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Ângelo Fernandes: "Não haja ilusões, Orlando foi um crime de ódio"

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Tenho lido algumas opiniões que afirmam que o tiroteio de Orlando é um ataque aos Direitos Humanos em geral. Compreendo esse ponto de vista e o porquê, mas não é verdade. Não foi um ataque “generalizado” à humanidade, mas sim um crime de ódio.

Não foi um ataque terrorista aleatório num parque público onde as vítimas eram pessoas de vários contextos. Foi um ataque a uma discoteca gay, frequentada por clientes gay. Quem infelizmente morreu na discoteca Pulse eram gays, pertenciam a um grupo, a uma minoria e isso muda tudo. Se o tiroteio tivesse acontecido numa mesquita e moressem 49 muçulmanos, seria também um crime à humanidade? Não.

Ainda recentemente membros da Igreja Baptista Westboro tentaram invadir o funeral das vítimas do tiroteio com mensagens de ódio, como criam sites como God Hates Fags (Deus odeia paneleiros). Estas acções não são de todo generalizadas, portanto não as tratemos como tal.

Ao afirmar que o tiroteio em Orlando foi um ataque aos Direitos Humanos estamos a colocar o grupo LGBT no mesmo patamar dos restantes grupos e a uniformizá-los como se fossem todos iguais. E com isso estamos a ignorar e a desvitalizar este grupo, esta minoria. Por mais que os direitos LGBT, como qualquer outra minoria, estejam compreendidos por baixo do chapéu dos Direitos Humanos, ainda não chegámos ao ponto onde a luta de um grupo já não é pertinente. Isto porque hoje em dia cada minoria continua com as suas batalhas e direitos por conquistar. Mesmo que várias minorias tenham objectivos em comum e procurem aceitação social, as características e as especificidades de cada grupo são exclusivas e fazem parte da identidade de cada colectivo. Não podemos, por melhor que seja a intenção, desapropriar e esquecermo-nos desse facto. Portanto, o tiroteio em Orlando foi um crime de ódio.

Omar Mateen sabia que ia à discoteca Pulse. O seu alvo era um grupo de homossexuais. Dizer o oposto é ignorar a realidade da comunidade LGBT. Omar Mateen deslocou-se a um local que muita gente julgava ser seguro e usou isso contra essa mesma gente. Quem achar que os Direitos Humanos foram afectados neste caso que procure bem, investigue e vá aprofundado até chegar às particularidades de cada grupo. Nos Direitos Humanos, é com passos sólidos que se faz a caminhada. É na união das minorias e na solidariedade que se constrói o tecido que suporta os direitos humanos. É com a conquista dos direitos de cada minoria que é alvo de preconceito, ignorância e ódio. Somente quando as minorias estiverem isentas de um ódio exclusivo é que cada crime passará a ser um atentado à humanidade em geral. Até lá, qualquer crime que seja dirigido a uma minoria é um crime de ódio.

 

Ângelo Fernandes, artista 3D, faz voluntariado num grupo LGBT em Manchester, Reino Unido.