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Banco trans vandalizado com a palavra "doentes"

banco trans huelva.jpg

Nem 24 horas durou intacto um banco que a Câmara Municipal de Huelva, na Andaluzia, em Espanha, decidiu pintar com as cores da bandeira trans.

Uma iniciativa do município espanhol que visava assinalar o Dia da Visibilidade Trans (31 de Março) com um banco numa das praças da cidade acabou com o referido banco vandalizado e grafittado com a palavra "enfermos", que significa doentes. 

Inaugurado na Praça 12 de Outubro, do parque urbano António Machado, com a presença da Conselheira de Políticas Sociais e Igualdade, María José Pulido, em conjunto com o Conselheiro de Emprego, Desenvolvimento Económico e Planeamento Estratégico, Jesús Manuel Bueno, o Município de Huelva assumia assim, no dia 31 de Março, o compromisso de defender a causa das pessoas trans e apoiar os colectivos locais como é o caso do "Género Sentido Trans Huelva" e a Chrysallis Associção de Famílias de Menores Trans, que fazem inclusive parte da Comissão Municipal LGBTIQ+. Para além da inauguração deste banco foi  lido um manifesto de cooperação, feita a promessa de reforçar as bibliotecas locais com literatura trans e inclusiva e ainda realizadas actividades online.

Depois de vandalizado vários activistas e colectivos LGBTI+ espanhóis denunciaram e repudiram o ataque de ódio nas redes sociais. 

"Tudo reside na desinformação e na falta de educação sexual. Existem conceitos fundamentais para compreender o ser humano, para ter empatia, que são desconhecidos e a ignorância gera medo e medo ódio. Poucas pessoas sabem o significado dos conceitos: sexo biológico, identidade sexual, orientação sexual ou expressão sexual e muito menos sabem a relação entre esses conceitos. Espera-se que um dia a educação sexual e a diversidade cheguem a todos e o ser humano aprenda a viver e a deixar viver"  considerou Francisco Tamayo, conselheiro de um município vizinho de Huelva.

O movimento Por Si Huelva condenou veementemente este novo ataque de ódio, que desta vez foi contra a comunidade trans, que merece viver em igualdade de direitos com as outras pessoas. "Voltamos a pedir à Câmara Municipal de Huelva que denuncie estes acontecimentos para encontrar os responsáveis ​​por tão vil atentado, lembrando-lhes que, em um mês, ocorreram dois atentados de ódio contra os símbolos que procuram a igualdade e o reconhecimento dos direitos na cidade." já que há mais bancos espalhados pela cidade quer com as cores da bandeira do arco-íris, quer com as cores da bandeira trans.

A associação local Género Sentido Trans Huelva condenou o publicamente ataque e já iniciou uma nova campanha de sensibilização:

"A mesma palavra, indefinidamente.

E a mesma sensação, sempre.

A sensação de dar um passo em frente e ao mesmo tempo ter a sensação de retrocer muitos outros.

A alegria de ontem, a tristeza de hoje.

Quando reclamamos, às vezes temos a sensação de que as pessoas nos estão a olhar como se estivéssemos a exagerar, como se estivéssemos a falar de algo que não é real, que não acontece. Mas as pessoas que viveram como cis e depois com a nossa verdade, sabem do que estamos a falar.

É a nossa verdade, a verdade que só uma pessoa trans conhece."

Recorde-se que em 2018 a OMS retirou transexualidade da lista de doenças mentais.