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Nem na mata se encontram histórias assim

Medo e recalcamento. E uma infinita idiotia

 Carlos Reis comentador opinião.jpeg

No espaço público existem protagonistas políticos. E existem também os analistas políticos. E depois existem idiotas como o Henrique Raposo.

Pois bem, esse rapaz a quem o Expresso reserva um espaço para este produzir as suas ejaculações mentais, veio esta semana (e provavelmente à falta de assunto ou transido de medo com a chegada anunciada dos comunistas ao poder), tecer considerações sobre o "casamento gay".

Alega este rapaz, narrando a prosa imaginária de um amigo certamente ficcional e ficionado que o "casamento gay" matou a velha pureza da fraternidade masculina. Que "nunca mais haverá bandos de irmãos como antigamente, nunca mais entraremos num balneário ou caserna da mesma forma, alguma coisa se quebrou".

Depois logo a seguir a esta introdução candente ao tema seminal que Raposo se propõe partilhar com quem o lê, o nosso rapaz articulista entra logo a matar com a afirmação categórica de que "uma certa agenda gay convocou uma absurda carga de cinismo para as proximidades de qualquer relação entre homens."

O articulista socorre-se ainda da obra-prima de Herman Melville e espeta com a fala "we, the band of brothers" do Henrique V de William Shakespeare para ancorar o seu lamento e preocupação de que a amizade fraterna e platónica entre homens possa vir a ser reduzida a uma mera paneleiragem.

Chegado aqui desisti de o ler porque para isso teria de ir comprar aquela espessa folha de couve a que ainda se convenciona chamar de Expresso.

E como é óbvio prefiro andar na paneleirice da minha vida a ler os medos e recalcamentos dos outros.

Porque é apenas isto: medo e recalcamento. E uma infinita idiotia.

Não sei se o Raposo tem problemas de pila ou problemas com pilas. Ou com outras partes anatómicas dos corpos humanos. Desconheço se ele teve alguma experiência mais ambígua na adolescência. Se alguma vez se perturbou no duche depois das aulas de Educação Física no liceu do subúrbio que ele frequentou antes de ter ascendido socialmente para o eixo Lapa-Campo de Ourique. Não sei se sentiu algum frémito físico perante algum contacto ocasional com um másculo fraterno.

E se sente retroactivamente culpa ou temor por algum desses eventuais episódios.

Pela minha parte o "casamento gay" em nada afectou as minhas relações de amizade com os meus amigos homens: como eu e os meus amigos somos pessoas normais não temos problemas em que algum idiota como o Raposo possa fazer uma interpretação pseudo-psicológica retirando aferições ontológicas da natureza das nossas amizades.

Mas isso sou eu.

Compreendo perfeitamente que para ele talvez assim não seja.

É que para além de idiota o Raposo também é um bocado doente.

É que admitir que a amizade fraterna e platónica entre dois homens possa ficar maculada pela ambiguidade da dúvida, por causa de existirem na sociedade outros homens que juntos se amam, seria o mesmo que admitir que um homem heterossexual nunca pode ser amigo inocente de uma mulher sem que se veja constrangido a pensar que os outros pensam que lhe anda a saltar para a cueca.

Um doente é assim mesmo: reduz a realidade à projecção dos seus medos.

Provavelmente para o Raposo o ideal seria que os gays se pudessem manter escondidos para que ele e os seus amigos pudessem confraternizar à vontade sem receios de confusões.

Mas tenho outra solução para o Raposo-Macho-Alfa: deixar de se importar com o que os os outros pensam dele.

Inclusive nem sequer se preocupar com o facto de eu pensar que ele é um idiota,

Mas se outro for o problema, se a questão for a de algum assunto mal guardado no armário, infelizmente já não tenho grandes conselhos para lhe dar.

Excepto o de, para começar, parar de escrever estas imbecilidades.

 

Carlos Reis

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