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“Uma Mulher Fantástica” triunfa nos Óscares 2018 (com vídeos)

 

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Nos Óscares de 2018 havia várias nomeações que consideradas LGBTI: “Chama-me Pelo Teu Nome” recebeu quatro nomeações, “Uma Mulher Fantástica” uma e Richard Jenkins estava nomeado para Melhor Actor Secundário no filme “A Forma da Água”.

 

E “A Forma da Água” (“Shape of Water”, 2017) de Guillermo del Toro, Richard Jenkins tem um daqueles papéis tipo num filme que mesmo sendo de grandes efeitos especiais se concentra mais nas personagens e as faz crescer, nem que seja um pouco. É o típico melhor amigo da protagonista, mas que Jenkins consegue fazer sobressair num filme por vezes demasiado cheio. Giles é um homem gay, que na sua alegria de viver é, na verdade, um homem amargurado, preso no seu tempo, no mundo dos musicais, que vive à margem, numa sociedade armariada que não o valoriza. Foi por estas razões que o actor foi nomeado, mas, numa categoria tão competitiva, vencer seria muito difícil.

“Chama-me Pelo Teu Nome” (“Call Me By Your Name”, 2017) de Luca Guadagnino ganhou apenas um Óscar, Melhor Argumento Adaptado. À quarta nomeação e com quase 90 anos James Ivory conseguiu finalmente levar o tão desejado prémio para casa. A categoria de argumento adaptado era a única em que realmente o filme poderia triunfar. Nas de Melhor Actor Principal (Timothée Chalamet) e Melhor Filme a esperança era muito remota. Já na de Melhor Canção, “Mystery of Love” de Sufjan Stevens ainda havia alguma expectativa, mas a categoria este ano estava muito renhida.

 

Para apresentar a performance de Sufjan Stevens foi convida Daniela Vega, a actriz protagonista de “Uma Mulher Fantástica” (“Una Mujer Fantástica”, 2017) de Sebastián Lelio. Daniela fez história ao tornar-se a primeira pessoa trans a pisar um palco dos Óscares em 90 anos de entregas. Vega não conseguiu a nomeação para Melhor Actriz, mas o filme candidato do Chile conseguiu “roubar” o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro a “O Quadrado” (“The Square”, 2017) do sueco Ruben Östlund. Esta categoria é das mais imprevisíveis dos Óscares. Poucos anos há em que os prognósticos acertam. Este ano foi o caso. Mas a história de Marina, uma mulher transgénera que trabalha como empregada de mesa durante o dia e à noite como cantora em casas nocturnas, que é atropelada pela morte de um antigo namorado conseguiu triunfar sobre a sátira humorística dos tempos modernos onde uma controversa exposição é o mote para pensar a pobreza dos países do Sul versus a grandeza dos países do Norte. O triunfo de “Uma Mulher Fantástica” não era previsível mesmo tendo conquistado no Festival de Berlim três prémios: Menção Honrosa do Júri do Prémio Ecumenical, o Urso de Prata para Melhor Argumentos e o Teddy Award.

 

 

Luís Veríssimo