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Revista brasileira aborda o tema das crianças transgéneros

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Do outro lado do Oceano Atlântico; mais especificamente no Brasil; as redes sociais, os meios de comunicação e a sociedade conservadora ferveram nos últimos dias ao ver a capa de uma das mais importantes revistas sobre Educação do país, a “Nova Escola”. Na capa da edição, que chegou às bancas a 11 de Fevereiro, há uma criança transgénero de cinco anos de idade.

Romeo Clarke não é uma criança brasileira, mas oriunda da Grã-Bretanha. Isto já mostra o quão difícil é abordar e encontrar crianças transgéneros e famílias dispostas a falar abertamente sobre o tema no Brasil.

No entanto, três transgéneros brasileiros dão o seu testemunho na reportagem. Iana Mallman, de 18 anos, ex-aluno de escolas públicas e privadas de Brasília (capital do Brasil); Roberta Lomanco Macchia, de 13 anos, aluna do ensino particular em São Paulo e Emilson (que preferiu não dar mais informações pessoais), estudante de uma escola pública do Rio de Janeiro.

 

O quê eles têm para dizer

Para a grande reportagem promovida pela revista brasileira, Iana diz que nunca teve uma postura feminina, nem gostava de usar vestidos ou acessórios no cabelo. “Por causa dos meus trejeitos, da maneira que eu me vestia, fui alvo de comentários na escola particular em que estudava”.

A educação brasileira é uma das principais ferramentas de segregação no país. Escolas particulares abusam de mensalidades altas para o padrão de vida do brasileiro, enquanto as escolas públicas são instituições, geralmente, de baixa qualidade, com salas de aulas super lotadas. Ricos, que por vezes são de famílias fundamentalistas, acabam sendo coniventes com a homofobia. “Fui repreendida por não me sentar com as pernas cruzadas ou os joelhos encostados, como uma menina deveria” conta Mallman à revista.

A homofobia institucionalizada na educação brasileira não é o único problema dos transgéneros e homossexuais do país. A adolescente Roberta comenta que um dia “estava voltando de um passeio promovido pela escola. Tinha andado o dia inteiro e resolvi tirar a blusa de moletom [casaco com capucho]. Quatro meninos me encurralaram num canto do ônibus e tentaram tocar meus seios”.

No caso do Emilso, ele se considera agénero. Ou seja, ele não se identifica nem com o sexo masculino, nem tampouco com o sexo feminino. De escola pública, ele conta do primeiro dia que usou uma saia: “Um dia, uma amiga deixou comigo uma saia do uniforme. Decidi ir à escola com ela. Ouvi uma piadinha ou outra, mas meus colegas de  classe não se importam. Na última aula, fui chamado à sala de gestão, onde estavam o coordenador pedagógico e a directora adjunta. Ela começou dizendo que tinha contato com as discussão de género desde a faculdade. Também argumentou que, na Escócia, era normal que homens usassem saia, mas aqui no Brasil não. O fim das contas eles queriam que eu tirasse a saia”.

 

Cenários

O Brasil é um país de diversas faces. A sua extensão continental, de grande diversidade étnica e religiosa o torna tão plural em que é preciso observar diversos cenários sociais que acontecem. Por exemplo, no início de Janeiro de 2014, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (do Partido dos Trabalhadores – PT) assinou uma lei que autoriza o benefício salário mínimo brasileiro, cerca de 260 euros, para as travestis da cidade para que elas possam sair da prostituição (profissão não regulamentada no país e criminalizada moralmente) e assim custearem seus estudos.

Ao mesmo tempo, a presidente da república Dilma Rousseff, do mesmo partido, negou a aprovação de um kit educacional que seria distribuído aos professores da rede pública para melhor explicar a diversidade sexual em salas de aula; e assim tentar diminuir a LGBTfobia. Além de também, já no passado, ter negado um projecto de lei que criminaliza atentados contra homossexuais. Depois de ganhar as últimas eleições a sua postura parece, no entanto, ter evoluído.  E recorde-se que o casamento homoafectivo só foi permitido no Brasil por meio de uma decisão do Judiciário, e não como um resultado do debate no Congresso.

 

Leia a reportagem completa da revista Nova Escola aqui.

 

Nelson Neto, no Brasil