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No passado pensou suicidar-se por ser gay. Este Sábado foi o árbitro de rugby mais importante do mundo

 Este Sábado a Nova Zelândia (All Blacks) venceu a Austrália (Wallabies) por 34-17 a contar para a final Rubgy World Cup 2015. A juntar a estas duas grandes equipas em destaque esteve um árbitro, mas não pelos motivos mais comuns.

Nigel Owens é o árbitro do momento. Apitou a grande a final e é o único juiz que se assume publicamente gay.

Naquela que é a sua terceira Copa do Mundo, Nigel Owens afirmou-se “humilde e honrado”, agradecendo a escolha e o apoio que lhe deram e continuam a dar, já que é reconhecido como um dos melhores. A carreira internacional de Nigel Owens começou em 2005 e desde essa altura tem vindo a progredir: é um dos dois únicos árbitros a apitar duas finais de Heineken Cup seguidas (2008 e 2009), tendo ainda estado numa terceira competição (2012). Estreou-se nos mundiais em 2007, meses antes de revelar a sua orientação sexual. Na altura deu diversas entrevistas onde receava o facto da sua carreira poder vir a terminar por ali. Contudo,o que aconteceu foi o oposto: É apoiado por todos dentro do mundo do rugby e reconheceu que essa foi a melhor decisão que podia ter tomado.

"A minha vida mudou, a minha arbitragem mudou. Se existe alguma coisa que ser árbitro exige é que temos de estar completamente concentrados nos 80 minutos. Se algo está na nossa cabeça, só atrapalha. Um árbitro feliz é um árbitro bom."

Desde então, além da fama dentro de campo, Nigel Owens passou a ser uma celebridade fora do terreno de jogo, tornando-se apresentador de programas de televisão no País de Gales e sendo nomeado, em 2007, como "Personalidade Gay do Ano no Desporto" pela associação britância Stonewall, que luta pelos direitos LGBT.

Neste percurso seguro, nem tudo foi fácil para Owens. Sem se assumir perante a família, esteve perto do suicídio em 1997, quando tinha 26 anos, “Eu estava a ‘definhar' muito rápido, para um lugar sem luz e sem saída. Uma noite fiz algo de que me vou arrepender para o resto da vida: escrevi uma carta de despedida para os meus pais a dizer que não podia continuar a viver, mas sem contar o porquê”, referiu à BBC numa entrevista recente.

"Deixei a minha casa naquela noite com uma espingarda, umas caixas de paracetamol e uma garrafa de whisky, e simplesmente dei uma volta na vila de Mynydd Cerrig uma última vez."

Por sorte, Nigel devido à combinação do medicamento e a bebida entrou em coma, acabando por ser hospitalizado “Se eu não tivesse entrado em coma, teria apertado aquele gatilho.”

A experiência de quase morte fez com que repensasse a sua vida: revelou aos pais que era homossexual.

"Eu tinha uma escolha, poderia continuar a viver uma mentira e continuar a apitar ou revelar tudo. Eu não estava feliz com a minha vida e não estava pronto para arbitrar. Já tinha feito algumas partidas internacionais e não me tinham corrido bem. Tomei a decisão certa pois sabia que da forma como estava, não seria bom árbitro."

Mas estava enganado e tudo correu bem.

 

Importante: Se és alvo de bullying homofóbico ou transfóbico contacta as autoridades policiais em qualquer localidade ou se te sentes isolado recorre a alguma das seguintes organizações de apoio às pessoas LGBT:

APAV - Associação Portuguese de Apoio à Vítima - Rede Nacional de Gabinetes 

API - Acção Pela Identidade

AMPLOS - Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género

Casa Qui - Associação de solidariedade social pela inclusão e bem-estar da população LGBT

ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero

Linha LGBT - Linha Telefónica de Apoio e Informação LGBT

rede ex aequo -  Associação de jovens LGBTI e apoiantes: geral@rea.pt

SOS Voz Amiga - um serviço de ajuda pontual em situações agudas de sofrimento causadas pela Solidão, Ansiedade, Depressão e Risco de Suicídio: 21 354 45 45,  91 280 26 69 ou 96 352 46 60.

 


Marta Santos