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Nous sommes tous Charlie*

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Esta quarta-feira, 7 de Janeiro, foi um dia trágico não só para a imprensa, mas também para o mundo. O mundo onde vivemos foi alvo de um hediondo ataque terrorista.

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Pelas 11h30, hora de Paris, menos uma hora em Lisboa, 2 homens, o terceiro terá ficado no carro à espera, vestidos de preto e de cara tapada entraram na redacção do jornal satírico Charlie Hebdo e dispararam para matar. Morreram 12 pessoas e 11 ficaram feridas, cinco delas em estado grave ou muito grave. Morreram dois polícias, um deles estava na redacção e fazia a protecção pessoal de Charb (Stéphane Charbonnier), director do jornal, que também foi uma das vítimas mortais, tal como os cartoonistas Georges Wolinski, Cabu (Jean Cabut), Tignous (Bernard Velhac) e Honoré (Philippe Honoré), dois colunistas do jornal Bernard Maris (economista) e Elsa Cayat (psicanalista), o revisor Mustapha Ourrad, Michel Renaud (antigo chefe de gabinete do presidente da Câmara de Clermont) e Frédéric Boisseau, porteiro do edifício.

Charlie Hebdo LGBT1.jpgBastaram pouco mais de 5 minutos para tudo acontecer. Logo de seguida começou uma intensa caça ao homem. Já a madrugada ia avançada quando o mais novo dos três suspeitos, Hamyd Mourad, de 18 anos, se entregou à polícia francesa, adiantou a agência France Presse. A polícia divulgou a identidade dos outros dois suspeitos, os irmãos Said e Cherif Kouachi, nascidos em França e têm 34 e 32 anos, respectivamente. Ainda se encontram a monte. A comunidade muçulmana de Paris já veio condenar este ataque. E foi decretado luto nacional em França esta quinta-feira, 8 de Janeiro. Em Lisboa, esta quinta-feira às 18h30, decorre uma concentração, nos Restauradores, pela defesa da liberdade de expressão. No Porto, a concentração está agendada para sexta, às 16h, junto à estátua de Almeida Garrett, em frente à Câmara Municipal.

Nas polémicas capas do jornal pudemos ver o casamento entre pessoas dos mesmo sexo a ser satirizado, uma referência ao “lobby gay” no Conclave, o Papa Francisco travestido ou o famoso beijo entre um cartoonista do Charlie Hebdo e um muçulmano. Estas e sobretudo os cartoons que envolvem o profeta Maomé e outras referências ao Islão têm causado muita celeuma entre os muçulmanos.

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Já em 2011 o jornal tinha sido atacado. A redacção que o Charlie Hebdo ocupava ficou completamente destruída quando uma bomba incendiária explodiu. Em Novembro desse ano, o dezanove escrevia que “Depois do beijo gay Charlie Hebdo quer fazer as pazes com o Islão”. Os fundamentalistas não quiseram fazer as pazes com Charlie Hebdo, nem com a liberdade de imprensa.
 

 

*Somos todos Charlie!
 

 

Luís Veríssimo