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Campillo de Ranas, "a capital europeia" do casamento entre pessoas do mesmo sexo

Campillo de Ranas é uma pequena cidade espanhola que fez notícia porque o presidente da câmara local pretendia torná-la a capital europeia do casamento entre pessoas do mesmo sexo.




Corria o ano de 2005 quando o parlamento espanhol aprovou a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adopção. Em algumas cidades espanholas, como por exemplo Valladolid, os presidentes de câmara (que oficiam os casamentos civis) interpuseram recurso contra a implementação da lei. É aqui que entra Francisco Maroto (sic), o Presidente da Câmara de Campillo de Ranas, uma pequena cidade com apenas 50 habitantes perdida nas montanhas de Guadalajara. Maroto quis mostrar que a luta do preconceito pode começar em qualquer lugar e que iria permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 

Em 2007 Andrés Rubio decide transformar a história de Campillo de Ranas num documentário, que já foi exibido no Queer Lisboa em 2008, e hoje será reposto na RTP2 às 23:45. No documentário é retratada a história de Ray e Pepe que vão a Campillo para se casar.


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Q: É o Plano B e fecha o Queer Lisboa (vídeo)

 

Na Gala de Encerramento do Queer Lisboa 14, além de serem conhecidos os vencedores do festival, será exibida a longa-metragem argentina “Plan B” (2009) de Marco Berger. Depois da namorada Laura (Mercedes Quinteros) terminar a relação com Bruno (Manuel Vignau) e começar a namorar com Pablo (Lucas Ferraro), Bruno engendra um plano para se vingar. Laura, uma rapariga moderna, continua a ver Bruno. Este torna-se amigo de Pablo com o intuito de desgastar e minar a relação do casal, e de o apresentar a outras mulheres. Mas surge-lhe uma outra ideia mais eficiente, um plano B. Plano esse que vai pôr a sexualidade de ambos em causa.

Diz-se que a vingança é um prato que deve ser servido frio. Quando se formulam planos de vingança tem que se ter sempre em conta o inesperado, o imprevisto, o que não se consegue controlar. Sem grandes floreados, nem cenas românticas, este filme dá-nos um retrato verdadeiro de como não se deve brincar com os sentimentos e de como a paixão pode surgir da situação mais estranha, sem se estar à espera.

Marco Berger tem a astúcia e o desplante de nos dar a conhecer uma outra Argentina. Sem uma nunca imagem estilo bilhete-postal. Tal como as personagens do filme são pessoas que de tão comuns que o são se tornam únicas e singulares. É aqui que reside a tónica deste “Plan B”. Todos temos um plano para as nossas vidas, mas às vezes vemo-nos forçados a percorrer caminhos desconhecidos e isso é tão assustador, tal como o amor o é.

O filme “Plan B” integra a Gala de Encerramento do Queer Lisboa, que está marcada para as 21h de sábado, dia 25. O filme será antecedido da projecção da curta-metragem “14.3 seconds” de John Greyson. O Queer Lisboa vai entregar os prémios de melhor filme, melhor actriz, melhor actor, melhor documentário e melhor curta-metragem.

Luís Veríssimo

             

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Sacha Baron Cohen vai interpretar o papel de Freddie Mercury

Sacha Baron Cohen vai interpretar Freddie Mercury num filme sobre a vida do cantor da banda Queen.
O actor é mais conhecido pelos seus papéis cómicos em Borat ou Bruno, o jornalista de moda gay.
 
O projecto vai ser co-produzido por Robert de Niro e conta com o apoio dos músicos da banda, o guitarrista Brian May e baterista Roger Taylor que serão os consultores musicais.
 
Brian May disse à BBC que Sacha Baron Cohen já tinha expressado o seu interesse em interpretar o papel do cantor há dois anos. E acrescentou: “Temos o Sacha Baron Cohen, o que provavelmente será um choque para muita gente, mas ele tem estado em diálogo connosco há muito tempo. Ele faz parte deste projecto desde que começamos a falar seriamente com Peter Morgan há uns anos.”
 
O filme irá focar principalmente os dias antes da actuação dos Queen no Festival LiveAid em 1985.
 
Ainda não existe um realizador para o projecto, no entanto, sabe-se que será produzido pela GK Films com a colaboração da produtora Tribeca de Robert De Niro.
 
“Freddie Mercury era um artista inspirador e com Sacha Baron Cohen no papel principal, associado ao argumento de Peter Morgan e o apoio dos Queen, temos a combinação perfeita para contar a verdadeira história por trás do sucesso da banda" disse Graham King da GK Films.
 
Freddie Mercury morreu em 1991 devido a sintomas relacionados com o HIV.


 


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Portugal precisa de um dia que assinale a bissexualidade?

O dia da bissexualidade celebra-se internacionalmente a 23 de Setembro, aniversário da morte de Sigmund Freud, o primeiro teórico que falou da existência da bissexualidade.

 

Em Espanha a data será assinalada pela terceira vez pelas associações LGBT. Hoje às 19 horas será possível ver a maior bandeira bissexual da Europa junto às Puertas del Sol, local de passagem obrigatória daqueles que visitam Madrid.

Com as actividades previstas do outro lado da fronteira (em que se incluem ciclos de cinema, sessões de esclarecimento, manifestações, workshops e festas), pretende-se dar visibilidade à realidade bissexual, isto é, capacidade de uma pessoa se sentir emocional e sexualmente atraída independentemente do sexo ou género, não necessariamente ao mesmo tempo, nem com a mesma intensidade. Em simultâneo procura-se ultrapassar o preconceito de que “marcha tudo, seja homem ou mulher” relacionado com esta orientação sexual. Antonio Poveda, presidente da FELGTB (Federación Española de Lesbianas, Gays, Transexuales y Bisexuales) recorda que “tal como a bissexualidade é uma orientação com identidade própria, a bifobia é uma discriminação específica que devemos lutar com educação e visibilidade”. Durante o fim-de-semana decorrerá o Primeiro Encontro de Bissexualidade em Espanha em Getafe, nos arredores de Madrid.

Paula Valença, activista e fundadora do grupo Ponto Bi, não hesita em comentar ao dezanove que a letra B é a mais invisível” do movimento LGBT. “Isto deve-se a vários factores. As nossas lutas são, na maior parte, as mesmas da população lésbica, gay e trans. Movemo-nos nos mesmos círculos e, dependendo do contexto, somos frequentemente catalogados de heterossexuais ou gays/lésbicas ou simplesmente no armário.”

Mas quais são os preconceitos mais comuns que se um bissexual tem de lidar? “Os bissexuais sofrem de preconceitos e marginalização tanto de heterossexuais como de gays/lésbicas. Um dos mais frequentes é 'não existem bissexuais' ou variantes como 'tu não és bissexual, simplesmente ainda não decidiste/saíste do armário' ou que é uma fase, ou que estás confuso.” Mas há mais: “Outro frequente é que um bissexual não consegue ser fiel, que dorme 'com tudo o que se mexe' ou que eventualmente há-de trair o parceiro por alguém do sexo oposto. Por qualquer razão, muitas pessoas estão convencidas que bissexual significa estar com ambos os sexos ao mesmo tempo”, refere Paula Valença.

Apesar de não estar agendado qualquer evento para Portugal a propósito da data, Paula Valença deixa um conselho: recordar ao mundo que a bissexualidade existe. “Sei que há muitas pessoas que no seu espaço tencionam ser um bocadinho mais visíveis neste dia. Às vezes com algo tão simples como bradando a quem os ouvir que é o dia Internacional de Visibilidade Bissexual.”

 

Movimentos bi

O Ponto Bi “encontra-se em hiato”, refere a fundadora. No entanto, não quer dizer que a comunidade bissexual esteja parada. “Muitos activistas associados ao Ponto Bi estão em associações ou outros colectivos nos quais garantem a representação bissexual e uma das maiores necessidades como luta contra a bi-discriminação: educação. Há uns meses surgiu também uma associação com sangue novo em Coimbra, Associação B VisiBilidades, nascida de um blogue”, refere.

 

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Q: Um doc-romance a três entre Israel e Alemanha (vídeo)

 

O documentário “I Shot My Love” (2010, Tomer Heymann) conta uma história pessoal que é também universal, ao revelar-nos a relação amorosa e triangular entre o realizador, Tomer, o seu namorado alemão, Andreas Merk, e a sua intensamente israelita mãe, Noa Heymann.

O filme fala dos regressos a casa. Um regresso ao nosso lar - sim, o lar deles também é o nosso. É um regresso ao lar com vários significados. O nosso lar é onde nascemos ou é onde vivemos? Em 2006, Tomer e a sua mãe regressam à Alemanha onde os seus antepassados tiveram uma vida da qual fugiram durante o holocausto, para a apresentação do documentário “Paper Dolls” no Festival de Cinema de Berlim. Nessa viagem Tomer conhece Andreas, um affair de apenas 48 horas, que irá mudar a vida de todos. Mais tarde Andreas decide mudar-se com o namorado para Israel. Assim ambos regressam à Israel natal dos pais do realizador.

Será possível filmar o amor em forma de documentário? O realizador Tomer Heymann tenta através deste filme transmitir que é possível. É perfeitamente possível filmar todas as formas de amor de todas as formas possíveis. As histórias de amor são eternas, como os diamantes. Este amor de mãe e este amor de filho e este amor de casal é tão belo e maravilhoso como deveriam ser todos os amores.

A clara diferença entre dois mundos tão distintos, Israel e Alemanha. O eterno conflito israelo-palestiniano. A heróica história de sobrevivência de Noa. São a base deste doc-romance nada melodramático, apenas real e realista. As diferenças e as semelhanças são sempre evidenciadas de forma simples e crua. É este remexer na ferida que os apazigua nos momentos mais difíceis. É este apontar de dedo que intensifica o seu amor. São estes sentimentos que despoletam a discussão. Entretanto, os três protagonistas deste amor já regressaram novamente à Alemanha para a apresentação de “I Shot My Love” no Festival de Cinema de Berlim deste ano.

Num trailer muito inspirado com a música “Coming Home”, da israelita Hadara Levin-Areddy vemos algumas imagens filmadas no Metro de Lisboa.

O filme será apresentado hoje, dia 23, às 21h30 na sala 3, o realizador estará presente nesta sessão. Voltará a ser apresentado no último dia do Queer Lisboa, sábado, 25, às 19h15 na mesma sala.

 

Luís Veríssimo

 

 

 

 

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Passos Coelho não se opõe à lei de mudança de sexo

O PSD não deverá opor-se às alterações que o Governo e o Bloco de Esquerda pretendem introduzir no processo de mudança de sexo e que serão discutidas na Assembleia da República a 29 de Setembro. O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, foi hoje questionado, num debate online, sobre a lei que prevê agilizar a mudança de nome das pessoas transgénero no registo civil. “Não conheço a proposta. Em qualquer caso, mantenho a posição de princípio de que ninguém pode ser discriminado em face da lei como resultado das suas orientações sexuais, da sua religião ou das opções políticas, entre outras condições”, respondeu Pedro Passos Coelho. Apesar de o líder do maior partido da oposição não ter explicitado, a sua postura poderá traduzir-se em dar liberdade de voto à bancada do seu partido, o que por vezes ocorre nas chamadas questões de “consciência”.


Com a actual distribuição de mandatos parlamentares, PS e Bloco não conseguem aprovar as alterações à lei já que, sozinhos, não constituem uma maioria simples. A matemática parlamentar complica-se já que, à semelhança do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou da interrupção voluntária da gravidez, deverão existir, dentro da bancada do PS, deputados que não apoiam as alterações. Para a aprovação será, por isso, contar com votos favoráveis ou abstenções de outras bancadas parlamentares.



Miguel Oliveira



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Dark Horses: “Este não é um armário cheio de bolas de rugby”

 

Apesar da hora, há quem diga que não o vai perder por nada neste Queer Lisboa. A estreia do documentário sobre a equipa de rugby Dark Horses (DH) está marcada para esta quinta-feira, às 18 horas, no Cinema S. Jorge.

Filipe Almeida Santos é o treinador dos DH e revela ao dezanove que ter confiança na produtora foi o requisito fundamental para avançar com o documentário sobre uma equipa de rugby sem restrições devido à orientação sexual.

Vidas expostas em 50 minutos

A história é curta e a mensagem é simples e clara. A equipa quer passar “uma mensagem correcta dos valores que tentamos levar a cabo com este projecto desportivo. O Luís Hipólito e a [produtora] Mínima Ideia apresentaram-nos uma proposta inicial, que foi sendo trabalhada. Mais do que autorizar foi necessário confiar - afinal de contas são as vidas de muitos de nos que acabam por estar expostas”, explica o treinador de rugby.

Expectativas: “uma lufada de ar fresco” versus "folclore"

O treinador dos Dark Horses espera “que este documentário passe uma mensagem de desdramatização em relação às questões da orientação sexual de cada um e a forma como todos podemos - e devemos - conviver. Esperamos que possa ser uma lufada de ar fresco para muitos rapazes e raparigas que sentem que a sua orientação sexual os diminui de alguma maneira. Esperamos que possa ser um ponto de viragem numa abordagem às questões da sexualidade e da inclusão que não precisa de se agarrar aos estereótipos do 'folclore' habitual para conseguir fazer passar a sua mensagem”.

Visibilidade: “Ninguém é melhor ou pior por isso”

Dos cerca de trinta membros da equipa Dark Horses, nem todos aceitaram dar a cara no documentário que depois do Queer, passará em data a divulgar na RTP2. Filipe Almeida Santos diz que houve jogadores que, por motivos profissionais ou pessoais, preferiram não dar um testemunho directo: “Ninguém é melhor ou pior por isso, cada um fez a gestão que entendeu do seu grau de exposição. Mas creio que são testemunhos suficientes para quem, no início deste projecto, achava que este não passava dum grande armário cheio de bolas de rugby”, defende.

No Porto também existe uma equipa de rugby em que a orientação sexual não é impedimento para praticar desporto. Para Filipe Almeida Santos, “sejam os Oporto Spartans, sejam outras equipas de rugby ou de outras modalidades quaisquer, creio que todos os projectos que tenham estas características - incluir e não discriminar - são não só bem-vindos como desejados. Nós fomos apenas o início do que gostávamos pudesse vir a ser uma grande bola de neve”.

As metas dos Boys Just Wanna Have Fun Sports Club

O treinador da equipa anuncia que a associação Boys Just Wanna Have Fun Sports Club pretende consolidar a equipa de rugby e poder vir a desenvolver mais modalidades.

No âmbito do orçamento participativo da Câmara Municipal de Lisboa, a associação propôs a criação de um campo de rugby municipal. Qualquer munícipe pode votar nesta proposta. Esta necessidade prende-se com a falta de condições existentes em Lisboa para treinar da forma mais correcta, explica Filipe Almeida Santos ao dezanove. A utilização de um campo de rugby no Estádio Universitário, por não-estudantes, ronda os 200 euros por hora. "A oito treinos por mês trata-se uma verba que não conseguimos suportar.” "Esperemos que a Federação Portuguesa de Rugby,  também se mobilize, todos são potenciais interessados na concretização deste projecto."

Em relação a outras modalidades, Filipe Almeida Santos afirma que a associação está aberta a "grupos de pessoas que sintam que possam encontrar na associação um tecto institucional/burocrático que lhes facilite a promoção e desenvolvimento de outra modalidade desportiva".

Quanto aos Dark Horses, o futuro passará por participar, no início de Junho de 2011, na Union Cup em Amesterdão, e por voltar a acolher em Portugal o Pitch Beach no final de Julho do próximo ano. “Até lá: treinar, treinar, treinar!” remata.

 

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Alison Goldfrapp hoje em Lisboa (vídeo)

 

Em Dezembro de 2009 o jornal britânico The Sunday Times, publicava uma notícia com o título “lésbicas de meia-idade”, onde em pouco mais de duas páginas eram relatadas as relações afectivas que algumas personalidades do Reino Unido mantinham com pessoas do mesmo sexo. Poucas horas depois, Alison Goldfrapp, vocalista e compositora do duo Goldfrapp, recebia um e-mail de um amigo que a felicitava pela excelente foto, em que estava acompanhada da namorada de longa data, Lisa Gunnin.

Alison Goldfrapp não manifestou qualquer tipo de reacção que condenasse a situação e poucos dias depois confessou à imprensa que não entendia o porquê de tanta surpresa, uma vez que a música, o look e os espectáculos do duo Goldfrapp sempre foram ambíguos e indefinidos, tal como ela, "não gosto de ser definida pela minha sexualidade, que muda tal como eu gosto de mudar. Também já tive relações amorosas longas com homens. Acontece que agora que estou com uma mulher”, disse a vocalista da banda.

A cantora, assumidamente bissexual, actua hoje, 22 de Setembro, às 21h00 no Coliseu dos Recreios em Lisboa para apresentar o seu quinto álbum de originais “Head-First”. Um espectáculo onde vai ser possível apreciar o melhor que a fusão da música electrónica com a música pop tem para oferecer.

 

        

 

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Mudança de sexo discutida no Parlamento no dia 29

 

Os deputados vão discutir no dia 29 a proposta de lei do Governo e o projecto do Bloco de Esquerda para simplificar a mudança de sexo e de nome próprio no registo civil. A decisão foi hoje tomada em conferência de líderes parlamentares, avançou a agência Lusa.

A proposta de lei do Governo, aprovada em Conselho de Ministros no início deste mês, regula o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil. A proposta de lei pretende simplificar o processo, já que transfere para o registo civil a competência da decisão, que até aqui estava nas mãos dos tribunais. O projecto de lei do BE vai no mesmo sentido. A ser aprovada a mudança à lei, será o culminar de uma antiga reivindicação da comunidade transgénero portuguesa.

 

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Q: Antonia San Juan, muito para além da personagem Agrado (videos)

Actriz, realizadora, argumentista, encenadora, dramaturga e compositora Antonia San Juan é este arco-íris de diversidade, talento e qualidade. Nascida em Las Palmas, Canárias, Antonia muda-se para Madrid com apenas 17 anos para representar obras clássicas. Mais tarde começou a trabalhar em bares, pubs e discotecas underground madrilenas. Foi neste ambiente tão seu conhecido que Pedro Almodóvar a foi buscar em 1999 para integrar o elenco de “Tudo Sobre a Minha Mãe” (Todo Sobre Mi Madre).


Antonia passou assim para o conhecimento e aprovação do grande público. Os seus monólogos, como o “Otras Mujeres”, são das representações mais elogiadas. A sua primeira realização foi a curta “V.O.” (2001), apresentada no Queer Lisboa de 2004, aquando duma retrospectiva da sua carreira. Esta curta foi muito bem acolhida pelos críticos, chegando a ser nomeada aos Goya, os prémios do cinema espanhol, para Melhor Curta-Metragem de Ficção.


“Tú Eliges” (2009), que pode ser novamente vista hoje no Queer Lisboa às 17h na sala 1, é a sua primeira longa-metragem. Esta comédia retrata num só dia três tramas paralela cujas decisões das várias personagens vão afectar a vida uns dos outros: os preparativos de uma festa para o lançamento de um disco, um encontro às cegas com consequências inesperadas, e a ruptura de um casal do mundo do espectáculo. É descrita pela imprensa espanhola como a obra-prima de Antonia San Juan. Com o objectivo de fazer um retrato agridoce e trágico-cómico da actualidade e da inevitabilidade das nossas decisões implicarem decisões de outros, Antonia com alguma facilidade consegue tocar nalgumas feridas da sociedade.


Agrado, a transexual que pretendeu sempre durante a sua vida agradar aos demais, foi a explosão na sua carreira. Recebeu na altura a nomeação para Melhor Actriz Revelação nos Goya. A sua suposta transexualidade causou alguma polémica então. Contudo, Antonia negou-a dizendo numa entrevista a um programa de televisão que “nasceu mulher e que se encaixou melhor no papel que lhe deu fama”. Ao jornal El Mundo, chegou a dizer: “Ao verem-na no filme de Almodóvar, muitos confundiram pessoa e personagem. Por vezes faltam-me até ao respeito porque precisam que eu seja a personagem”.


Luís Veríssimo





A informação mais completa sobre o Queer Lisboa está aqui

Q: Documentário dos Dark Horses: "Nunca nada do género foi anteriormente feito no nosso país"

 

Em contagem decrescente para a última das quatro produções portuguesas presentes no Queer Lisboa 14, o dezanove foi falar com Luís Hipólito e Margarida Moura Guedes, da Mínima Ideia, produtora responsável pelo documentário da equipa de rugby Dark Horses.

 

dezanove: O que levou a produtora Mínima Ideia a avançar para o projecto de acompanhar a rotina dos Dark Horses?

Mínima Ideia: O OK dos Dark Horses e da Direcção da RTP2 à proposta por nós apresentada. Como somos uma pequena produtora independente torna-se difícil avançar com um projecto destes, com muitos meios envolvidos, sem um financiamento.

 

O documentário tem a duração de 50 minutos. Quanto tempo duraram as filmagens? Que recursos estiveram envolvidos?

Duraram cerca de dois meses, com alguns interregnos pelo meio que tiveram a ver com o ritmo dos treinos da equipa, disponibilidade dos jogadores para as entrevistas e, com o timming do Pitch Beach, o torneio organizado pelos Dark Horses com participação de duas equipas estrangeiras. Os recursos são os habituais e imprescindíveis para um resultado final de qualidade. Uma equipa coesa e toda a remar para o mesmo lado. A produção foi um dos braços de ferro deste processo (Ana Rodrigues e Joana Pessoa); bom equipamento, o que custa dinheiro); um excelente operador de imagem (Miguel Manso). E a HOW (Horse on Wheels) como parceira na edição e tratamento de som. Trabalhamos juntos há uns valentes anos e, em equipa vencedora…

 

 O que podem adiantar sobre este documentário? Vamos poder ver um documentário descritivo ou inovador?

Inovador é pois já várias pessoas nos têm lembrado que nunca nada do género foi anteriormente feito no nosso país. Primeiro porque esta é a primeira equipa de rugby gay-friendly “made in Portugal” e depois porque não é muito vulgar ter 11 pessoas a darem a cara para um documentário sobre este tema. Neste caso foi possível talvez porque a BJWHF seja uma associação desportiva composta por pessoas que convivem bem com as suas escolhas e a sua sexualidade.

 

O resultado do vosso trabalho será conhecido quinta-feira, dia 23, às 18 horas. Esperam uma Sala 2 lotada?

Segundo informações não oficiais a sala está praticamente lotada e, diz-se que, há a hipótese de uma outra sessão.

 

E aquelas pessoas que não possam vir ao Queer Lisboa 14, podem contar com outras transmissões?

Achamos mesmo que as pessoas devem fazer tudo por tudo para ir ao Queer, mas caso não consigam realmente ir, têm sempre a possibilidade de assistir à estreia do documentário: “Boys Just Wanna Have Fun” na RTP2, ainda sem data marcada.

 

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A cobertura do dezanove do Queer Lisboa 14 aqui.

 

Q: Quatro filmes de produção portuguesa marcam presença este ano

“A Assassina Passional está Louca!” (2010), que retrata uma hilariante variação sobre o cliché cinematográfico da lésbica homicida, de Vicente Alves do Ó integrado no Programa de Curtas 1 foi o primeiro filme apresentado, sábado, dia 18.

O segundo filme que pôde ser visto ontem, dia 19, no Programa de Curtas 2, foi “Cavalos Selvagens” (2010) dos realizadores André Santos e Marco Leão, que através de imagens conta a história pessoal de dois jovens que em silêncio absoluto procuram razões para continuarem juntos.

A terceira participação portuguesa é uma co-produção entre Portugal e a Argentina, “Fuera de Cuadro” (2010) de Márcio Laranjeira ainda pode ser visionada na quarta-feira, dia 22, às 19h30, fazendo parte do Programa de Curtas 3. Francisco Lezama, filho da pintora argentina Alicia Boffi, era muito feliz na escola primária, até ser transferido para uma escola exclusiva para rapazes. Através das suas memórias escolares, Lezama, oferece-nos um outro olhar sobre as pinturas da mãe e a descoberta do seu lugar fora do quadro através de um doloroso processo de exclusão.

Por fim, a quarta presença portuguesa será vista na quinta-feira, dia 23, às 18 horas, “Boys Just Wanna Have Fun” (2010) de Luís Hipólito e Margarida Moura.

 

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Q: O que se passa nas Noites Hard?

Sábado, meia-noite, Cinema São Jorge, Sala 1 composta. Esta é aquela sessão do Queer de que quase todos já ouviram falar: "Noites Hard".


Explícito. Poderia a síntese da noite. Ao longo de quase uma hora de pequenas curtas pode ver e ouvir-se tudo: impera a nudez , a genitália, a música e o humor com alguns dildos à mistura. Depois de alguns risos e olhares desviados a sessão chega ao fim e as "coisas estranhas vistas na tela" são tema de conversa no foyer, à ida para casa ou para o Bairro Alto.


Das quatro Noites Hard programadas para a 14ª edição do Queer Lisboa, só restam três oportunidades: hoje, Domingo, com o tema "Noite Hetero"; quinta-feira, 23 de Setembro, a noite "Devotee" (a história de Hervé que encontra um bomzão de 21 anos devoto por amputados) e a última sessão será na sexta-feira 24, e não precisa de descrição adicional, "Sexo Puro".


Paulo Monteiro


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Beijo lésbico leva a expulsão de equipa de futebol no Equador

A comemoração de golo com um beijo levou a um “cartão vermelho directo” para um clube que integrava uma liga de futebol local no Equador. O clube feminino, cultural e desportivo de Guipúzcoa foi expulso da Liga la Floresta, depois de duas jogadoras da mesma equipa se terem beijado em Julho do ano passado.

As jogadoras denunciaram o caso em tribunal, que esta semana  deliberou a seu favor, mas as jogadoras temem pela sua integridade se voltarem a jogar nesta Liga.

“O juíz pronunciou-se a favor da equipa de Guipúzcoa, mas não mencionou nada no que respeita à indemnização de direitos nem nada sobre uma eventual protecção. Entendemos que com estas condições ainda não podemos voltar a jogar, disse em entrevista à agência EFE, Karen Barba, presidente do clube.

Além disso, existe neste momento uma campanha de “ódio e repúdio” contra as jogadoras que está a ser levada a cabo pelos órgãos dirigentes da Liga la Floresta, que apelaram da sentença.

O advogado da Liga, Félix Zambrano, argumentou que a decisão do juíz é “errónea”  porque parte do pressuposto que as jogadoras foram expulsas devido à sua orientação sexual, quando foram suspensas por ter um comportamente que “atenta contra a moral e os bons costumes”, contrário aos estatutos da Liga.

“Não é só um beijo ou um abraço dado com afectividade, o inconveniente é causado quando as meninas acariciam as partes íntimas em frente as crianças, jovens e adultos, actos opostos à moral e aos bons costumes da Liga la Floresta”, sentenciou o juiz.

Por entenderem que os seus direitos foram sistematicamente violados as jogadoras saíram às ruas da capital, Quito, para reivindicar a sua posição. Ao ritmo de apitos e tambores, com as caras pintadas como guerreiras, quiseram parodiar o “futebol competitivo e agressivo dos homens”, disse a criadora da coreografia Cayetana Salau, que acrescentou que esta acção serviu para reclamar que o futebol também pode ser “afectuoso, lésbico e feminino”.

Este caso é só a ponta do icebergue daquilo que acontece no quotidiano das lésbicas equatorianas disse a representante da equipa de futebol, que nomeia ainda situações como o arrendamento de casas ou médicos que não estão sensibilizados para fazer consultas a lésbicas.

Uma das jogadoras, Ani Barragán, afirma que esta discriminação resulta da falta de informação e educação, bem como da pressão exercida pela igreja e por uma sociedade patriarcal e machista que “exercem violência e pressão diária contra as mulheres e em especial contra as lésbicas”.

Outra jogadora acrescenta que é mais bem melhor visto um homem a urinar na rua do que uma rapariga que demonstre sinais de afecto com outra.

As jogadoras denunciam ainda a existência de supostas “clínicas” de “normalização” e de “deshomossexualização”. Karen Barba diz que “nestas clínicas se violam os Direitos Humanos, as mulheres lésbicas, assassinam transexuais, com a protecção das autoridades, e isso parece-nos muito grave.”

 

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A freira que Bento XVI não pode ver

A visita de Bento XVI ao Reino Unido já estava envolvida em polémica mesmo antes da sua chegada.

Dois dias antes da chegada do Papa foi a vez de uma empresa de gelados ver suspenso um anúncio em que se via uma freira grávida a comer um gelado da Antonio Federici. A acompanhar a imagem estava o slogan "imaculadamente concebido". A autoridade inglesa reguladora da publicidade, Advertising Standards Authority (ASA), recebeu oito queixas por parte de leitores de revistas inglesas que se sentiram ofendidos com o conteúdo do anúncio. A ASA considerou o anúncio como "seriamente ofensivo particularmente para aqueles que professem a fé católica" e a gelataria foi obrigada a suspender a difusão do mesmo. Da campanha publicitária da geladaria fazem parte outros anúncios, um que mostra dois padres quase a beijarem-se acompanhados do slogan "acreditamos na salivação" e uma freira e um padre "submetidos à tentação" (anúncio banido em 2009).

Um representante da marca de gelados já veio a público afirmar que a empresa está a considerar avançar com uma acção legal.