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A nossa liberdade de expressão é atentada diariamente por sermos quem somos

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Na luta LGBT+ a liberdade de expressão tem outro nome: lobby. Não só tem outro nome como vivemos esta liberdade de expressão muito para além das nossas palavras. A nossa liberdade de expressão é atentada diariamente por simplesmente sermos quem somos - isto para aqueles que conseguiram fugir à “normatividade” imposta pela sociedade e afirmar-se à sua margem, sem medo de gritar a sua verdade.

A nossa liberdade de expressão é, por exemplo, a Marcha do Orgulho LGBT! Porque se de repente temos todos tanto orgulho em sermos Charlies na página do nosso Facebook, também temos orgulho em ser quem somos, reivindicar os nossos direitos e gritar a nossa liberdade de expressão pelas ruas. A liberdade de sermos gays e andarmos a passear no Chiado de saquinho na mão, a liberdade de sermos mulheres lésbicas e feministas, a liberdade de amarmos independentemente do género, a liberdade de sermos homens que andam de sapatos de salto alto, a liberdade de sermos mulheres e querermos ter filh@s com outras mulheres, a liberdade de não sermos homens nem sermos mulheres, e a lista continuaria de forma interminável.

Uma lista que grita por liberdade de expressão! Não de categorizar o outro, não de satirizar o outro, porque essa é aquela liberdade com que temos de lidar todos os dias. E custa. Custa crescer numa sociedade que te impõe, que te julga, que te cria o medo de seres livre. Sim, porque por vezes não conseguimos mostrar quem realmente somos às nossas próprias famílias. Haverá algum atentado à liberdade de expressão maior do que este? E isto só acontece por uma razão: porque vivemos no medo de acontecer o que aconteceu ao Charlie Hebdo, ao afirmarmos quem realmente somos. O medo da verdade pode matar mas o medo da morte vai-nos matando aos poucos.

Estamos todos muito longe de ser livres e o mais preocupante é que poucos são os que se apercebem disso.

Não, não somos todos Charlie - não somos todos tão corajosos. Mas precisamos de sair dos nossos armários e afirmarmo-nos como Charlies. Charlies que apontam o dedo para si próprios e dizem: sim, eu existo, isto sou eu, esta é a minha verdade.

Era uma vez uma comunidade chamada Charlie LGBT+ , todos os dias sofria atentados, milhares de pessoas morriam em nome da sua própria liberdade de expressão. Mas não apareciam na televisão, não tinham um lobby assim tão organizado junto da classe política, e por isso morriam. Morriam em silêncio por uma invisibilidade que atenta à sua liberdade de expressão.

Charlie…come out, come out…wherever you are!

 

Artigo de opinião de André Faria, colaborador do dezanove

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