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Nem na mata se encontram histórias assim

Livro de Conchita Wurst é publicado em Novembro

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“Uma história de vida interessantíssima e verdadeiramente inspiradora”: São oito palavras sobre o livro de Conchita Wurst. Foi assim que a responsável pela publicação do livro em Portugal sintetizou a obra que chega a Portugal precisamente daqui a dois meses.

Joana Neves é editora em Portugal do livro autobiográfico de Conchita Wurst. Na noite da actuação da cantora em Lisboa, o dezanove.pt esteve à conversa com a responsável pela publicação que vai mostrar a vida da artista austríaca em livro. “Eu, Conchita” chegará às livrarias a 6 de Novembro com prefácio assinado por Jean Paul Gaultier e edição da Pergaminho.

Joana Neves Pergaminho livro Conchita Wurst.jpg

Enquanto fã o que admiras na Conchita Wurst?

Conheci a Conchita primeiro como fã antes de ser sua editora e de ela sequer ter escrito o livro. É uma figura que sempre me pareceu muito simpática, mesmo só a conhecendo superficialmente como vencedora da Eurovisão, activista pelos direitos gay e não conhecia muito sobre ela. Achava, sobretudo, que  a ideia de um homem em drag ganhar a Eurovisão era uma coisa histórica. E sendo uma drag com barba parecia-me uma coisa extra.

 

O que mais te chamou a atenção?

O facto de ela ser uma figura, não digo polémica, mas que não era de todo consensual mesmo dentro da comunidade LGBT e isso deixou-me entusiasmada.

 

Como surgiu este projecto de publicar o livro autobiográfico de Conchita Wurst em Portugal?

Passado uns meses da vitória na Eurovisão começou-se a falar nas notícias da ideia dela escrever um livro. E foi uma daquelas coisas que, quase por coincidência, aconteceu. Um amigo meu que é agente literário pôs-me em contacto com o livro. Primeiro pensei que fosse apenas para ler porque a editora para onde trabalho, a Pergaminho, publica livros de auto-ajuda e inspiração e pensei: ‘Isto até cabia no nosso catálogo, até tinha a ver, mas não tinha assim muito’. Resultado: Gostei tanto das histórias que ela conta, das perspectivas que ela tem da sua própria vida, da maneira como ela constrói a sua personagem, a história por detrás da personagem… que estava perante uma riqueza muito para além de uma activista dos direitos LGBT: trata-se de uma pessoa muito mais completa, uma história de vida interessantíssima e verdadeiramente inspiradora e pensei:  ‘Se isto não é auto-ajuda, então não sei o que será!’.

 

Portanto o livro acaba por abordar essa vertente…

Esta história de superação, como dizem os espanhóis, é mesmo admirável. Não se consegue imaginar alguém discriminado dentro de uma comunidade discriminada. Ela representa isso de uma maneira visualmente imediata: é uma mulher, mas tem barba. Ela literalmente dá corpo a todas estas contradições que uma pessoa pode ser; foi isso que achei fascinante e decidimos publicar o livro.

 

Esta decisão foi consensual?

Até antecipei com algum pessimismo alguma resistência por parte da nossa equipa. Como a maior parte das editoras decidimos em comité que livros vamos publicar: no marketing, na área comercial, na direcção todos têm um input na decisão. Para minha surpresa, a decisão foi unanimemente de entusiasmo. Quando apresentei o livro, toda a gente - mesmo aqueles benfiquistas ferrenhos  (risos) - concordou que este era um tema da maior actualidade, que se tratava de uma personagem conhecidíssima e que fazia todo o sentido publicar este livro.

E assim restaurei a minha fé na humanidade e pensei que, se os nossos directores conseguem reconhecer o valor desta história, de certeza que a Conchita irá encontrar um lugar nos corações dos Portugueses.

 

Este ano, durante o Festival da Eurovisão em Viena, Conchita Wurst chegou a comentar que tinha apenas 26 anos de idade e que nunca conseguiria publicar um livro de quase 200 páginas. Daí que pensou como gostaria que o seu livro fosse e concluiu  que o mesmo teria de ter obrigatoriamente muitas fotografias. A versão portuguesa é igual, correcto?

Sim, é igual. Aliás são condições contratuais que temos de respeitar e as fotografias inéditas vão aparecer todinhas como nas outras versões.

 

Que outras reacções houve ao livro?

Curiosamente a única reacção negativa que tivemos em relação ao livro não foi aquela que se poderia esperar de ‘mas quem é esta pessoa, um homem vestido de mulher com uma barba, mas o que é isto?’, mas sim ‘mas esta criatura só tem 26 anos, como é que já está a escrever uma autobiografia?’. E isso é que é surpreendente: como é que alguém que só viveu 26 anos já viveu tantas coisas e tem uma maturidade surpreendente.

 

Qual a data prevista de lançamento?

Na primeira quinzena de Novembro o livro já está nas livrarias.  

 

E também na venda online?

Também. Na Wook, na FNAC, na Bertrand e em todo o lado.

 

Paulo Monteiro

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