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É uma das peças mais esperadas da 33.ª edição do Festival de Almada. “Città del Vaticano” vai ser apresentada nos dias 8 e 9 de Julho no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. O encenador Falk Richter não esconde ao que vem: “O Vaticano é um sistema em larga escala corrupto, que acabará eventualmente por colapsar, graças à sua duplicidade e aos seus próprios crimes e mentiras.”

O espectáculo vem questionar os conceitos de família, identidade e pertença no mundo em que vivemos. Fala-se da larga maioria de população masculina que vive no Vaticano, da ausência de crianças, do Banco célebre pelos escândalos financeiros, para chegar ao âmago deste espectáculo: como é que a Igreja lida com a homossexualidade? Aqui os actores são também bailarinos. Há vídeo, música, nudez, provocação e até uma “boys band vaticana kitsch”. No confessionário um dos padres cantores assegura: “Excita-me esta gente toda a olhar-me nesta posição”. 

Como refere o encenador, “o Vaticano é uma velha instituição cristã. É quase sinónimo de Europa. Só que é bastante rico e encontra-se protegido por umas paredes bem altas. Por outro lado, estabeleceu uma escala de valores que ainda nos afecta a todos, baseando-se nos conceitos de masculino, feminino e sociedade que são muitas vezes conservadores, hetero-normativos e frequentemente repressivos. O Vaticano também não se confronta com os crimes horríveis que cometeu durante séculos”, declarou em entrevista ao jornal do Festival de Almada. “A Igreja Católica maltratou as mulheres, contribuiu para os crimes de ódio, racismo, homofobia – e tem havido padres colocados no topo da hierarquia católica que abusaram de crianças. O Vaticano condena oficialmente a homossexualidade, mas há lá muitos padres que são eles próprios homossexuais. Só que não o assumem abertamente”, considerou Falk Richter na mesma entrevista.
O espectáculo, falado em alemão, terá legendas em português. Integram o elenco os portugueses ou luso-descendentes Gabriel da Costa, Telmo Branco e Tatjana Pessoa.