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Marcha Porto: Do Bolhão à Ribeira porque “para tristezas já bastam os impostos que temos de pagar”

Enquanto as palavras de ordem ecoavam nas ruas da Invicta, o dezanove quis saber o que pensavam os tripeiros de gema, e não só, que se cruzaram com a manifestação do Orgulho LGBT deste Sábado. Uma recolha de opiniões que começou na Praça da República e só parou na Ribeira, com uma passagem pelo sempre obrigatório Mercado do Bolhão.

 

Rui Martins, 45 anos, assiste à porta do supermercado aos preparativos do início da marcha na Praça da República. “É a manifestação da terceira via, não é? O conteúdo não sei”, comenta. “Acho bem a tudo [os mesmos direitos para os LGBT]” E quanto à adopção? “As pessoas têm de compreender que a modernidade leva a isso. O mal do mundo não é isso. É a ganância. Os homossexuais não me incomodam nada”, completa.

Elsa Gabriel, casada e com 53 anos, acompanha Rui e refere que só ficou a saber que ia decorrer a Marcha quando foi ao supermercado. “Um amigo meu que é homossexual não é a favor do casamento e eu também não sou, mas acho que devem ter os mesmos direitos”, diz Elsa. “O meu amigo não adere a estas coisas, talvez por ser uma pessoa conhecida”, declara.

 

José Luís, 33 anos, também na Praça da República, não hesita em descrever a Marcha: “É um comício gay e eles reivindicam os direitos deles a nível de sexualidade como qualquer ser humano.” E acrescenta: “Cada um gosta do que quer, não somos todos obrigados a gostar do amarelo. Acho que em Portugal não estamos preparados para ver dois homens num café aos beijos e aos ‘apalpanços'. Para mim e para o meu filho seria estranho. No entanto, não temos o direito de julgar, porque não somos ninguém. Conheço bastantes gays e só não gosto dos gays femininos.” Na opinião de José Luís, os gays são pessoas mais cultas, com alta formação, sabem falar e por isso têm capacidade de educar crianças, porque isto [homossexualidade] “não se pega”.

 

À entrada de Rua de Santa Catarina, duas amigas espreitam à porta de uma loja e dizem ao dezanove que não têm nada para comentar sobre a Marcha. “Agora o mundo é como quer. É uma moda. Eu só sei que ainda querem mais direitos. Já se podem casar e agora querem perfilhar. Acho que estão a pedir de mais”, diz Maria José. “Eles são felizes assim, a vida é deles… Para tristezas já basta o governo e os impostos que temos de pagar”, contrapõe a amiga Isaura. Maria José comenta que não conhece nenhum homossexual, a não ser “os travestis que andam aqui na rua”, uma figura pública que ia “ao bar dos gays” e a filha de um vizinho de Vila do Conde que tem “uma profissão de homem”. A amiga Isaura volta a discordar: “As profissões não têm nada a ver, se fosse pelas profissões não havia mulheres polícia e agora na tropa. Não podemos entrar por aí.”

Miquelina, 78 anos, assiste à marcha com o marido José Augusto na soleira de uma loja da Rua de Santa Catarina. “Para nós está tudo bem.” Afirma não conhecer homossexuais, “só ouço falar”. Uma provocação: estará uma criança melhor num orfanato do que com um casal de homossexuais? Miquelina é peremptória: “com um casal, claro. Todos têm os seus direitos, os gostos são relativos, no tempo de antigamente é que não podia ser, [os homossexuais] são pessoas educadas, respeitam as pessoas.” Ainda tentamos ouvir a opinião de José Augusto, mas a esposa rematou com “as crianças têm de ser preparadas para tudo e os seniores também. Acho giro. As pessoas têm de transmitir aos outros o que querem e o que são.”

 

Enquanto os manifestantes estavam sentados na Rua de Santa Catarina, o dezanove foi falar com um grupo de jovens, três espanholas e dois portugueses. “Viemos cá por causa deste nosso amigo. Sempre soubemos que ele era [homossexual] e estamos aqui para o apoiar”, dizem.  

 

 

 

Ao lado do mercado do Bolhão, Isabel Cunha Lopes e Fernanda Pereira, na casa dos 50 anos, desciam a rua de forma apressada. Saberão qual foi a manifestação que estava a decorrer? “Não sei, sei que era alguma coisa revolucionária, ouvi a Grândola Vila Morena e outra do Sérgio Godinho”, conta Isabel. Depois de informada, Isabel diz-nos que não tinha associado estas músicas à manifestação dos homossexuais. E acrescenta: “lá por eu não ser, desde que não interfira com a minha vida está tudo bem. Concordo com tudo.” E relembra a opinião da neta de oito anos: “Normal não é, mas temos de respeitar toda a gente”. Fernanda Pereira remata “a cor da pele, a raça, a política das pessoas não interessa, o que interessa é a chave da paz, não da guerra.” 

 

Cecília Lee, Lorraine Wer e Maria Yi, com cerca de 20 anos, são umas turistas chinesas de passagem pelo Porto. Contam logo que na China existem muitos gays, mas não existem marchas do orgulho gay. Confidenciam que na China a cultura gay é considerada “cool” especialmente pelos mais novos. E despedem-se dizendo: “We support gay rights”.

 


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