL? Pensa ultrapassar este montante em 2010?

No ano passado foi conseguida uma verba superior a 3200 euros que irá ser entregue este ano no palco à dra. Teresa d'Almeida, presidente da Associação Sol. É claro que esperamos angariar um donativo maior este ano, mas é sempre muito difícil fazer estimativas sobre os consumos no evento. Há anos em que se bebe muito há outros em que as pessoas se retraem.

 

A fechar, a eterna questão Lisboa-Porto. Como olha para as comemorações do Orgulho de Lisboa? O que é que o Porto podia aprender com Lisboa e o que é que as comemorações de Lisboa podiam aprender com o Porto?

No Porto, o Porto Pride é feito em diálogo constante com a organização da Marcha. Algo que se perdeu por completo em Lisboa... Por exemplo, o Porto Pride começa às 22 horas, precisamente para não entrar em "conflito" com a Marcha. Obviamente o Porto Pride é muito mais independente pois não depende do poder político para existir e já diz o ditado: "Não é o tamanho que importa, é o que fazes com ele". Relativamente às Marchas – faço parte da organização da Marcha do Porto e fiz parte da organização de Lisboa por vários anos – acho que há formas de acção diferentes próprias de cada cidade, não que sejam umas melhores que as outras... A do Porto talvez por ser mais recente reflecte actualmente uma maior vitalidade.

 

Data: 10 de Julho

Entrada: 10 euros (com oferta de uma bebida)

Local: Teatro Sá da Bandeira, Porto

Hora: 22:00-08:00

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