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Assinala a tua orientação sexual

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Ela, poderia ser qualquer um de nós. Ela é qualquer um de nós. Para nós, será Ela. O sistema é um jogo, constituído por blocos, níveis, etapas. Ela entra no jogo. Ela quer entender a psique humana. Sempre sentiu atracção em compreender o interior dessa caixa tão complexa e tão interessante. “Compreender a mente humana é algo complicado. Cada indivíduo é único. Cada mente é única. Cada pessoa é composta por um conjunto de acontecimentos que o vão moldando. Acontecimentos que provocam reacções, também estas distintas entre si.”

Ela terminou o curso de psicologia. Ela pretende iniciar a sua jornada à volta dos estímulos e recalcamentos. A segunda etapa do jogo é o estágio. Tal como em qualquer processo, existe sempre uma ficha de inscrição, que representa cada um de nós, com intuito de organização do processo. Entre as perguntas a preencher, Ela encontra: assinale a sua orientação sexual. Ela não compreende de que forma é que a sua vida pessoal é uma condição que carece de análise, para futuramente poder ajudar pessoas. Ainda assim, Ela preenche a pergunta com uma resposta dentro da comunidade LGBTQ+. Ela comenta comigo. Eu fico intrigado. 

Segundo Ofertas de Emprego, numa entrevista a 02-06-2020, “Todas as perguntas que solicitem informação pessoal sobre os candidatos e que possam ser motivo de descriminação, são consideradas ilegais. Perguntar sobre a tua raça, a cor da tua pele, religião, orientação sexual, estado civil ou se tens filhos, entre outras, não devem ser feitas de forma directa pelo recrutador, numa entrevista de emprego.”

Assim, em Portugal, assuntos como crenças religiosas, convicções políticas ou orientação sexual são considerados do foro estritamente privado, uma vez que são consideradas dados sensíveis e estão protegidas pela Lei Geral de Protecção de Dados (LGPD). 

Ela tem os documentos que provam a existência destas questões. Contudo, “Não me sinto confortável em expor o nome da entidade porque, sinceramente, quero poder fazer a minha parte e dar voz à situação, porém não pretendo prejudicar-me, (…) Já fiz queixa na faculdade. Foram receptivos e informaram que este lugar deixará de ser opção de estágio. Após estas e outras informações, estou a ponderar entrar em contacto com a Ordem dos Psicólogos Portugueses, para comunicar a situação. Esta clínica é pertence à Associação dos Psicólogos Católicos (o que poderá justificar este comportamento), contudo não aceito que seja esta a justificação, uma vez que a religião não se pode sobrepor à lei.”

Ela merece ser respeitada. Ela precisa de avançar nas etapas do jogo. O jogo parece viciado. Tentar entrar no mercado de trabalho, expondo já publicamente situações que não estão correctas, é ter a certeza que vai encontrar portas fechadas. Sugiro-lhe fazer uma queixa anónima na ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho. Desta forma, não deixa a questão da empresa passar em vão, garantindo também que futuramente não irá sofrer represálias. Hoje, leio as palavras dos ultra conservadores. Hoje leio frases como “eu odeio os LGBTEIROS”. O preconceito e a discriminação evoluíram, formando uma gigante massa de ódio. A necessidade de separação, começa a aumentar. Assinale a sua orientação sexual, é uma forma de selecção. Esta é a primeira etapa do jogo de ódio, para os campos de concentração do futuro. 

Entre 1933 e 1945, o regime nazi realizou uma campanha contra a homossexualidade masculina. Durante a era nazista, entre 5.000 a 15.000 homossexuais foram presos em campos de concentração pelo crime de homossexualidade. Vivemos tempos muito perigosos. Existe uma extrema urgência em não entrar numa viagem de regresso ao passado e permitir qualquer selecção, a partir da nossa vida privada. Ela, poderia ser qualquer um de nós. Ela é qualquer um de nós. O sistema é um jogo, constituído por blocos, níveis, etapas. Mas em nenhuma delas é relevante para o jogo qual o género da pessoa que eu amo. 

 

Peter Pina

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