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“Parece-me tão relevante que a Ellen Page saia do armário como a Batwoman, ambas são referências”

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A luta dos super-heróis e super-heroínas pela visibilidade LGBT nos comics norte-americanos. Este poderia ser o ponto de partida da palestra de Luís Soares, que decorre este Sábado na Fábrica da Pólvora (Barcarena, Oeiras), entre as 18h30 e as 19h30. “Sair do Super Armário: Super Heroísmo vs. Heteronormatividade” será o tema da intervenção, integrada numa iniciativa organizada pela editora Qual Albatroz. A apresentação de Luís Soares (designer de 39 anos e leitor de comics há 33 anos) tem despertado tanta atenção que esta é a sua quarta conversa sobre o tema. A primeira decorreu no Centro LGBT no ano passado. A entrada é livre. 

 

 

dezanove: Que explicação encontras para que agora seja frequente a revelação da orientação sexual de personagens de BD homossexuais?

Luís Soares: Diversidade e representatividade. Existem pessoas LGBT em ambos os extremos da equação. Há as que produzem as histórias, escrevem, ilustram e editam, e há as que consomem e todos e todas querem mais visibilidade para a comunidade. Apesar de fantasioso, o universo ficcional onde estas personagens habitam pretende ser um reflexo do mundo real e, uma vez eliminados os constrangimentos impostos pelo Comics Code, um código de conduta arcaico a que a indústria dos comics se impunha, os autores e editores viram a possibilidade de poderem enriquecer os personagens com diferentes nuances que antes não tinham sido tão exploradas — etnicidade, religião, sexualidade e identidade de género. Em todo caso nada é inocente, maior diversidade significa que um número mais alargado de pessoas se sintam identificadas com as personagens e isso resulta num maior potencial de comercialização.

 

Houve algum destes exemplos de coming out que te tenham surpreendido?

Não sei se surpresa será a melhor expressão, mas talvez o coming out do Homem de Gelo (Bobby Drake) dos X-Men, foi uma boa novidade e veio enriquecer a personagem. Eu estou é surpreendido por alguns personagens que claramente são LGBT ainda não terem feito um coming out à séria, mas vou aguardar.

 

Eu estou é surpreendido por alguns personagens que claramente são LGBT ainda não terem feito um coming out à séria, mas vou aguardar.

 

Como é que a comunidade de fanáticos de comics tem reagido a este processo de coming out de personagens LGBT? De uma forma natural?

Os fanáticos mais conservadores reclamam sempre. Se mudam a cor do uniforme de um personagem isso é razão para saltar de uma ponte porque a vida deixou de fazer sentido. Posto isto, acho que as piores reacções foram sempre relativamente a alterações que envolvam uma mulher substituir um papel tipicamente masculino, como aconteceu com o Thor, ou um personagem branco ser substituindo por um afro-americano, como aconteceu com o Miles Morales como Homem Aranha. Aparentemente estes fanáticos são mais misóginos e racistas do que homofóbicos.

 

A introdução destas personagens tem um papel social importante?

Claro que sim, representatividade e mainstreamização é essencial para todos. Comunidade LGBT e não só. A visibilidade das pessoas LGBT está activa em todos os meios, desde a telenovela da noite até aos comics. Parece-me tão relevante que a Ellen Page saia do armário como a Batwoman, ambas são referências. Para pessoas diferentes e em contextos diferentes, bem entendido, mas ambas são influentes. Ainda por cima o filão dos super-heróis e super-heroínas está a ser explorado em meios de grande visibilidade como a televisão e o cinema, que chegam a uma maior audiência do que os comics. Logicamente é de esperar que as saídas do armário que acontecem na BD transitem para os restantes meios como já está a acontecer com algumas personagens do “Arrow” a serie da CW inspirada no Arqueiro Verde (Green Arrow). 

 

Qual a importância da sexualidade de uma personagem de BD na afirmação do seu carácter?

As histórias são tão boas como as personagens que as protagonizam. Personagens mais tangíveis, tridimensionais e relacionáveis podem protagonizar situações mais interessantes enriquecendo o enredo que resulta em melhores histórias. Se calhar estou a simplificar, mas se todos os heróis forem homens ricos, brancos e heterossexuais as histórias não têm piada nenhuma.

 

Tens alguma personagem de BD LGBT de que gostes especialmente?

A minha predilecção vai para um casal um pouco mais obscuro e menos badalado, o Midnighter e o Apollo. Porque desafiam estereótipos, porque foram criados para ser uma referência directa aos heróis mais conhecidos do mundo, o Super Homem e o Batman. No entanto, são tão mais agressivos no seu trabalho, mais pragmáticos nas suas soluções ao mesmo tempo que são ultra carinhosos um com o outro (o Super-homem e o Batman também são mas não é a mesma coisa). Estes personagens já passaram por muito nas mãos dos editores mas vão ser recompensados com seu próprio título (uma mini-série de seis edições) que sai já em Novembro. 

 

Para quem quiser ler BD LGBT, tens algumas sugestões que consideres obrigatórios/essenciais?

Editado pela Vertigo, “Sandman” do Neil Gaiman e “Y the Last man” do Brian K. Vaughan. Da Marvel, mais na onda dos super-heróis “Runaways”, também do Brian. Da DC, “Gotham Central” escrito pelo Greg Rucka e “Batwoman” também pelo Greg. Sem ser do universo dos comics, tudo da Alison Bechdel, em especial o “Fun Home”.

 

Podes deixar um convite aos nossos leitores para que marquem presença na tua apresentação este Sábado?

Claro que sim, eu e a Qual Albatroz gostaríamos muito que estivessem todos presentes este Sábado, dia 22, na Fábrica da Pólvora, a partir das 18h30 para assistir à conversa (odeio a palavra palestra) “Sair do Super Armário”, onde as questões que atabalhoadamente tentei responder aqui por escrito, vão ser abordadas com mais detalhe e com o auxílio de bonecos.

 

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