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Cinema afro-brasileiro queer em destaque em Lisboa em Dezembro

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A EGEAC – Galerias Municipais/AFRICA.CONT e a Associação Cultural Janela Indiscreta, responsável pelos festivais de cinema Queer Lisboa e Queer Porto, levam até à Cinemateca Portuguesa e à Casa Independente o ciclo A Experiência Afro-Brasileira na Tela. 

 

A programação, que se estende de 10 a 15 de Dezembro, integra filmes, uma instalação, a realização de debates e a presença de convidados internacionais.
O modo como afro-brasileiras e afro-brasileiros foram historicamente representados no cinema brasileiro é uma das leituras sugeridas nesta mostra, daí que se tenha escolhido como primeiro filme do ciclo o documentário “Abolição” (1988), de Zózimo Bulbul, que se popularizou como um dos actores do movimento Cinema Novo brasileiro, antes de se dedicar à realização. O filme, realizado na altura em que se assinalou o centenário da abolição da escravatura no Brasil, reflecte sobre o papel de afro-brasileiras e afrobrasileiros na história, cultura e quotidiano deste país. A história da representação e representatividade de negras e negros na cultura popular brasileira é central no documentário “A Negação do Brasil” (2000), de Joel Zito Araújo, que aqui reflete sobre a importância da representação de negras e negros na telenovela brasileira para a construção de identidades.
Terá ainda lugar na Cinemateca Portuguesa o programa de curtas-metragens Novas Vozes Femininas no Cinema Afro-Brasileiro, que destaca trabalhos de realizadoras que têm subvertido noções de raça, sexualidade e género, como é o caso de Viviane Ferreira, que estará em Lisboa para apresentar duas das suas curtas-metragens: “O Dia de Jerusa” (2014) e “Mumbi7Cenas Pós Burkina” (2010).
Além da Cinemateca Portuguesa, a mostra de cinema A Experiência Afro-Brasileira na Tela estende-se ainda à Casa Independente, no dia 11 de Dezembro, com um programa dedicado à vertente espiritual da cultura afro-brasileira e ao papel fundamental que religiões como o Candomblé e a Umbanda tiveram na construção de identidades e de um espaço de liberdade para as comunidades afro-brasileiras, particularmente no acolhimento das sexualidades não heteronormativas, tendo desempenhado um papel de relevo na prevenção da luta contra o VIH-Sida e na criação de novos modelos de família, como o documenta o filme “Odo Ya! Life With Aids”, de Tânia Cypriano, a ser exibido na Cinemateca Portuguesa.
O movimento Cinema Novo brasileiro está também presente na mostra de cinema organizada pelo Queer Lisboa, com a exibição na abertura deste ciclo da primeira longa-metragem realizada pelo “Barravento” (1962), protagonizada por Antonio Pitanga e que se centra na história
de um homem que luta pela libertação da sua comunidade de antigos escravos, onde sexualidade e
espiritualidade são explorados enquanto confronto de forças nem sempre opostas. Já no encerramento desta mostra será exibido “A Rainha Diaba” (1974), filme de Antônio Carlos Fontoura que recupera a figura mítica que nos anos 1940 ficou conhecida como “Madame Satã”, um negro, boémio, homossexual, aqui interpretado por Milton Gonçalves.

 

Fonte: Associação Cultural Janela Indiscreta

Imagem: Filme "Pobre, Preto, Puto", a ser apresentado na Casa Independente