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Moda: Um desfile-manifesto só com mulheres transexuais na passerele (vídeo)

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O criador brasileiro Ronaldo Fraga apresentou a sua colecção de roupa para o Verão de 2017 na última semana da moda de São Paulo.

Todas as 28 modelos do desfile, realizado no Teatro São Pedro, são transexuais, entre elas encontra-se a promissora modelo Valentina Sampaio, considerada a nova Gisele Bundchen. Valentina declarou à imprensa local: "Ronaldo deu voz a quem não tem voz, deu visibilidade a pessoas que são invisíveis. Todas as modelos do desfile eram trans e puderam contar uma história independente do seu género, afinal a genitália estava tapada. Então elas mostraram uma roupa com beleza, feminilidade e dignidade, como quaquer outra modelo faz. Foi muito lindo".

No início do desfile pôde ouvir-se uma gravação que explicava o propósito da iniciativa: "O corpo aprisiona e as roupas libertam o ser". Todas as modelos usaram um vestido praticamente igual. Mudavam apenas as estampas, inspiradas em bonecas de papel.

Antes do desfile começar, o estilista fez um discurso em que referiu: “Se aqui estamos falando do corpo como prisão do desejo, a roupa funciona como chave. As transgéneros se recordam do momento libertador em que usaram o primeiro vestido. Vocês verão uma colecção exclusivamente composta pelo mesmo vestido. Ela lembra o feminino de épocas glamourosas da década de 20, 30, 40. Parecem roupas de boneca de papel, como aquelas que encantavam as crianças antigamente. Mas a história não está na roupa, está nas vestes. Nesse universo complexo de género, identificação, corpo e desejo, a roupa é um escape. Para todos, aliás, e sempre, a roupa deveria ser um vector de apropriação do ser. Ela é capaz de libertar como mostra a memória do simples uso da primeira saia, do primeiro salto e do primeiro baton." No backstage, o estilista continuou: "Eu falo de amor, de resistência, que é olhar para os invisíveis, para quem o Brasil não vê. Tentar enxergar poesia em terreno árido. É algo que a moda pode fazer e não faz".

Recorde-se que o Brasil é o primeiro no ranking dos países que mais matam travestis e transexuais no mundo, de acordo com um estudo da organização não governamental Transgender Europe (TGEU), rede europeia de organizações que apoiam os direitos da população transgénero. Ao todo, entre 2008 e 2014, foram registradas mais de 604 mortes no país.

 

Assiste ao vídeo do desfile aqui: