Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Dezanove
A Saber

As notícias de Portugal e do Mundo

A Fazer

Boas ideias para dentro e fora de casa

A Cuidar

As melhores dicas para uma vida ‘cool’ e saudável

A Ver

As imagens e os vídeos do momento

Praia 19

Nem na mata se encontram histórias assim

A luta queer foi, é e sempre será uma luta política

luta queer

É agora. Pleno mês de Junho, o mês do orgulho LGBTQIA+. A luta pelos direitos (conquistados e por conquistar) requer estar mais presente do que nunca, porque nada nos garante que o que até agora conquistámos não nos é retirado.

 

Uma percentagem de pessoas, fora e dentro da comunidade, peca em considerar o movimento queer como um movimento exclusivamente de celebração, que poderia ser facilmente removido das nossas vidas e calendários (quando falamos de um mês dedicado a estas identidades), portanto considero fundamental o contexto histórico.

Apesar de prévios acontecimentos de revolta, 28 de Junho de 1969 foi a data que marcou a vida das pessoas queer. A chamada “Revolta de Stonewall” havia de começar, quando num bar nova-iorquino conhecido por ser frequentado por pessoas LGBTQIA+, é invadido por polícias que possuíam o objetivo de deter estas pessoas, mas estes primeiros acabaram expulsos. A revolta durou até dia 2 de Julho do mesmo ano.

Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, mulheres trans revolucionárias e precursoras do movimento, foram os principais rostos, que contribuíram para o espoletar de manifestações e arruadas contra políticas queerfóbicas, nos E.U.A e no resto do mundo.

O seu legado é de resistência, de resiliência e, acima de tudo, um legado político, de luta pela existência de pessoas inconformadas com uma sociedade patriarcal e cisheteronormativa.

Agora, ao dar enfoque numa perspectiva nacional: segundo a ILGA Portugal, durante o ano de 2019, ao Observatório da Discriminação contra LGBTI+, foram endereçadas 171 denúncias de pessoas que sofreram de situações motivadas por preconceito, discriminação e violência em função da orientação sexual, identidade de género, expressão de género ou características sexuais das vítimas. Destas denúncias, “o insulto ou ameaça, verbal ou escrita” verificou-se como o tipo de violência mais registado com uma percentagem de 46,58%, seguindo-se “as situações de bullying e de tentativa ou agressão física”, com um valor de 8,70% cada uma.

A partir deste estudo do panorama português, é fácil identificar a necessidade de mudanças profundas e estruturais e a implementação de políticas públicas que valorizem, validem e protejam as pessoas LGBTQIA+ nas suas vidas quotidianas.

Reforço o meu ponto inicial: a luta queer é e exige ser, imperativamente, política.

Porquê? Porque continuam a existir casos de pessoas queer expulsas de casa por se assumirem, de pessoas queer ostracizadas nos seus locais de trabalho, que ocultam a sua verdade para se protegerem de violência queerfóbica e para continuarem a possuir direitos laborais, de pessoas queer a quem lhes são rejeitados cuidados de saúde por discriminação ou preconceito (ex: pessoas trans, pessoas intersexo,…), de pessoas queer que têm maior dificuldade no arrendamento ou aquisição de habitação digna, de pessoas queer que se veem obrigadas a recorrer à promiscuidade e ao trabalho sexual para pagarem as propinas da faculdade, as contas no final do mês ou uma refeição quente por dia. Estes são apenas alguns exemplos das consequências do que é ser queer.

A libertação, o fim de tanto preconceito, discriminação, perseguição e derramamento de sangue parece ser utópico pela ótica das pessoas LGBTQIA+, mas é para isso que continuamos cá. Continuamos a luta para todos sermos livres. Continuamos a luta contra a dispersão de desinformação sobre temas queer para que movimentos e partidos antidemocráticos contribuem. Continuamos a luta para que nenhuma criança, adolescente ou adulto tenha de privar o seu espaço de autodescoberta e de vivência, em consequência de uma sociedade queerfóbica.

Continuamos a luta para todos sermos livres. Continuamos a luta contra a dispersão de desinformação sobre temas queer para que movimentos e partidos antidemocráticos contribuem.

Como manifestou Rosa Luxemburgo: “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”. Uma frase que espelha a linha que temos de seguir. E a luta política, pela emancipação e pelos nossos direitos, faz-se nas ruas. Que em Junho e todo o ano nos organizemos para reivindicar quem somos e que não vamos a lado nenhum.

 

Fontes:

LGBT History: das lutas pré-Stonewall ao orgulho além das marchas 

Relatório Anual 2019 Discriminação contra pessoas LGBTI+

 

Um artigo de opinião de Miguel Máximo, estudante universitário e activista LGBTQIA+.