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Alex D'Alva Teixeira: "Testem-se, protejam-se e sejam “Livres Leves Soltxs"

 

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Sei que tenho estado muito silencioso aqui pela internet. No entanto, não dar sinais de vida online não é sinónimo de não haver vida offline, e a verdade é que há muita coisa a acontecer IRL.

Nos últimos meses, tenho passado grande parte do meu tempo a trabalhar no GAT - CheckpointLX, o único centro de base comunitária, em Portugal, dirigido aos homens que têm sexo com homens (HSH), destinado ao rastreio rápido, anónimo, confidencial e gratuito do vírus da imunodeficiência humana (VIH) e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), aconselhamento sexual e referenciação aos cuidados de saúde.

Na passada terça-feira, 1 de Dezembro, assinalou-se o Dia Mundial de Luta contra a SIDA, e acho importante falarmos deste assunto noutros dias do ano também, já que um dos motivos que me levou a querer trabalhar no GAT (Grupo de Ativistas em Tratamentos) foi o facto de me ter apercebido, em conversas com pessoas de gerações mais jovens e pessoas heterossexuais, que havia muita desinformação no que diz respeito a questões relacionadas com saúde sexual. E não falo apenas do desconhecimento do termo “Indetectável = Intransmissível” ou da existência de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), mas de questões mais simples, relacionadas com a protecção e prevenção não só do VIH mas de outras IST também.

 

O facto de me ter apercebido, em conversas com pessoas de gerações mais jovens e pessoas heterossexuais, que havia muita desinformação no que diz respeito a questões relacionadas com saúde sexual.

 

Após ter sido convidado pelo Observador para participar numa talk sobre este assunto, tive a oportunidade de conhecer a Rosa Freitas e o Luís Mendão, e aí surgiu a possibilidade de fazer a formação da Rede de Rastreio. Agora, depois de alguns meses em regime de voluntariado, sinto-me muito orgulhoso por poder partilhar que sou um dos trabalhadores do GAT, uma organização não-governamental sem fins lucrativos, com vários serviços destinados às diversas comunidades afectadas pelo VIH e SIDA, IST, hepatites virais e tuberculose.

Para além do CheckpointLX, o GAT dispõe de outros serviços onde é possível fazer testes rápidos gratuitos para VIH e outras IST, e isto é importante porque conhecer o nosso estado sorológico é uma das melhores formas de prevenir e mitigar o VIH, mesmo que não pertenças à comunidade LGBTQIAP+. De acordo com os dados recolhidos no INSA 2020, foram as pessoas heterossexuais o grupo que teve a maior parte dos novos diagnósticos — ou seja, aquilo que há 40 anos era descrito como o “cancro dos gays” não é nem nunca foi um problema exclusivo de um grupo de pessoas em particular: é algo transversal.

 

Hoje em dia, viver com VIH não tem de ser uma sentença de morte; as pessoas que vivem com VIH, aliás, não só têm uma esperança média de vida semelhante à das pessoas soronegativas, como também se podem tornar incapazes de transmitir o vírus (carga viral indetectável). Mas para além de viver com o vírus existem ainda o estigma e o preconceito, e é por isso que sinto ser urgente continuarmos a falar abertamente e sem tabus sobre questões relacionadas com este assunto, portanto não estranhem se nos próximos tempos aparecerem mais posts e stories relacionados com prevenção e activismo.

"as pessoas que vivem com VIH, aliás, não só têm uma esperança média de vida semelhante à das pessoas soronegativas, como também se podem tornar incapazes de transmitir o vírus (carga viral indetectável)"

Testem-se, protejam-se e sejam “Livres Leves Soltxs”.

 

Alex D' Alva Teixeira