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"Alla Prima" de Tiago Cadete sobe ao Negócio e à Mala Voadora

Alla Prima Tiago Cadete.jpg

A performance “Alla Prima” sobe ao palco do Negócio, na Rua do Século em Lisboa de 27 a 30 de Janeiro. Depois é apresentada no Porto de 5 a 6 de Março no espaço Mala Voadora.

O que Tiago Cadete propõe com “Alla prima” vem de uma inquietude perante o silêncio e imobilidade das imagens. 
O corpo humano, essa espécie de unidade fundamental da produção de imagens no Ocidente, é tanto o enfoque de sua pesquisa enquanto coleccionador de imagens, como o instrumento através do qual o próprio corpo do intérprete se colocará perante o público. O seu olhar diz respeito à construção e invenção do Brasil – quais seriam os movimentos e vozes do grande número de imagens que em mais de cinco séculos foram capazes de criar certas ideias sobre o que seria o Brasil, os brasileiros e a brasilidade?
O termo “alla prima”, dentro da prática de pintura, diz respeito a uma técnica em que o artista enfrenta a tela directamente, aplicando camadas de tinta sem esperar um tempo de secagem, causando uma espécie de sobreposição tanto de cores, quanto de imagens. De modo dialógico, o corpo do artista aqui responde directamente a uma série de descrições sobre o que poderiam ser estes “corpos brasileiros”. Para além da narrativa histórica eurocêntrica que criou a teoria das três raças no Brasil – onde as populações africanas, europeias e indígenas seriam ingredientes deste caldeirão cultural –, sua anatomia se transforma num receptáculo de múltiplos criadores, culturas, etnias e proposições plásticas.

Alla Prima Tiago Cadete negócio zdb mala voadora.

Através desta reencenação que se dá de modo transhistórico entre a visualidade e diferentes descrições orais/verbais, o corpo de Tiago Cadete acaba por desenhar uma nova coreografia deveras distante do samba e da alegria tropical comumente atribuída ao que poderia ser a “cultura brasileira”. De repente os trópicos ficam tristes e algumas das tentativas de colonização do Brasil a partir da imagem vem à tona.
Faz-se importante, então, sentir na pele o incômodo dessas poses e constatar que, mais do que uma geografia, o Brasil é um conceito constituído a partir de um corpo fictício que alinhava pedaços esquartejados de muitas vidas silenciadas pelo tempo.
A criação e interpretação está a cargo de Tiago Cadete. Depois das apresentações na ZDB Negócio, o espectáculo passará ainda pela Mala Voadora no Porto nos dias 5 e 6 de Março. Esta é uma co-produção: Temp d’Images ’15. 

 

Lisboa:
De 27 a 30 de Janeiro 2016, quarta a sábado às 21h30
Rua de O’ Século 9, porta 5 
reservas@zedosbois.org | +351 21 343 0205 
Entrada: 7,5€ / 5€ estudantes em grupo

 

Porto:

5 de Março às 22h e 6 de Março às 18h
malavoadora
Rua do Almada, 277
Preço único de 5€
reservas@malavoadora.pt

 

Paulo Monteiro