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Q: As escolhas de João Ferreira

João Ferreira, director e programador do Queer Lisboa, diz ao dezanove quais os filmes a não perder na edição deste ano do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, que decorre entre 17 e 25 de Setembro.



Dezanove: Quais os filmes que considera obrigatórios ver na edição deste ano?


Enquanto programador, é sempre complicado responder a essa questão. Por um lado, há o meu gosto pessoal, onde facilmente consigo destacar os filmes de que mais gosto. Por outro, como programador, tenho que conciliar a minha visão pessoal sobre o cinema queer com aquilo que é a política de programação e o público do Festival. Procurando um equilíbrio entre estas partes, há vários filmes que destacaria. O “Boy”, do Auraeus Solito, é, sem dúvida, um dos grandes títulos deste ano e um bom exemplo de um grande fôlego do cinema queer asiático, particularmente, o das Filipinas. O “Open”, do Jake Yuzna, é, para mim, um dos mais bem conseguidos filmes que alguma vez vi a abordar a temática transgénero. Só para dar mais um exemplo, o documentário “Dzi Croquettes”, realizado pelos actores brasileiros Tatiana Issa e Raphael Alvarez, conta a história da trupe de teatro com o mesmo nome, ao mesmo tempo em que conta também um pouco da história do Brasil no período da ditadura militar. É uma história pouco conhecida em Portugal. E este documentário consegue conciliar um lado de entretenimento com um lado também pedagógico, que é muito importante.



Este ano a RTP é a televisão oficial do festival e têm como objectivo ultrapassar os 8.500 espectadores. Pode-se já afirmar que o Queer Lisboa conseguiu cimentar-se fora da comunidade LGBT?


Acho que este, e qualquer evento cultural, nunca deve situar-se dentro de, ou dirigir-se a um “nicho” específico. Isso apenas contribuiria para perpetuar uma ideia de marginalidade. Mas defendo os eventos temáticos que, inevitavelmente, têm como público maioritário quem se revê nesse tema. O festival, pela sua temática e pela mensagem política e social que a mesma acarreta, procurará sempre ir ao encontro da comunidade e ser um espaço onde gays, lésbicas, trans, podem encontrar os filmes que lhes falam mais directamente. Mas ao mesmo tempo, o festival é também pensado como um evento aberto a todos e todas que gostem de cinema. Acredito, sim, que o Queer Lisboa tem já um lugar seguro como um dos eventos culturais mais importantes da cidade de Lisboa, e já não é olhado como algo à parte. O nosso público é muito ecléctico, estão lá a comunidade, os cinéfilos – ou ambos –, os que frequentam por hábito todos os festivais de cinema, os que frequentam apenas este. Essa abrangência é, para mim, fundamental.



Uma crítica recorrente prende-se com a falta de legendagem em português de muitos filmes. Este ano a situação será diferente?


Infelizmente, não. A legendagem completa de todas as sessões do Festival significaria cerca de 15% dos custos globais do Festival, dentro do orçamento de que dispomos. Esta é uma luta que dura há vários anos. A realidade da distribuição é hoje muito diferente da que era há dez anos. O custo do aluguer de filmes e transporte internacional de cópias consome uma parte expressiva do nosso orçamento. O que nos coloca nesta posição ingrata: se fizermos legendagem, não podemos oferecer esta programação. Vamos continuar a lutar para termos a legendagem de volta ao Festival.


Rui Oliveira





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