Sob o mote “Não à associação do Queer Lisboa com o criminoso apartheid israelita! Pela rejeição imediata do apoio da embaixada israelita ao Festival!” foi convocada para hoje às 20h30 em frente do Cinema S. Jorge uma concentração convocada por vários activistas e colectivos. Entre os colectivos portugueses que apoiam a acção encontram-se as Panteras Rosa, SOS Racismo, UMAR - União Mulheres Alternativa e Resposta, para além de António Serzedelo, presidente da Opus Gay e a cineasta Raquel Freire. A acção coincide com a abertura do Festival de Cinema Queer Lisboa 14 no Cinema S. Jorge.
Os activistas acusam a organização do evento de associação com “apartheid” promovido por Israel em relação ao povo palestiano. Embora a organização do protesto sublinhe que “esta não é uma acção contra o Queer Lisboa (…) e muito menos 'anti-Israel', mas sim pela paz para todos os povos do Médio Oriente, pelos direitos do povo palestiniano”, os activistas sustentam que “nos últimos três anos e apesar de alertas que já foram dirigidos no ano passado, o Festival propõe-se receber apoio financeiro e institucional da embaixada israelita em Lisboa.
Contactada pelo dezanove, a organização do Queer Lisboa 14 esclareceu que “o apoio da Embaixada de Israel [é] exclusivamente para transporte de filmes ou convidar realizadores deste país – que o próprio Festival escolhe, sem qualquer interferência da respectiva embaixada”. A Associação Cultural Janela Indiscreta esclarece ainda que não “apoia ou subscreve qualquer política do Estado de Israel, ou de qualquer outro Estado” e que sempre se absteve de promover uma qualquer posição política no que diz respeito a conflitos de cariz político, ideológico ou religioso. A associação cultural reforça um dos objectivos do festival: “Garantir a presença de filmes que possam retratar a situação da comunidade LGBT do mundo inteiro, sobretudo quando se trata de dar voz à violação dos seus direitos e atentados contra a sua liberdade”.
Este protesto pode afectar a projecção do documentário “Covered”. É que o cineasta canadiano John Greyson, que apoia o protesto, solicitou a dissociação do Festival relativamente ao apoio da embaixada israelita, sob pena de não permitir a exibição do seu documentário.
Breves comentários:
Romeu, está mal informado sobre as situações no Médio Oriente, diversas em cada país. Nem todos os países árabes da região se comportam como o Irão. Nem as coisas são a maravilha que descreve em Israel. Tem dúvidas? Verifique no blog das panteras o que diz o movimento LGBT israelita, pois é ele que está na origem do apelo que nos levou à acção.
ARodrigues: está enganado: não apelámos a nenhum boicote ao Queer Lisboa, o boicote é ao Estado de Israel. Ao Queer Lisboa só se pede que se associe a ele, dissociando-se do apoio da sua Embaixada.
Caramelo: nem sequer comento as insinuações de que ser pela paz no Médio Oriente ou contra o que se passa na Palestina é ser 'anti-Israel' ou pró-Hamas? Registo a sua selectividade no que respeita à identificação das situações de violação dos direitos humanos. De resto, clarificámos que não se pretende obstar nem à vinda de filmes nem de realizadores israelitas. Já propusemos parceria ao Queer Lisboa na busca de fontes de financiamento alternativas, em colaboração com o movimento LGBT israelita, para continuar a trazer esses filmes e realizadores.
Registo também a sua ideia de "neutralidade da cultura". Transponhamos, por exemplo, para o Desporto. Pergunto-lhe: os Jogos Olímpicos de Berlim, organizados pelo regime hitleriano pouco antes da IIª Guerra foram algo de neutral? E, no entanto, eram apenas "Desporto". E que dizer do artista que matava animais em público? Apenas cultura, logo não podemos nem devemos ter opinião ou apontar o dedo a algo que consideramos errado?
De uma vez por todas, e quanto a um Festival que tanto contribuiu para afirmar aquela ideia de que "os direitos humanos também são direitos LGBT, está na hora de entender que isso não pode ser unilateral, e que é também necessário que os direitos humanos (em geral, ou os dos outros) sejam uma questão LGBT. Universalidade, se não, não merecemos nada do que temos conquistado.