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O que foram fazer 100 mil pessoas para o Orgulho de Maspalomas?

Tradicionalmente organizada durante o mês de Maio, a semana do Orgulho LGBT na estância turística espanhola de Maspalomas (Canárias) realizou-se este ano entre 16 e 26 de Maio. Para este ano, o tema das festividades foi a “Intercontinentalidade”, um conceito através do qual a organização procura romper barreiras entre países e reforçar a ideia de Maspalomas como um local que acolhe visitantes LGBT de todo o mundo, independentemente do género, raça ou religião.

A GLAY, entidade organizadora, explica que “é importante celebrar os anos de luta que foram necessários para se conseguir a actual liberdade de expressão e igualdade, mas importa também notar que, infelizmente, em muitos países do mundo, não existe esta igualdade, devido às leis e intolerância promovidas por certos governos”.

A organização estima que Maspalomas acolheu 100 mil visitantes durante este Orgulho e que este evento terá contribuído com 60 milhões de euros para a economia local. Tradicionalmente, mais focado no lazer e nas festividades, o programa deste ano trouxe uma componente cultural mais elaborada, incluindo uma exposição de arte, uma peça de teatro e a projecção de cinema de temática LGBT. No entanto, o grande destaque no programa são as inúmeras festas, que acontecem ao longo de toda a semana. O programa oficial incluiu festas de piscina, concertos, sessões de DJs, uma festa da espuma e claro, o maior evento de todos, a Marcha do Orgulho. Para além do elevado número de eventos do programa oficial, decorreram também outras festas e eventos organizados por muitos dos espaços de divertimento ou alojamento LGBT de Maspalomas.

Andreas, oriundo de Viena, explicou ao dezanove.pt que este é já o sexto ano que vem até ao Orgulho LGBT de Maspalomas. Viajou com o seu parceiro, também Andreas, e com amigos. Segundo explica, é a combinação de divertimento, sol e calor que o traz até Maspalomas. “Para além disso, é tão fácil fazer novos amigos de países diferentes e nós gostamos de conhecer pessoas.”

As festas e eventos realizam-se tanto durante o dia como à noite. Durante o dia, o destaque são as festas de piscina ou à beira-mar. Em 2014, a maioria das festas oficiais de piscina realizou-se no Axel, uma cadeia de hotéis que se auto-define como “hetero-friendly”. Aqui conhecemos Guillaume, um parisiense que explica que adora o ambiente festivo e a liberdade que encontra em Maspalomas. Brincando com os pés na água da piscina, Guillaume explica: “Adoro a liberdade que aqui existe. Qualquer um pode fazer e ser quem quiser. Ninguém julga ninguém e eu acho isso fantástico.” Cada festa teve um tema próprio, incluindo uma para as meninas, uma para os rapazes e até uma festa de piscina para o público com incapacidade a nível auditivo. O ambiente nestas festas foi tipicamente muito animado e facilita o contacto entre os visitantes LGBT oriundos de muitos diferentes países. Todos os dias, ao início da tarde, era possível ouvir o som de música de dança proveniente de uma das festas.

Em 2014 foram também organizados dois grandes eventos durante o dia: o T-Dance e o Wet & White. Ambos foram realizados em resorts à beira-mar e contaram com DJs de topo, dançarinos go-go e muitas outras atracções. Para os que preferem passar o dia na praia, as dunas de Maspalomas são uma das principais atracções da ilha. Os visitantes LGBT concentram-se junto ao quiosque número 7, numa zona onde o naturismo é habitual e aceite. Na praia encontrámos Pierluigi e Andrea, dois italianos de Roma. Este casal aprecia não só as festividades do Orgulho mas também gostam de visitar a ilha. “Este é o nosso segundo Orgulho LGBT de Maspalomas e desta vez, alugámos um carro e vamos dar a volta a toda a ilha. Queremos festa, mas também conhecer a ilha e experimentar a gastronomia local”, contam.

Finalmente, outra opção durante o dia é relaxar na piscina do Hotel. Em Maspalomas, existem vários hotéis dedicados exclusivamente ao público LGBT e, na maioria, o naturismo é permitido. Para os mais atrevidos, é possível optar pelo Basement, um pequeno hotel apenas para homens e com uma forte componente de libertação sexual e hedonística. No Basement, o dress-code naturista não é apenas permitido, mas encorajado. Mesmo não sendo hóspede, é possível passar o dia na zona de piscina e bar e aproveitar as zonas de “cruising” do espaço.

À noite, todos os caminhos vão dar ao Yumbo, um centro comercial ao ar livre. Neste espaço, encontra-se a maioria dos cafés, bares e outros espaços de diversão nocturna de Maspalomas. É também no Yumbo que se localiza o palco principal do Orgulho LGBT. Foi neste palco que, em todas as noites, diferentes espectáculos animaram o público, incluindo a eleição do Mister Gay Maspalomas e ainda uma actuação do grupo alemão Cascada.

No Sábado, realizou-se a Marcha do Orgulho LGBT de Maspalomas. Este evento atrai milhares de pessoas, incluindo muitos habitantes da ilha de Gran Canaria, que decidem assistir ou mesmo juntar-se à Marcha e divertirem-se com os visitantes LGBT.

Maspalomas é uma localidade do Sul da Ilha de Gran Canária, que inclui várias resorts tais como a Playa del Inglés. Estas são zonas essencialmente turísticas que beneficiam de um clima quente e solarengo durante praticamente todo o ano. Logo, enquanto no centro e norte da Europa as temperaturas ainda são amenas, em Maspalomas as temperaturas são perfeitas para organizar o Orgulho LGBT e daí este ser tradicionalmente o primeiro grande evento de Orgulho LGBT no calendário europeu.

É possível voar de Lisboa para Las Palmas de Gran Canaria em voo directo com a companhia Binter Canarias e a partir do Porto com a Ryanair. É também relativamente rápido voar via Madrid. Os preços dos voos, alojamento, refeições e bebidas são, em geral, bastante em conta.

 

Rui Silva, em Maspalomas