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Bissexualidade em debate no "Você na TV" (com vídeo)

Na última quarta-feira, o tema de uma rubrica do programa “Você na TV” (TVI) foi dedicado à bissexualidade. Em estúdio estavam o psicólogo Quintino Aires e a escritora Luísa Castel-Branco.

"É a minha primeira vez"

Na tarde de Sábado muitos foram aqueles que a partir dos passeios viram a Marcha do Orgulho LGBT passar. Uns juntavam-se, outros ficavam-se pela observação. O dezanove.pt quis saber o que passa pela cabeça de quem vai à marcha para marchar ou para ver marchar. E porquê.

O que se dizia no Mega Pic Nic do Continente sobre a Marcha do Orgulho

Tarde de sol em Lisboa. Para a Avenida da Liberdade estava estimado cerca de meio milhão de pessoas. Algumas toalhas aos quadradinhos entre galinhas, vacas, pepinos, alfaces e girassóis e música bem alta como pano de fundo. Falamos do Mega Pic Nic do Continente que visa promover a promoção da produção nacional e que decorreu esta tarde em simultâneo com a Marcha do Orgulho LGBT na capital.

Uma oportunidade para o dezanove sair à rua e saber o que os adeptos dos piqueniques e os fãs do Tony Carreira pensam sobre a temática LGBT.

Marcha Porto: Do Bolhão à Ribeira porque “para tristezas já bastam os impostos que temos de pagar”

Enquanto as palavras de ordem ecoavam nas ruas da Invicta, o dezanove quis saber o que pensavam os tripeiros de gema, e não só, que se cruzaram com a manifestação do Orgulho LGBT deste Sábado. Uma recolha de opiniões que começou na Praça da República e só parou na Ribeira, com uma passagem pelo sempre obrigatório Mercado do Bolhão.

 

Rui Martins, 45 anos, assiste à porta do supermercado aos preparativos do início da marcha na Praça da República. “É a manifestação da terceira via, não é? O conteúdo não sei”, comenta. “Acho bem a tudo [os mesmos direitos para os LGBT]” E quanto à adopção? “As pessoas têm de compreender que a modernidade leva a isso. O mal do mundo não é isso. É a ganância. Os homossexuais não me incomodam nada”, completa.

Elsa Gabriel, casada e com 53 anos, acompanha Rui e refere que só ficou a saber que ia decorrer a Marcha quando foi ao supermercado. “Um amigo meu que é homossexual não é a favor do casamento e eu também não sou, mas acho que devem ter os mesmos direitos”, diz Elsa. “O meu amigo não adere a estas coisas, talvez por ser uma pessoa conhecida”, declara.

 

José Luís, 33 anos, também na Praça da República, não hesita em descrever a Marcha: “É um comício gay e eles reivindicam os direitos deles a nível de sexualidade como qualquer ser humano.” E acrescenta: “Cada um gosta do que quer, não somos todos obrigados a gostar do amarelo. Acho que em Portugal não estamos preparados para ver dois homens num café aos beijos e aos ‘apalpanços'. Para mim e para o meu filho seria estranho. No entanto, não temos o direito de julgar, porque não somos ninguém. Conheço bastantes gays e só não gosto dos gays femininos.” Na opinião de José Luís, os gays são pessoas mais cultas, com alta formação, sabem falar e por isso têm capacidade de educar crianças, porque isto [homossexualidade] “não se pega”.

 

À entrada de Rua de Santa Catarina, duas amigas espreitam à porta de uma loja e dizem ao dezanove que não têm nada para comentar sobre a Marcha. “Agora o mundo é como quer. É uma moda. Eu só sei que ainda querem mais direitos. Já se podem casar e agora querem perfilhar. Acho que estão a pedir de mais”, diz Maria José. “Eles são felizes assim, a vida é deles… Para tristezas já basta o governo e os impostos que temos de pagar”, contrapõe a amiga Isaura. Maria José comenta que não conhece nenhum homossexual, a não ser “os travestis que andam aqui na rua”, uma figura pública que ia “ao bar dos gays” e a filha de um vizinho de Vila do Conde que tem “uma profissão de homem”. A amiga Isaura volta a discordar: “As profissões não têm nada a ver, se fosse pelas profissões não havia mulheres polícia e agora na tropa. Não podemos entrar por aí.”

Miquelina, 78 anos, assiste à marcha com o marido José Augusto na soleira de uma loja da Rua de Santa Catarina. “Para nós está tudo bem.” Afirma não conhecer homossexuais, “só ouço falar”. Uma provocação: estará uma criança melhor num orfanato do que com um casal de homossexuais? Miquelina é peremptória: “com um casal, claro. Todos têm os seus direitos, os gostos são relativos, no tempo de antigamente é que não podia ser, [os homossexuais] são pessoas educadas, respeitam as pessoas.” Ainda tentamos ouvir a opinião de José Augusto, mas a esposa rematou com “as crianças têm de ser preparadas para tudo e os seniores também. Acho giro. As pessoas têm de transmitir aos outros o que querem e o que são.”

 

Enquanto os manifestantes estavam sentados na Rua de Santa Catarina, o dezanove foi falar com um grupo de jovens, três espanholas e dois portugueses. “Viemos cá por causa deste nosso amigo. Sempre soubemos que ele era [homossexual] e estamos aqui para o apoiar”, dizem.  

 

 

 

Ao lado do mercado do Bolhão, Isabel Cunha Lopes e Fernanda Pereira, na casa dos 50 anos, desciam a rua de forma apressada. Saberão qual foi a manifestação que estava a decorrer? “Não sei, sei que era alguma coisa revolucionária, ouvi a Grândola Vila Morena e outra do Sérgio Godinho”, conta Isabel. Depois de informada, Isabel diz-nos que não tinha associado estas músicas à manifestação dos homossexuais. E acrescenta: “lá por eu não ser, desde que não interfira com a minha vida está tudo bem. Concordo com tudo.” E relembra a opinião da neta de oito anos: “Normal não é, mas temos de respeitar toda a gente”. Fernanda Pereira remata “a cor da pele, a raça, a política das pessoas não interessa, o que interessa é a chave da paz, não da guerra.” 

 

Cecília Lee, Lorraine Wer e Maria Yi, com cerca de 20 anos, são umas turistas chinesas de passagem pelo Porto. Contam logo que na China existem muitos gays, mas não existem marchas do orgulho gay. Confidenciam que na China a cultura gay é considerada “cool” especialmente pelos mais novos. E despedem-se dizendo: “We support gay rights”.

 


Mais fotos dezanove no Facebook.

Marcha Lisboa: "Não parecem nada homossexuais!"

Ao longo do percurso da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa, entre a Praça do Príncipe Real e o Martim Moniz, centenas de pessoas assistiam à passagem dos manifestantes.

Fernando Guimarães, 50 anos, indiferente à manifestação que passava na rua D. Pedro V, dizia ao dezanove que "na minha opinião pessoas assim têm todo o direito a existir”, mas ressalva "agora se isso corresponde à minha maneira de ser ou viver..."

Na mesma rua, Venla, finlandesa, assiste com um amigo à manifestação. Ambos estão de férias em Portugal. Ele tira fotos sucessivamente, enquanto Venla afirma que "esta marcha não é lá muito grande, podia ser bem maior". Questionada se as marchas na Finlândia tinham mais participantes, acaba por dizer que são do mesmo tamanho. Aliás, também na Finlândia, "apenas nas grandes cidades e na capital é que as pessoas aceitam com naturalidade a homossexualidade", comenta.

 

De seguida chegamos à fala com Ana Ferreira, 37 anos, colaboradora numa loja da mesma rua: "É a primeira vez que assisto. Foi uma grande surpresa. Acho bem e têm todo o meu apoio porque há espaço para todos. A finalidade é sermos felizes, não é?"

Já com vista para o miradouro de S. Pedro de Alcântara, o dezanove foi recolher a opinião de dois italianos, Michela e Vicenzo. "Soube da marcha há dois dias e decidi vir porque sou amiga dos homossexuais" informa Michela que é oriunda da Calábria. "Resolvi trazer o meu amigo gay italiano". Em resposta à caracterização da situação em Itália, Michela diz que "é bem pior. As pessoas não se podem casar com quem querem e existem casos de muita homofobia".

Na rua da Misericórdia, Maria na casa dos 75 anos assiste na soleira de uma porta com uma amiga à marcha: "Ainda não me tinha apercebido que eram homossexuais". É a manifestação reivindicativa dos direitos dos homossexuais, bissexuais e transgéneros, informou o repórter. "Ai é? Mas não parece nada, parecem-me pessoas iguais às outras". Instigamos a mais umas declarações, a que a entrevistada diz ser melhor não dizer mais nada, não vá o marido não achar muita piada. Mesmo assim diz: "Eu cá acho que cada um faz o que quer da sua vida. Felicidades e que corra tudo bem!", não sem antes afagar o braço do repórter.

Na Praça da Figueira, Patrícia e Ruben levam uma criança de quatro anos pela mão que acaba de assistir à marcha. "Problema ela ver a marcha? Não há problema nenhum" dizem sorridentes. E a marcha lá continuou para o Martim Moniz.

 

 

Mais fotografias da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2010 aqui.