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Novo livro de Pedro Michel Parks sobre fé, orientação sexual e Segunda Guerra Mundial

 

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“O Amor em Tempo de Trevas” é o título do primeiro romance LGBT escrito em português por Pedro Michel Parks. Com um ponto de partida ligado à religião católica, o autor conta-nos a história de Klaus, um jovem alemão de 19 anos que namora com Mihael, um judeu, de 18 anos, em segredo.

 

A relação, que apenas é conhecida pelos seus amigos mais próximos, decorre ternamente bem, só que quando rumores de que secretas organizações planeiam um novo conflito mundial e de terríveis perseguições a judeus e a pessoas de outras etnias estão a ocorrer vêm ao de cima, o casal e os seus amigos apercebem-se de que algo globalmente aterrador se aproxima. A obra subdivide-se em duas partes. Na primeira, o autor começa por nos descrever as aparições da Virgem Maria em Fátima, aos três pastorinhos, na pacífica região de Ourém, Portugal, em 1917, para depois nos levar até ao território alemão e ao ano de 1932. Como refere o autor, é “um romance que não é pesado, é antes uma obra repleta de muita, muita acção, cheia de história, de questões e reflexões ligadas à fé com a orientação sexual, o porquê da Segunda Grande Guerra e até aonde se vai por amor.”

O lançamento do livro decorreu no Café Literário da Chiado Editora, situado em Lisboa, em plena Avenida da Liberdade. O dezanove esteve presente para conhecer um pouco mais do seu universo literário.

 

dezanove: Quem é Pedro Michel Parks enquanto autor de ficção LGBT?

Pedro Michel Parks: Tenho 24 anos e sou natural da ilha de São Miguel, Açores. Estudei Psicologia na Universidade de Évora e estou a fazer o meu primeiro mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidade da Beira Interior. Gosto de me descrever como escritor, católico, homossexual, conservador, sem nenhum partido político e anti-maçom. Descobri o gosto pela escrita desde cedo, sobretudo nas partes finais dos testes de Português onde escrevia as continuações das histórias que tínhamos lido no teste. Adorava! A minha imaginação voava e apressava o teste para chegar a essa minha parte favorita. E gosto de escrever sobre tudo: fantasia, o sobrenatural, o terror e o amor proibido. Também tenho a dizer que apesar de ser conservador defendo que a Igreja Católica deveria finalmente perceber que a homossexualidade é uma inocente condição de nascença que é impossível mudar.

 

Gosto de me descrever como escritor, católico, homossexual, conservador, sem nenhum partido político e anti-maçom

 

Como surgiu a ideia para este livro?

Na verdade não sei bem como surgiu. Sobre a obra, esta conta uma história de amor proibida homossexual durante a Segunda Guerra Mundial. Está escrita de maneira simples e apesar de se contextualizar numa época terrível da História, posso dizer que não é uma obra pesada. É claro que não deixa de retratar a dura realidade e difíceis factos que se sucederam durante a ascensão do nazismo. Porém, posso dizer com tranquilidade que felizmente não existem elementos suficientes para se categorizá-la como "pesada" para o público. Está também escrita de maneira muito simples de maneira a que todo o público a entenda, possui uma enorme riqueza historial uma vez que conta como eram as coisas nas décadas de 30 e 40, além de que também aborda o medo e a dificuldade em ser-se homossexual, ao mesmo tempo que se mantém uma relação amorosa do mesmo sexo em segredo em plena Segunda Guerra.

 

Do teu conhecimento, como descreves o mundo literário LGBT português?

A literatura LGBT em Portugal ainda é muito pobre. Ainda existem poucos livros e, aqueles que há, não nos representam bem e nem sempre dão os melhores exemplos. É preciso mais livros que transmitam esperança e dêem boas indicações. Já basta de livros eróticos, de drogas e de outros temas tristes. Precisamos de temas mais diferentes, mais positivos e penso que universo literário LGBT em Portugal só tem a ganhar se investir nisso.

 

Na tua biografia destacas como principais modelos de vida pessoal, Dennis Prager, Jordan Peterson, Blaire White e, inclusive, a própria Virgem Maria. Quem são, o que fazem ou o que fizeram, que tanto te inspira?

Dennis Prager é um radialista, escritor, orador e professor universitário norte-americano. Inspira-me devido à sua inteligência e sabedoria. Ele tem um canal no YouTube intitulado “PragerU”, onde fala sobre as mais variadas temáticas. Pode não ser uma referência LGBT, mas para mim é uma referência pessoal devido ao conhecimento que ele tem. Jordan Petterson vai na mesma linha de sabedoria e conhecimento que ele tem, como também, pela simplicidade e tranquilidade com que escreve e fala. Blaire White é uma youtuber norte-americana e que de momento se encontra num processo de mudança de sexo. Nos seus vídeos, com a sua corajosa e inspiradora frontalidade, ela consegue entrar em colisão com os lóbis existentes e eu, apesar de até achar bem que eles existam, sinto que por vezes exageram um bocadinho. Conservadora, como eu, chama-nos a atenção para que “sejas tu quem sejas, se fizeres parte de uma minoria, a tua pele não deve ser mais fina mas sim mais forte” porque vamos enfrentar muitos desafios e nós precisamos e devemos de ser mais fortes. É certo de que nem todos o conseguimos ser, mas devemos ao menos tentar sê-lo, para sermos felizes. A Virgem Maria é o meu exemplo de excelência com a sua coragem, bondade, força e pureza. Ela inspira-me a ser boa pessoa e a ser o melhor que consigo ser.

 

Recentemente o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, defendeu que é desaconselhável aceitar nos seminários, e por isso também no sacerdócio, homens que sejam homossexuais. Tendo em conta que a tua obra está muito ligada à religião o que pensas a cerca destas declarações?

É uma pergunta interessante. Dois pontos. O primeiro ponto que eu apresento no livro e volto a referir é a questão da fé. Se nós não escolhemos a nossa orientação sexual, seja ela qual for, se nós não estamos doentes, se isso não é uma questão de educação, se não é uma questão de influência ou de possessão demoníaca, a situação é a seguinte: Deus fez-nos assim. Viemos ao mundo assim e Deus está de muito bem connosco. Em relação às declarações do cardeal-patriarca de Lisboa, apesar de sentir que preciso de me informar melhor sobre tudo o que referiu publicamente, posso dizer que, relativamente aos homossexuais entrarem nos seminários e serem ordenados padres, eu não duvido que no ministério tenham surgido excelentes padres e excelentes freiras que foram homossexuais e bissexuais e até houve santos que foram assim. Eu não duvido disso. No entanto, eu não sou a favor dos homossexuais seguirem a vida religiosa, porque a meu ver, um homem homossexual no meio de vários homens ou uma freira lésbica no meio de várias mulheres, é algo muito semelhante a nós colocarmos uma mulher no meio de vários homens ou um homem no meio de várias mulheres. Encontramos sempre alguém mais atraente e, em vez de aquela pessoa ir para lá e estar com Deus, até porque a vida religiosa é tu estares com Deus, focares-te Nele e educares e orientares o rebanho na Fé, sinto que seguir esse caminho pode não ser o melhor. Mas que fique registado que a comunidade LGBT pode e deve estar em paz com Deus e, sobretudo, com ela mesma. Deus criou-nos assim. Porque haveríamos de estar mal com Ele e com aqueles (Maria, anjos e santos) que estão lá em cima a interceder por nós?


Não sou a favor dos homossexuais seguirem a vida religiosa, porque a meu ver, um homem homossexual no meio de vários homens ou uma freira lésbica no meio de várias mulheres, é algo muito semelhante a nós colocarmos uma mulher no meio de vários homens ou um homem no meio de várias mulheres

 

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Há alguém em especial a quem dediques o romance?

Sim e até há uma dedicatória do meu livro que eu gostaria de ler e partilhar: “A todas as vítimas do Holocausto Nazi, mas em especial a toda a população LGBT: passada, presente e futura que são tão perseguidos por simplesmente terem nascido da forma como O Senhor nos criou. Este livro é para vocês e espero que vos sirva de conforto, companhia, consolo e até de orientação em algum momento só, de dificuldade ou até mesmo de tristeza que estejam a atravessar. Se eu não chegar até vós, então ao menos que este livro chegue e faça aquilo que eu não conseguir ou puder fazer: dar-vos um abraço e oferecer-vos uma pequena luz no armário onde se encontram. Não percam a esperança pois Deus que nos criou assim nunca nos abandona, sem esquecer que também temos a Virgem Maria do nosso lado. Nós não estamos sozinhos! Também dedico esta obra aos meus fiéis amigos Ana Serpa, Beatriz Serpa e Luís Paulo Peixoto Serpa que sem a sua amizade não estaria onde estou, nem seria quem sou hoje. E também a Deus por ter-me concedido a grande graça de publicar este livro e ter estado sempre ao meu lado."

 

Onde podem os nossos leitores encontrar o teu livro?

Podem encomendar o meu livro online no website da Chiado Editora, como também da Bertrand e da Wook. Também têm a possibilidade de o adquirir nas livrarias a nível nacional.

 

Que conselhos tens para os leitores do dezanove que também queiram escrever um romance LGBT em português?

O primeiro conselho é que não desistam. Mesmo que a vossa família não vos dê aquele apoio, o que foi o meu caso. Segundo: criem uma história diferente, original. Terceiro passo: trabalhem, trabalhem e trabalhem, uma e outra vez na vossa obra. E por fim, voltando ao ponto do início, não desistam. Aconteça o que acontecer. Procurem essencialmente fazer uma boa história e ser originais.

 

Carlos Simões

 

 

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