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A traição do Grindr

 

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Na sociedade digital moderna em que já vive grande parte da população mundial existem várias aplicações que aproximam os seus utilizadores e estabelecem redes sociais entre eles. Naturalmente isso também está presente na vida afectiva e sexual de muita gente que se conhece e se encontra através desses meios (obviamente também aqui no Facebook).

 

Existem inclusive muitas aplicações num mercado dirigido exclusivamente a esse propósito (como o Tinder por exemplo). Os homossexuais não são naturalmente excepção: até pelas circunstâncias do meio social onde se inserem, em sociedades ainda muito heteronormativas, a via digital é um recurso para se conhecerem e se encontrarem. Ora soube-se agora que uma dessas redes, a mais popular entre a população gay, bissexual e queer de todo o mundo (o Grindr), forneceu informação detalhada sobre a sua base de dados, designadamente sobre o estado seropositivo, os seus respectivos dados pessoais, incluindo a sua georeferenciação e endereço, que milhões de utilizadores confiaram a esta rede no pressuposto da sua confidencialidade e anonimato.

A confirmar-se esta notícia isto será gravíssimo. Milhões de pessoas confiaram nesta aplicação. Muitos deles partilharam responsavelmente o seu estado de seropositividade no seio de uma comunidade que pressupunham ser sua e ser segura. Isto acaba por ser assim uma machadada muito séria em anos e anos de luta contra a doença, contra o preconceito e pela pedagogia da saúde e da dignidade de todos no seio da comunidade LGBT.

Provavelmente muita gente retrair-se-à ainda mais, e pior, muita gente refugiar-se-à na mentira ou na omissão,mascarando uma verdade que hoje nada tem de terrível nem de tenebroso mas que implica responsabilidade ética. O que esta aplicação fez foi uma traição sem nome não só aos homossexuais adultos de hoje, mas sobretudo aos miúdos de agora e de amanhã. E foi cuspir na memória de milhões de pessoas que morreram durante três décadas de luta sem tréguas pela dignidade, pela vida, e contra a homofobia.

Shame on you fucking Grindr corporation!


Carlos Reis

 

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