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“Corações de Pedra”: a discrição do esvaziamento (com vídeo)

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Na Islândia os corações não são de pedra, a própria vida é que é de pedra. Uma rocha imensa em que são necessários vulcões para derreter os sentimentos escondidos. É assim “Corações de Pedra”, que estreia nos cinemas a 25 de Maio e estará disponível em DVD e VOD a 1 de Junho.

“Corações de Pedra” (2016, “Hjartasteinn”), de Guðmundur Arnar Guðmundsson foi o escolhido do Scope 100 em Portugal. O Scope 100 foi uma iniciativa europeia de promoção e divulgação do cinema europeu. Cem participantes viram e avaliaram sete filmes, com o propósito de escolherem um para ser exibido nas salas de cinema portuguesas. Estreado mundialmente na Secção Venice Days da edição de 2016 do Festival de Cinema de Veneza, onde venceu o Queer Lion.

 

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Sinopse: É tempo de Verão, mas a vida não é fácil. Pelo menos não o é numa pequena aldeia remota, encravada entre o mar e a serra, nos confins da Islândia. Que o digam os melhores amigos, Þór (Thor) e Kristján (Christian), enquanto um tenta conquistar o coração de uma rapariga, o outro descobre novos sentimentos em relação ao melhor amigo.

 

À parte: A Islândia é um país nórdico insular europeu situado no Atlântico Norte. Conta com uma população de pouco mais de 300 mil habitantes. Só a área metropolitana de Reiquiavique, a capital, abriga cerca de dois terços da população nacional. Em 2010 a primeira-ministra da altura, Jóhanna Sigurðardóttir, e a sua companheira, Jónína Leósdóttir, foram as primeiras pessoas a casar no país após a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

Votados a um isolamento forçado, não só por viverem onde vivem, mas também por serem adolescentes e não saberem lidar com as suas hormonas os jovens vivem dias de difíceis descobertas. O isolamento transcende da acção para o ecrã e das imagens para o espectador. É neste isolamento que reside a história que nos é contada. Um isolamento que é capaz de transformar os corações de pedra. De uma delicadeza tremenda e de uma fotografia deslumbrante, da responsabilidade de Sturla Brandth Grøvlen, a película é de uma beleza cuidada, mas de um vazio imenso. Este vazio é um recurso fácil para Guðmundur, mas é, na verdade, o grande trunfo do jovem realizador. É a este vazio que estão presos Thor e Christian e é este esvaziamento que marca as relações que têm entre si e com os que o rodeiam. É aqui que o filme também é rico. O tema da homossexualidade é tratado de forma muito delicada e muito discreta, o que é de admirar nos tempos que correm e num país que já teve uma chefe de governo homossexual. Esta discrição e contenção nas cenas que retratam os sentimentos das várias personagens é uma característica tipicamente islandesa, mas aqui pedia-se mais, muito mais. Isto aliado a uma realização lenta são o menos bem conseguido, fazendo com que haja um desinteresse gradual de quem vê, apenas voltando com o esperado clímax; contudo, por pouco tempo…

 

3 estrelas em 5

Luís Veríssimo